Presidente do MetrôRio defende expansão do sistema e integração tarifária
O presidente do MetrôRio defendeu que o metrô do Rio passe a ser tratado como política permanente de Estado, com mais investimentos e tarifa integrada aos demais modais.
Com informações da CBN
Imagem de capa: Daddo Moreira / Trilhos do Rio
O presidente do MetrôRio, Guilherme Ramalho, afirmou que o futuro da mobilidade urbana no Rio de Janeiro depende diretamente da transformação do metrô em uma política permanente de Estado, com investimentos contínuos e integração tarifária entre todos os modais de transporte público. A declaração foi dada durante entrevista à emissora CBN, na qual o executivo defendeu que o metrô passe a ter uma tarifa equivalente à dos ônibus urbanos, tornando o sistema mais acessível e competitivo para a população.
A discussão ocorre em um momento em que o estado do Rio de Janeiro enfrenta um longo período sem grandes expansões metroviárias. A última ampliação significativa da rede ocorreu antes dos Jogos Olímpicos de 2016, com a implantação da Linha 4 até a Barra da Tijuca. Desde então, projetos estratégicos voltados à expansão do sistema permaneceram praticamente estagnados, com exceção da retomada das obras da estação Estação Gávea, reiniciadas recentemente após anos de paralisação.
Durante a entrevista, Guilherme Ramalho ressaltou que a ausência de subsídios estaduais no sistema metroviário contribui diretamente para que o Rio possua atualmente uma das tarifas de metrô mais caras do país. Segundo ele, a diferença de preços entre os modais acaba afastando passageiros do transporte sobre trilhos e incentivando o crescimento do transporte individual, especialmente o uso de motocicletas.
De acordo com o executivo, a mobilidade urbana deveria funcionar de forma integrada, permitindo que a escolha do modal fosse baseada na conveniência da viagem e não exclusivamente no custo da passagem.
— Precisamos trabalhar na equalização do valor tarifário para que ônibus, trem, metrô, BRT e VLT tenham o mesmo preço, permitindo que as pessoas escolham a melhor forma de se deslocar — afirmou Ramalho durante a entrevista.
A declaração reacende um debate antigo sobre integração tarifária plena entre os sistemas ferroviários, metroviários e rodoviários da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Atualmente, muitos passageiros ainda enfrentam custos elevados para realizar integrações entre modais, principalmente em deslocamentos mais longos vindos da Baixada Fluminense e da Zona Oeste.
Outro ponto destacado pelo presidente do MetrôRio foi a necessidade de transformar os investimentos em mobilidade urbana em uma política de longo prazo, independente de mudanças de governos. Segundo ele, o Rio investe atualmente cerca de 3% do orçamento estadual em mobilidade, percentual inferior ao observado em estados como São Paulo e Bahia.
Para Guilherme Ramalho, a expansão do sistema metroviário é fundamental para enfrentar os problemas crônicos de deslocamento na Região Metropolitana, marcada por congestionamentos, saturação do sistema rodoviário e dependência crescente do transporte individual.
Entre os projetos considerados prioritários pelo executivo está a extensão da Linha 2 entre as estações Estação Estácio e Estação Carioca. O trecho, com aproximadamente três quilômetros, é visto há décadas por especialistas em mobilidade como uma das obras mais importantes para reorganizar a operação do metrô carioca.
Atualmente, a Linha 2 opera compartilhando parte da infraestrutura da Linha 1, situação considerada operacionalmente limitada para a expansão do sistema. Segundo Ramalho, a ligação direta entre Estácio e Carioca permitiria aumentar significativamente a capacidade operacional da Linha 2, especialmente nos trechos que atendem a Zona Norte e a Baixada Fluminense.
De acordo com ele, a obra poderia reduzir intervalos entre trens, ampliar a capacidade de passageiros em cerca de 30% e criar condições técnicas para futuras expansões metroviárias rumo à Região Metropolitana.
O executivo também mencionou a importância da chamada Linha 3 do metrô, projeto historicamente discutido para conectar o Rio de Janeiro a municípios do Leste Fluminense, como Niterói, São Gonçalo e Itaboraí. Recentemente, estudos conduzidos pela COPPE/UFRJ voltaram a colocar o projeto em debate, incluindo propostas de travessia subaquática da Baía de Guanabara.
Além da expansão da Linha 2, Guilherme Ramalho defendeu o prolongamento da Linha 4 entre o Estação Jardim Oceânico e o Terminal Alvorada, na Barra da Tijuca. A proposta permitiria uma integração mais eficiente entre metrô e corredores BRT, ampliando a conectividade da Zona Oeste.
Como se sabe, a integração física e tarifária entre metrô, trens urbanos, VLT e BRT é essencial para reduzir a dependência do transporte individual e tornar o sistema metropolitano mais eficiente e sustentável.
O debate também ganha relevância diante da atual reorganização do sistema ferroviário fluminense, com a recente transição operacional da SuperVia para a nova permissionária TrensRJ. A expectativa de especialistas é que futuras expansões metroferroviárias possam ser planejadas de forma integrada, conectando melhor os diferentes modais sobre trilhos da Região Metropolitana.
Apesar dos desafios financeiros e estruturais, a discussão sobre expansão do metrô volta gradualmente ao centro do planejamento urbano do Rio de Janeiro, impulsionada pelo crescimento populacional, pela necessidade de redução de congestionamentos e pela busca por soluções mais sustentáveis para a mobilidade urbana.
