Rio Bonito inaugura neste domingo Museu da Ancestralidade e Centro Cultural junto à estação ferroviária
Novo espaço cultural reforça a preservação da memória local, por onde passavam os trens da Estrada de Ferro Leopoldina
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A cidade de Rio Bonito viverá um momento histórico neste domingo, 2 de agosto, com a inauguração do Museu da Ancestralidade e Centro Cultural Aliomar Guimarães Leite (Baianinho). A cerimônia está marcada para as 9h30, ao lado da antiga estação ferroviária do município, em um espaço revitalizado anexo à Rodoviária Municipal.
A iniciativa representa um importante passo para a preservação da memória e da identidade cultural da cidade, ao mesmo tempo em que devolve protagonismo a um dos locais mais simbólicos da história de Rio Bonito: sua estação ferroviária, que durante décadas foi ponto de embarque, desembarque e integração regional através da antiga Estrada de Ferro Leopoldina. Está prevista também a exibição de uma locomotiva a vapor junto ao local, que também será aberta para visitação e fotografias durante o evento de inauguração.
O novo equipamento cultural homenageia o artista plástico Aliomar Guimarães Leite, conhecido como Baianinho, falecido em novembro de 2024. Natural de Canavieiras (BA), ele se estabeleceu em Rio Bonito na década de 1970, onde fundou a Escola de Artes Pica-Pau, posteriormente transformada no Centro Fluminense de Artes (CEFA). Sua produção artística, composta por pinturas, desenhos, xilogravuras e esculturas, tornou-se referência na região e alcançou reconhecimento nacional e internacional.
Segundo o projeto apresentado à Câmara Municipal, a homenagem busca preservar o legado deixado pelo artista e fortalecer a valorização da cultura riobonitense para as futuras gerações.
Memória ferroviária preservada
A escolha da antiga estação ferroviária como sede do novo museu também resgata parte da história dos transportes no estado do Rio de Janeiro.
Rio Bonito foi atendida pela Linha do Litoral da Estrada de Ferro Leopoldina, importante eixo ferroviário que ligava a capital fluminense ao Norte do Estado e ao Espírito Santo. Durante décadas, a ferrovia desempenhou papel fundamental no transporte de passageiros e cargas, impulsionando o desenvolvimento econômico da região.
Com a desativação da linha e a posterior retirada dos trilhos em diversos trechos, a estação perdeu sua função original, tornando-se um dos muitos edifícios ferroviários históricos que aguardavam uma nova utilização compatível com seu valor patrimonial.
A implantação do museu representa, portanto, uma nova fase para o imóvel, preservando sua importância como marco histórico da cidade. Porém, apesar da revitalização do entorno da estação, o futuro do transporte ferroviário na região ainda permanece incerto.
Há muitos anos discute-se a implantação da EF-118, ferrovia projetada para conectar o Norte Fluminense à Região Metropolitana do Rio de Janeiro, aproveitando parcialmente o antigo corredor ferroviário da Leopoldina em determinados segmentos. Entretanto, o empreendimento continua enfrentando sucessivos adiamentos e, até o momento, não existe previsão concreta para sua implantação integral.
Enquanto isso, diversos trechos da antiga Linha do Litoral permanecem sem trilhos, tornando cada vez mais distante a possibilidade de um eventual retorno da circulação ferroviária pelo município.
Cultura e patrimônio caminhando juntos
A inauguração do Museu da Ancestralidade demonstra como antigas estruturas ferroviárias podem ganhar novos usos sem perder sua identidade histórica. Em diversas cidades brasileiras, estações ferroviárias vêm sendo transformadas em centros culturais, museus, bibliotecas e espaços de convivência, mantendo viva a memória de um patrimônio que marcou profundamente o desenvolvimento urbano e social do país.
Para Rio Bonito, a abertura do novo museu representa não apenas uma homenagem a um importante artista local, mas também um convite para que moradores e visitantes redescubram a história da cidade através de um de seus maiores símbolos: a antiga estação ferroviária da Leopoldina, testemunha silenciosa de um tempo em que os trens eram protagonistas da integração regional.
Com informações de Redes Sociais e da Prefeitura de Rio Bonito
Imagem de capa: divulgação em redes sociais da Prefeitura de Rio Bonito
