Entrevista nos estúdios da Rádio Manchete Rio FM

Governo fluminense prepara estudo com Banco Mundial para planejar transportes

Iniciativa anunciada por Sérgio Pimentel, em entrevista na Rádio Manchete, prevê diagnóstico integrado de trens, barcas, metrô e bilhetagem para subsidiar decisões da próxima administração estadual.

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O Governo do Estado do Rio de Janeiro prepara a contratação de um estudo com o Banco Mundial para orientar o planejamento da mobilidade urbana fluminense. A iniciativa foi anunciada em 14 de outubro pelo subsecretário-geral da Casa Civil, Sérgio Pimentel, durante entrevista exclusiva ao programa Debates Populares Manchete, da Rádio Manchete Rio FM 96,1. Segundo o representante do governo, a divulgação oficial da medida deverá ocorrer nos dias seguintes à entrevista.

A proposta é elaborar uma modelagem integrada do sistema de transportes, contemplando os serviços ferroviários, as barcas, as possibilidades de expansão do metrô e a estrutura de bilhetagem, incluindo questões relacionadas ao Bilhete Único. O objetivo declarado é reunir informações técnicas que permitam à próxima administração estadual avaliar alternativas para o setor e definir prioridades com base em um diagnóstico abrangente.

Pimentel afirmou que o governo já havia desenvolvido uma iniciativa de modelagem com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e que pretende realizar um novo trabalho em parceria com o Banco Mundial. A contratação anunciada, entretanto, ainda não teve seu escopo detalhado publicamente na entrevista, e não foram apresentados valores, prazos de execução ou resultados previstos.

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Estudo pretende orientar decisões sobre diferentes sistemas

A iniciativa busca tratar a mobilidade urbana como um conjunto de serviços interdependentes, em vez de analisar cada modalidade de transporte de maneira isolada. Entre os temas mencionados por Pimentel estão a possibilidade de ampliar o transporte aquaviário por barcas, as intervenções necessárias na rede ferroviária e as alternativas para expansão do metrô.

A bilhetagem também foi apontada como uma questão que precisa ser enfrentada. Sistemas de pagamento e integração tarifária influenciam a maneira como os passageiros utilizam diferentes serviços em um mesmo deslocamento. Por isso, o diagnóstico deverá subsidiar discussões sobre a organização do sistema e a articulação entre os meios de transporte.

A entrevista não apresentou projetos executivos, traçados definidos ou um cronograma de obras. A proposta anunciada é contratar uma consultoria para produzir informações que apoiem decisões futuras, e não autorizar imediatamente intervenções na infraestrutura existente.

A modelagem deverá servir como instrumento de planejamento para a próxima gestão, permitindo que o governo avalie necessidades, alternativas e possíveis investimentos. A efetiva implantação de mudanças dependerá das conclusões dos estudos e das decisões administrativas, técnicas e financeiras que vierem a ser tomadas posteriormente.

Trens e barcas estão entre as prioridades mencionadas

Ao comentar os desafios do setor, Pimentel destacou a necessidade de melhorar a qualidade dos serviços ferroviários e aquaviários. Ele mencionou o deslocamento de passageiros que saem de municípios como Japeri em direção ao Centro do Rio como exemplo da importância de garantir condições adequadas de funcionamento do transporte público metropolitano.

O subsecretário defendeu que o planejamento contemple tanto as necessidades de infraestrutura quanto a continuidade e a qualidade dos serviços oferecidos à população. Na avaliação apresentada por ele, a atuação do poder público tem sido frequentemente direcionada a situações emergenciais, em vez de seguir uma programação estruturada de longo prazo.

A contratação de um estudo especializado pretende contribuir para mudar essa lógica, fornecendo uma base técnica para avaliar problemas existentes e alternativas de intervenção. Ainda assim, a entrevista não especificou quais trechos ferroviários poderão receber obras, quais linhas de barcas poderiam ser ampliadas ou quais projetos metroviários serão priorizados.

