Exposição “Entre Trilhos e Memórias” resgata história ferroviária em Barra do Piraí

Exposição “Entre Trilhos e Memórias” resgata história ferroviária em Barra do Piraí

Com informações da Associação Fluminense de Preservação Ferroviária
Imagem de capa: Divulgação Jornal Livre / AFPF

O município de Barra do Piraí recebeu, na noite da última quarta-feira (29), a abertura da exposição “Entre Trilhos e Memórias”, instalada no Centro Cultural Rosemar Muniz Pimentel — edifício que ocupa a antiga estação ferroviária da cidade. A iniciativa, segundo informações divulgadas pela própria organização do evento, integra a agenda comemorativa do Dia do Ferroviário Barrense, celebrado em 30 de abril, e busca resgatar a relevância histórica das ferrovias no desenvolvimento regional.

A exposição é resultado de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Cultura, Audiovisual e Economia Criativa e a Associação Fluminense de Preservação Ferroviária, reunindo um acervo diversificado que percorre diferentes momentos da história ferroviária do Vale do Café — região que teve papel central na economia fluminense entre os séculos XIX e início do XX, fortemente apoiada na expansão das estradas de ferro.

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Entre os principais destaques da mostra estão maquetes detalhadas e modelos de locomotivas produzidos pelo artista Marcos Antônio da Silveira Mello, além de um conjunto expressivo de fotografias históricas, registros iconográficos de estações e pontes ferroviárias e desenhos técnicos que ajudam a ilustrar a evolução da infraestrutura ferroviária local. Ao todo, segundo os organizadores, cerca de 150 peças compõem a exposição, oferecendo ao público uma visão abrangente sobre o papel estratégico dos trilhos na formação urbana e econômica da região.

De acordo com a presidente da Associação Fluminense de Preservação Ferroviária, Marcele Salles, a iniciativa vai além da simples exibição de objetos históricos. Em sua avaliação, trata-se de um esforço estruturado de valorização da memória ferroviária e de fortalecimento do sentimento de pertencimento das comunidades locais. A dirigente destacou que o acervo exposto permite estabelecer conexões diretas entre o passado ferroviário e a identidade cultural contemporânea das cidades do Vale do Café.

A programação de abertura também incluiu uma roda de conversa com especialistas e pesquisadores do setor, mediada pelo secretário municipal de Cultura, Audiovisual e Economia Criativa, Gabriel Barbosa. O debate abordou temas como a importância da preservação do patrimônio ferroviário, os desafios enfrentados na conservação de estruturas históricas e as possibilidades de reutilização desses espaços no contexto atual — especialmente em iniciativas culturais, turísticas e educativas.

Durante o evento, o secretário ressaltou que a exposição representa uma oportunidade concreta de aproximação entre a população e sua própria história. Segundo ele, ações desse tipo contribuem para ampliar o acesso à cultura e reforçar a consciência coletiva sobre a importância da preservação patrimonial, sobretudo em municípios cuja formação está diretamente ligada à ferrovia.

A escolha do Centro Cultural Rosemar Muniz Pimentel como sede da exposição também carrega um simbolismo relevante. Instalado na estação ferroviária de Barra do Piraí, o espaço reforça a conexão entre o conteúdo apresentado e o próprio ambiente histórico em que está inserido, funcionando como um exemplo concreto de reutilização de patrimônio ferroviário para fins culturais — prática que tem sido cada vez mais incentivada em projetos de revitalização urbana.

Iniciativas como a exposição “Entre Trilhos e Memórias” desempenham papel fundamental na preservação da história ferroviária brasileira, especialmente em um contexto em que muitos ativos históricos foram desativados, descaracterizados ou demolidos ao longo das últimas décadas. Ao reunir acervo técnico, artístico e documental, a exposição contribui para a construção de uma narrativa mais ampla sobre o impacto das ferrovias no desenvolvimento regional.

Além do aspecto histórico, o evento também reforça o potencial do patrimônio ferroviário como vetor de desenvolvimento econômico, especialmente por meio do turismo cultural. Regiões como o Vale do Café têm buscado, nos últimos anos, integrar a memória ferroviária a roteiros turísticos, explorando antigas estações, trechos de linha e equipamentos históricos como atrativos.

A expectativa dos organizadores é que a exposição atraia não apenas moradores da região, mas também visitantes interessados em história, arquitetura e transporte ferroviário, ampliando o alcance da iniciativa e consolidando o evento como parte do calendário cultural local. Esta exposição ficará aberta ao público até o mês de julho de 2026 e funciona de acordo com o horário de funcionamento do Centro Cultural: de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h.

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