Baldeação em Gramacho gera reclamações e mantém pressão por melhorias no Ramal Saracuruna
Passageiros apontam dificuldades de acessibilidade e intervalos longos, enquanto a TrensRJ atribui a transferência entre composições à existência de uma única linha até Saracuruna.
A necessidade de trocar de trem na Estação Gramacho continua sendo motivo de reclamação entre passageiros do Ramal Saracuruna, que conecta municípios da Baixada Fluminense ao Centro do Rio de Janeiro. Usuários questionam os transtornos provocados pela baldeação, sobretudo nos períodos em que não há viagens diretas, e cobram melhorias na infraestrutura ferroviária e das estações.
Em reportagem publicada em 19 de outubro de 2026, o portal TMC relatou que passageiros e ouvintes da emissora reivindicam a conclusão da duplicação dos trilhos entre Gramacho e Saracuruna, obra discutida há mais de uma década. Entre as queixas estão a falta de acessibilidade no terminal de Gramacho e os intervalos considerados longos entre as composições.
A TrensRJ, responsável pela operação do sistema ferroviário estadual sob regime de permissão desde 30 de maio de 2026, informou que já oferece viagens diretas nos horários de pico da manhã e da tarde. Fora desses períodos, porém, a transferência em Gramacho continua necessária devido às características da infraestrutura existente no trecho entre essa estação e Saracuruna.
Baldeação depende das limitações da via férrea
De acordo com a TrensRJ, a operação entre Gramacho e Saracuruna ocorre em linha única, condição que limita a organização das viagens e exige a transferência de passageiros em determinados horários. No trecho entre a Central do Brasil e Gramacho, por outro lado, há duas linhas, o que permite organizar a circulação de forma diferente e reduzir os intervalos entre as partidas.
Na prática, quem utiliza o ramal precisa observar a programação das viagens para saber se poderá seguir diretamente até seu destino ou se terá de desembarcar em Gramacho para continuar o percurso em outra composição. A necessidade de transferência pode acrescentar etapas ao deslocamento e dificultar a rotina de quem depende do trem para chegar ao trabalho, estudar ou acessar serviços na capital.
A concessionária anterior e os governos estaduais discutiram intervenções no trecho ao longo dos anos, mas a duplicação reivindicada pelos moradores não foi efetivada. A questão permanece relevante para os passageiros porque a ampliação da capacidade ferroviária poderia permitir uma reorganização operacional, embora os efeitos concretos dependam do projeto executado e da programação dos serviços.
A TrensRJ afirma que a duplicação entre Gramacho e Saracuruna não integra as obrigações previstas no contrato de permissão atualmente vigente. Segundo a empresa, entretanto, o instrumento contratual admite a possibilidade de investimentos adicionais do Governo do Estado, que poderão contemplar a expansão da malha ferroviária.
Passageiros relatam problemas de acessibilidade e intervalos
Entre os usuários ouvidos pela TMC está Douglas Mendonça, passageiro do sistema ferroviário, e com formação em logística. Ele relatou dificuldades relacionadas à acessibilidade na Estação Gramacho, onde ocorre a transferência de composições, e criticou o tempo de espera entre os trens.
A acessibilidade das estações é um aspecto importante para garantir que pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida consigam utilizar o transporte público com autonomia e segurança. Quando a viagem exige desembarque e novo embarque em outra composição, as condições de circulação entre plataformas e áreas de acesso ganham ainda mais relevância.
Além da questão estrutural, intervalos longos podem aumentar o tempo total de deslocamento e dificultar a previsibilidade das viagens. Para os passageiros que dependem de horários regulares, a combinação de baldeação e espera pode representar um obstáculo adicional no trajeto cotidiano.
Os relatos reforçam a cobrança por melhorias tanto na operação quanto nas instalações ferroviárias. A reportagem, contudo, não apresenta um levantamento quantitativo das reclamações nem informa a existência de um cronograma específico para solucionar os problemas relatados na estação.