A ausência dessas definições reforça o caráter preparatório da iniciativa. A modelagem deverá organizar informações e possibilidades para que as decisões sobre investimentos sejam tomadas em uma etapa posterior.

Banco Mundial e BNDES em etapas de planejamento

A participação do Banco Mundial foi apresentada como uma nova frente de apoio técnico ao planejamento dos transportes estaduais. Pimentel descreveu a futura contratação como uma consultoria de alto nível destinada a oferecer subsídios ao governador que assumirá a próxima administração.

O subsecretário também mencionou a experiência anterior de modelagem realizada com o BNDES. Embora os dois trabalhos estejam relacionados ao planejamento da mobilidade, a entrevista não detalhou como serão divididas as responsabilidades entre as instituições, se haverá aproveitamento de estudos anteriores ou quais produtos técnicos serão exigidos da nova consultoria.

Também não foram divulgadas informações sobre o valor estimado da contratação, o processo de seleção dos consultores, o prazo para conclusão ou a forma de publicação dos resultados. Esses elementos deverão ser esclarecidos quando o governo apresentar oficialmente a iniciativa.

A elaboração de um diagnóstico integrado poderá fornecer subsídios para comparar alternativas de investimento e avaliar como diferentes serviços se relacionam na Região Metropolitana. A efetividade desse planejamento, porém, dependerá da qualidade dos dados utilizados, da clareza das recomendações e das decisões tomadas com base nos resultados.

Iniciativa integra o processo de transição governamental

O anúncio ocorreu no contexto da preparação para a mudança de administração estadual. Pimentel integra a Comissão de Transição Governamental instituída pelo Decreto estadual nº 50.522, de 13 de outubro de 2026, publicado no Diário Oficial do Estado no dia seguinte. A norma estabelece procedimentos para a transferência de informações à futura gestão e prevê o levantamento de dados sobre programas em andamento, projetos pendentes, prioridades dos primeiros cem dias e situação das contas públicas.

Segundo o subsecretário, a intenção é deixar à próxima administração instrumentos que permitam compreender os desafios do sistema de transportes e decidir quais medidas deverão ser adotadas. A proposta de contratação com o Banco Mundial, portanto, foi apresentada como parte de um esforço de preparação técnica para a continuidade do planejamento estadual.

Durante a entrevista, Pimentel também defendeu o compartilhamento de informações entre as administrações e a manutenção dos serviços públicos durante a transição. Ele afirmou que a mudança de governo deve ocorrer sem comprometer o funcionamento das estruturas estaduais e ressaltou a importância de assegurar que os passageiros continuem tendo condições de realizar seus deslocamentos cotidianos.

O subsecretário declarou ainda que o decreto de transição foi inspirado em uma experiência anterior, da época dos governos de Luiz Fernando Pezão e Francisco Dornelles, período em que participou da elaboração de um texto relacionado ao processo de passagem de governo.

Próximos passos ainda dependem de anúncio oficial

A contratação do estudo com o Banco Mundial permanece, conforme as informações divulgadas na entrevista, em fase preparatória. O governo ainda deverá apresentar os detalhes formais da iniciativa, incluindo seu escopo, os procedimentos de contratação e o cronograma previsto.

Até que essas informações sejam divulgadas, não é possível estabelecer quais propostas serão recomendadas pela consultoria, quais investimentos poderão ser priorizados ou quando eventuais intervenções poderão começar. O estudo pretende fornecer uma base técnica para as decisões, mas não representa, por si só, garantia de execução de obras ou de mudanças nos serviços.

A iniciativa coloca em pauta a necessidade de planejar conjuntamente os diferentes componentes da mobilidade fluminense. Seu resultado poderá orientar decisões sobre trens, barcas, metrô e bilhetagem, desde que as conclusões sejam posteriormente avaliadas e convertidas em medidas concretas pela administração estadual.


Fonte: Rádio Manchete Rio FM 96,1 — entrevista publicada no site da emissora — e Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro.
Imagem de capa: Veronica Modarto, Rádio Manchete

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