O legado negativo de Cláudio Castro nos trilhos do Rio de Janeiro

O legado negativo de Cláudio Castro nos trilhos do Rio de Janeiro

Com informações do Jornal O Globo
Imagem de Capa: TV Foco


O governador Cláudio Castro encerrou sua passagem pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro deixando um dado considerado simbólico e muito debatido no setor de mobilidade urbana fluminense: tornou-se o primeiro governador eleito em mais de três décadas a concluir sua gestão sem inaugurar uma única estação de metrô no estado. A análise foi publicada pelo jornalista Bernardo Mello Franco, do Jornal O Globo.

A saída oficial de Castro do Palácio Guanabara ocorreu em 23 de março de 2026, encerrando um período marcado por promessas de expansão metroviária, anúncios de projetos estruturantes e retomadas pontuais de obras, mas sem entregas efetivas de novas estações à população.

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Embora o recorde negativo também alcance o ex-governador Wilson Witzel — do qual Castro era vice — há uma diferença relevante de contexto político e administrativo. Witzel deixou o cargo antes de completar dois anos de mandato, após ser afastado em 2020 em meio a investigações de corrupção. Castro, por outro lado, permaneceu à frente do Executivo estadual por praticamente todo o ciclo de governo subsequente, incluindo um mandato completo obtido nas urnas. Desde a década de 1990, todos os governadores eleitos do estado estiveram ligados, de alguma forma, à expansão do sistema metroviário fluminense. Governos como os de Marcello Alencar, Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho, Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão participaram de fases de ampliação da rede, seja com novos trechos, estações ou obras de modernização.

O caso mais recente de expansão efetiva ocorreu em 2016, durante a gestão de Pezão, quando foram inauguradas cinco estações da Linha 4 do MetrôRio, conectando a Zona Sul à Barra da Tijuca em meio aos preparativos para os Jogos Olímpicos daquele ano. Desde então, apesar de diferentes anúncios e estudos, o sistema não recebeu novas estações em operação. Durante a campanha pela reeleição em 2022, Cláudio Castro apresentou propostas ambiciosas para o setor metroferroviário. Entre as principais promessas estavam a construção da aguardada Linha 3 do Metrô — projeto histórico voltado à ligação entre o Rio, Niterói e São Gonçalo — e a expansão da Linha 2 do MetrôRio em direção à Baixada Fluminense, com previsão de chegada até Nova Iguaçu. Na época, Castro chegou a declarar publicamente que as obras do metrô até Nova Iguaçu seriam iniciadas ainda em 2022, prevendo a implantação de 13 novas estações ao longo da Baixada. Entretanto, os projetos não avançaram além das fases preliminares de planejamento e articulação institucional.

Em 2025, o governo estadual anunciou a retomada das obras da Estação Gávea, estrutura que se tornou um dos principais símbolos de obras inacabadas da mobilidade carioca. Paralisada durante anos após problemas financeiros e disputas contratuais, a estação voltou a receber intervenções, mas a previsão de conclusão foi estabelecida apenas para 2028 — já fora do mandato de Castro. Além disso, a retomada ocorreu sem a confirmação da expansão originalmente prevista até o Leblon, ligação considerada estratégica por especialistas para ampliar a funcionalidade operacional da Linha 4 e reduzir gargalos no sistema.

Enquanto isso, o foco da gestão acabou se concentrando majoritariamente no, não menos importante, sistema ferroviário metropolitano, atualmente em transição entre a SuperVia e a futura operação da Trens RJ, além de investimentos pontuais em corredores viários e melhorias operacionais em modais já existentes. O cenário deixa como desafio para os próximos governos a retomada efetiva de projetos estruturantes de transporte de alta capacidade, considerados fundamentais para atender ao crescimento populacional e à integração metropolitana do estado.

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