Trens diretos, porém, são oferecidos nos horários de pico
Em resposta à reportagem, a TrensRJ afirmou que disponibiliza viagens diretas no Ramal Saracuruna durante os períodos de maior movimento da manhã e da tarde, dispensando a troca de composição em Gramacho nesses horários. Antes e depois dos picos, a baldeação continua fazendo parte da operação.
A empresa também declarou que trabalha em conjunto com o Governo do Estado para buscar melhorias contínuas no sistema ferroviário. Entre as medidas mencionadas está a oferta de trens com ar-condicionado em todas as viagens realizadas entre Gramacho e Saracuruna. A climatização, entretanto, não resolve por si só as questões relacionadas à capacidade da via, à acessibilidade das estações ou aos intervalos entre as partidas. Esses problemas envolvem aspectos distintos da prestação do serviço e dependem de medidas operacionais e de infraestrutura.
A continuidade das viagens diretas nos horários de pico representa uma condição operacional informada pela empresa, mas não elimina a transferência nos demais períodos. Para os passageiros, a regularidade do serviço e a divulgação clara dos horários são elementos importantes para planejar os deslocamentos.
Estado prevê investimentos na infraestrutura ferroviária
Em nota citada pela TMC, a Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana informou que a TrensRJ opera sob um contrato de permissão desde 30 de maio de 2026. Segundo a pasta, o novo modelo prevê acompanhamento mais próximo do Estado sobre a operação e a melhoria dos serviços ferroviários.
Entre os investimentos considerados prioritários pelo governo estão a substituição de postes, trilhos e dormentes, a revitalização de transformadores e a modernização da rede aérea. Essas intervenções estão relacionadas à manutenção das condições de funcionamento da infraestrutura ferroviária e à continuidade da operação. A Secretaria informou ainda que a contratação de uma nova modelagem deverá contemplar estudos sobre a expansão da malha ferroviária, sem se limitar ao Ramal Saracuruna. A declaração indica que a ampliação do sistema poderá ser avaliada no contexto de um planejamento mais abrangente.
No entanto, a inclusão de estudos de expansão não significa que a duplicação entre Gramacho e Saracuruna esteja aprovada, financiada ou com execução programada. A nota reproduzida na reportagem não apresenta prazo para a realização de obras nesse trecho nem detalha quais expansões poderão ser priorizadas.
Duplicação segue como reivindicação dos moradores
A conclusão da duplicação entre Gramacho e Saracuruna permanece entre as principais reivindicações dos passageiros mencionados pela reportagem. A obra é apontada como uma possibilidade para melhorar as condições de circulação no ramal, mas sua efetiva contribuição dependerá das soluções de engenharia, da organização da operação e dos investimentos necessários.
O trecho entre as duas estações tem aproximadamente 11,5 quilômetros e opera em via singela, conforme documentação técnica do Governo do Estado relacionada ao planejamento ferroviário. Essa característica ajuda a explicar a limitação operacional descrita pela TrensRJ, embora a definição de qualquer intervenção dependa de estudos e decisões específicas.
Por enquanto, as medidas anunciadas pelo Estado concentram-se em intervenções consideradas prioritárias na infraestrutura e na preparação de estudos para a expansão da rede. A duplicação, que os moradores dizem esperar há mais de dez anos, não tem prazo de execução confirmado nas informações divulgadas.
Para os usuários do Ramal Saracuruna, o desafio continua sendo conciliar a necessidade de deslocamentos confiáveis com as limitações atuais da linha. A evolução das medidas de manutenção, a melhoria da acessibilidade e a eventual ampliação da infraestrutura serão pontos importantes para acompanhar nos próximos anúncios da TrensRJ e do governo estadual.
Fonte: TMC — reportagem de Julia Novaes; Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana do Rio de Janeiro; Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes (Agetransp).
Imagem de capa: G1
