EDP fornecerá energia solar ao VLT Carioca por 15 anos
Parceria com a Motiva prevê energia renovável para operações de mobilidade no estado e integra estratégia de redução de custos e emissões de carbono.
A EDP e a Motiva firmaram um contrato de autoprodução de energia solar com duração de 15 anos, que contemplará 13 concessões de infraestrutura de mobilidade em diferentes estados brasileiros. No Rio de Janeiro, entre os ativos beneficiados estão o VLT Carioca e as concessionárias rodoviárias ViaRio, ViaLagos e RioSP, responsável pela operação de trechos das rodovias Presidente Dutra e Rio-Santos.
O acordo prevê a contratação de 9,3 megawatts médios (MWm) de energia, proveniente de uma usina do Complexo Solar Novo Oriente, localizado em Ilha Solteira, no interior de São Paulo. Segundo as empresas, a iniciativa contribuirá para a redução de 25% da conta de energia da Motiva em comparação com os valores registrados em 2023, ampliando a eficiência operacional e a previsibilidade dos custos.
A parceria também faz parte da estratégia de descarbonização da companhia, que busca ampliar o uso de fontes renováveis em suas operações de transporte sobre trilhos e rodovias.
VLT Carioca entre os ativos contemplados no Rio de Janeiro
No estado do Rio de Janeiro, o VLT Carioca está entre as operações ferroviárias diretamente contempladas pelo contrato. O sistema de transporte urbano, que atende a região central da capital e áreas portuárias, terá suas unidades consumidoras de média e alta tensão incluídas no fornecimento de energia renovável.
Além do VLT, o acordo abrange três importantes concessões rodoviárias com atuação fluminense:
- ViaRio: responsável pela operação da Via Expressa Transolímpica, importante ligação entre a Barra da Tijuca e a região de Deodoro;
- ViaLagos: concessionária da rodovia RJ-124, que conecta a Região Metropolitana à Região dos Lagos;
- RioSP: responsável pela administração de trechos da Rodovia Presidente Dutra e da Rio-Santos, incluindo corredores rodoviários estratégicos para a ligação entre o Rio de Janeiro e outros estados.
A presença dessas concessões no contrato amplia o alcance da iniciativa sobre a infraestrutura de mobilidade fluminense, contemplando tanto o transporte urbano sobre trilhos quanto importantes eixos rodoviários.
O comunicado da Motiva também inclui sistemas ferroviários e metroviários de São Paulo, como as Linhas 4-Amarela e 5-Lilás do metrô, além das Linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda dos trens metropolitanos. Entretanto, o VLT Carioca é o sistema de trilhos do Rio de Janeiro expressamente identificado entre os ativos atendidos pelo acordo.
Contrato de 15 anos prevê energia de usina solar paulista
A energia contratada será fornecida por uma das usinas do Complexo Solar Novo Oriente, da EDP, situado no município de Ilha Solteira, em São Paulo. O empreendimento é apontado pela empresa como o maior complexo solar do estado.
O parque possui capacidade instalada de 254 MWac, conta com 82 inversores e mais de 558 mil painéis fotovoltaicos. De acordo com a EDP, a produção mensal do complexo é suficiente para abastecer aproximadamente 375 mil residências.
O contrato entre as companhias prevê o atendimento de 154 unidades consumidoras de média e alta tensão, distribuídas entre concessões rodoviárias e ferroviárias. O volume contratado corresponde a aproximadamente 15% da demanda total de energia da Motiva.
Além do fornecimento de eletricidade, o acordo contempla a emissão de certificados internacionais de energia renovável, conhecidos como I-RECs. Esses certificados asseguram a origem renovável da energia contratada e, segundo as empresas, estão associados à prevenção da emissão de aproximadamente 3,8 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂) por ano.
Autoprodução de energia e redução de custos operacionais
A contratação foi estruturada na modalidade de autoprodução por arrendamento. Nesse modelo, o consumidor participa de um consórcio constituído para a operação do empreendimento e compartilha a capacidade de geração da usina conforme sua participação no projeto.
Diferentemente de um contrato convencional de compra e venda de energia, a estrutura de autoprodução por arrendamento envolve a atribuição de direitos de geração ao consumidor, que passa a compartilhar o ativo com o empreendedor.
Para a Motiva, o acordo representa uma ampliação da participação da autoprodução no atendimento de sua demanda energética. Com a nova parceria, essa participação deverá passar de 60% para 85%.
A companhia também informa que alcançou antecipadamente uma meta de redução de 20% nos gastos com energia, originalmente prevista para o final de 2025. A estratégia envolve contratos de autoprodução, geração distribuída e migração de unidades consumidoras para o mercado livre de energia.
Segundo a empresa, desde o final de 2024 suas operações rodoviárias e ferroviárias passaram a ser abastecidas exclusivamente por fontes renováveis. A iniciativa com a EDP reforça esse direcionamento, buscando reduzir a exposição à volatilidade dos preços de eletricidade e garantir maior previsibilidade financeira.
Descarbonização da infraestrutura de transportes
A parceria integra os compromissos ambientais estabelecidos pela Motiva em sua estratégia denominada Ambição 2035, que prevê a neutralidade de carbono nos escopos 1 e 2 até 2035.
A companhia informou ter encerrado 2025 com redução de 61% nas emissões desses escopos, superando antecipadamente a meta de redução de 59% até 2033, tomando como referência o ano de 2019. O resultado foi associado, entre outras medidas, à utilização de energia elétrica proveniente de fontes renováveis em seus ativos.
A iniciativa também amplia a colaboração entre Motiva e EDP. Em 2024, as empresas já haviam firmado um contrato de dez anos, no modelo de geração distribuída compartilhada, para fornecer energia solar ao Sistema Anhanguera-Bandeirantes, em São Paulo.
Para as operações fluminenses contempladas, o acordo representa a integração de ativos de mobilidade a uma estratégia mais ampla de eficiência energética. Embora a contratação não represente, por si só, uma mudança direta na oferta de transporte aos passageiros, a redução dos custos de eletricidade e das emissões constitui um componente relevante da gestão de sistemas de transporte público e infraestrutura rodoviária.
Fonte: Motiva — comunicado sobre a parceria com a EDP, publicado em 28 de outubro de 2026.
Imagem: exame.com
