Linha 4 do Metrô completa dez anos operando abaixo da capacidade projetada
Trecho inaugurado para os Jogos Olímpicos de 2016 compreende 6 estações e liga Ipanema à Barra da Tijuca
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Inaugurada em 30 de julho de 2016, às vésperas dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, a Linha 4 do MetrôRio completa hoje uma década de operação, mas ainda distante da demanda prevista durante seu planejamento. Ligando as estações General Osório (2), em Ipanema, e Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca, a linha transporta atualmente cerca de 101 mil passageiros por dia útil, volume equivalente a aproximadamente um terço da capacidade inicialmente estimada.
Apesar da ocupação inferior ao esperado, a Linha 4 é frequentemente apontada pelos usuários como um dos trechos mais confortáveis e rápidos da rede metroviária carioca.
Demanda ficou abaixo das projeções
Segundo dados apresentados pela concessionária MetrôRio, a ocupação média da Linha 4 gira em torno de 50% da oferta disponível, índice inferior ao registrado nas demais linhas do sistema. Enquanto a Linha 2 opera com aproximadamente 90% de ocupação média e a Linha 1 alcança cerca de 70%, o trecho entre Ipanema e Barra ainda apresenta significativa capacidade ociosa.
Especialistas atribuem esse cenário a uma combinação de fatores. Entre eles estão a superestimação da demanda durante a fase de planejamento, os impactos provocados pela pandemia de Covid-19, a consolidação do trabalho remoto e o crescimento do uso de aplicativos de transporte.
Outro aspecto frequentemente citado é a ausência da integração planejada entre o metrô e a rede de ônibus municipais.
Aqui no site Trilhos do Rio foi publicado recentemente um texto sobre o assunto, confira!
Presidente do MetrôRio defende expansão do sistema e integração tarifária
Integração prevista não foi plenamente implantada
De acordo com o presidente do MetrôRio, Guilherme Ramalho, os estudos que embasaram a implantação da Linha 4 consideravam uma ampla reorganização das linhas de ônibus que realizam trajetos semelhantes ao do metrô, medida que acabou não sendo implementada.
Além disso, a concessionária defende a adoção de uma política de integração tarifária mais abrangente entre os diferentes modos de transporte coletivo, acompanhada por uma política permanente de subsídios.
Segundo Ramalho, essas medidas poderiam aumentar significativamente a atratividade da Linha 4.
Estação São Conrado registra movimento inferior ao esperado
Um dos exemplos apontados é a estação São Conrado, que atende também à comunidade da Rocinha. Durante os estudos do projeto, previa-se que ela seria uma das mais movimentadas da linha. Na prática, entretanto, figura entre as estações de menor demanda de toda a rede metroviária.
Especialistas avaliam que a ausência de integração eficiente entre ônibus e metrô contribui diretamente para esse resultado.
A Secretaria Municipal de Transportes informou que uma revisão da rede de ônibus permanece em estudo, mas indicou que discussões mais amplas sobre reorganização do sistema deverão avançar após as eleições estaduais.
Usuários destacam conforto e rapidez
Embora a demanda permaneça abaixo das expectativas, muitos passageiros avaliam positivamente a operação da Linha 4.
Entre os principais pontos elogiados estão:
- menor tempo de viagem entre a Barra da Tijuca e a Zona Sul;
- maior conforto em comparação com outros trechos da rede;
- menor nível de lotação durante boa parte do dia;
- regularidade operacional.
Por outro lado, alguns usuários relatam redução na oferta de composições em determinados horários, especialmente no fim da tarde, quando parte da frota é remanejada para atender às Linhas 1 e 2, além do elevado valor da tarifa para quem não possui acesso à tarifa social.
Estação Gávea permanece parcialmente inacabada
Outro tema que ainda marca a história da Linha 4 é a situação da futura estação Gávea.
Originalmente concebida como parte do trajeto contínuo entre Antero de Quental, Gávea e São Conrado, a obra foi interrompida durante a crise financeira enfrentada pelo Estado do Rio de Janeiro, em meio a restrições orçamentárias e questionamentos sobre os custos do empreendimento.
Após um acordo firmado entre o Governo do Estado e o MetrôRio, as obras foram retomadas, mas em um formato reduzido.
A previsão atual contempla apenas a ligação entre Gávea e São Conrado, exigindo baldeação dos passageiros. O trecho entre Gávea e Antero de Quental permanece sem cronograma para execução.
Segundo informações divulgadas, aproximadamente 70% das escavações do túnel entre Gávea e São Conrado já haviam sido concluídas, com previsão de inauguração da estação em 2028.
Expansões futuras seguem em estudo
A retomada das obras da estação Gávea é vista pelo Governo do Estado como um sinal da retomada gradual dos investimentos na expansão da rede metroviária.
Entre os projetos em estudo está a futura Linha 3 do Metrô, que deverá conectar o Rio de Janeiro a Niterói, São Gonçalo e Itaboraí. Atualmente, encontram-se em desenvolvimento estudos de viabilidade técnica e econômica, ainda sem definição sobre o traçado definitivo ou cronograma de implantação.
Impacto urbano
Além dos efeitos sobre a mobilidade, a implantação da Linha 4 também influenciou o desenvolvimento urbano da Barra da Tijuca, especialmente no entorno da estação Jardim Oceânico. Segundo representantes do setor imobiliário, a presença do metrô contribuiu para a valorização dos imóveis e ampliou a atratividade da região para moradores e empreendimentos.
Mesmo operando abaixo da capacidade originalmente projetada, a Linha 4 consolidou-se como um importante eixo de ligação entre a Zona Sul e a Barra da Tijuca, permanecendo como uma das principais expansões da rede metroviária fluminense nas últimas décadas.
Com informações do Jornal O Globo
Imagem de capa: estação São Conrado, uma das menos movimentadas do sistema, registrada por Eric, Youtube (2021)
