Eleições 2026 no RJ: o que os planos de governo propõem para metrô, trens e VLT

Eleições 2026 no RJ: o que os planos de governo propõem para metrô, trens e VLT

Especial Trilhos do Rio reúne propostas de mobilidade dos candidatos ao Governo do Estado e mostra diferentes projetos para o transporte fluminense. Até a data de fechamento deste levantamento, a equipe não havia localizado versões oficiais dos planos de governo de Anthony Garotinho e Eduardo Paes que permitissem verificar documentalmente suas propostas de mobilidade.

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As eleições para o Governo do Estado do Rio de Janeiro colocam novamente a mobilidade entre os principais desafios para os próximos anos. Em uma Região Metropolitana marcada por longos deslocamentos, integração insuficiente entre diferentes meios de transporte e problemas recorrentes na operação ferroviária, as propostas para metrôs, trens, VLTs e outros sistemas de transporte de média e alta capacidade ganham importância especial para milhões de passageiros.

O Trilhos do Rio realizou este levantamento a partir dos planos de governo localizados no sistema de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais (DivulgaCandContas), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e de documentos oficiais disponibilizados pelas próprias candidaturas. A equipe analisou os documentos individualmente, concentrando-se nas propostas relacionadas ao transporte público e, especialmente, aos sistemas sobre trilhos e rigidamente guiados.

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O levantamento não atribui notas, não estabelece ranking e não recomenda qualquer candidatura. Seu objetivo é organizar as propostas encontradas nos documentos consultados, indicando projetos, metas, cronogramas e diretrizes apresentados pelas candidaturas e registrando também quando determinado documento não apresenta informações suficientes para responder a essas questões.

A análise não deve ser entendida como avaliação de viabilidade técnica, econômica ou jurídica dos projetos. Quando uma informação representa uma previsão ou meta estabelecida pelo próprio programa de governo, ela é apresentada como tal.

A análise a seguir inclui os planos de André Marinho (Novo), Coronel Busnello (Missão), Douglas Ruas (PL), William Siri (PSOL/Rede) Cyro Garcia (PSTU), Juliete Pantoja (UP) e o Luan Monteiro em programa nacional do PCO, apresentado como referência pela candidatura deste. A disputa pelo Governo do Estado tem nove candidaturas registradas, segundo levantamento publicado em agosto com base no DivulgaCandContas do TSE.

Como o levantamento foi realizado

Para elaborar este levantamento, o site Trilhos do Rio consultou os documentos de governo disponíveis no sistema de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), além de documentos oficiais disponibilizados pelas próprias candidaturas, quando disponíveis.

Foram consideradas exclusivamente propostas relacionadas à mobilidade, ao transporte público e, de forma prioritária, aos sistemas ferroviários, metroviários, VLT, monotrilho, bondes e outros sistemas rigidamente guiados. Também foram consideradas propostas de integração tarifária, gestão, concessões, infraestrutura e transporte aquaviário quando diretamente relacionadas à integração da rede de transporte.

O levantamento reproduz e organiza as propostas encontradas nos documentos consultados. Não foram atribuídas notas, pontuações ou avaliações de mérito às candidaturas. Quando uma proposta mencionada publicamente não pôde ser confirmada em documento oficial, ela não foi incorporada à análise principal

André Marinho propõe novo eixo sobre trilhos e integração metropolitana no Rio

O programa de governo de André Marinho (Novo) apresenta a mobilidade como um dos elementos estruturantes de sua proposta de reorganização territorial do Estado do Rio de Janeiro. O conceito central é o ArcoMM — Integrando os Municípios do Mar à Montanha, concebido não apenas como uma obra de infraestrutura, mas como um eixo de desenvolvimento econômico e urbano articulado ao transporte, às áreas produtivas e à ocupação do território.

No centro dessa estratégia está o chamado Grande Anel Multimodal, planejado para conectar os 145 quilômetros do Arco Metropolitano aos principais eixos rodoviários, aeroportos, portos e sistemas de transporte da Região Metropolitana. Entre as estruturas previstas está um Monotrilho Suspenso, também denominado Metrô Aéreo, com implantação inicialmente prevista ao longo de 60 quilômetros do Arco. O programa propõe que o sistema tenha função de transporte de massa, mas também seja integrado a redes de segurança, comunicação, energia e saneamento. Grandes Hubs de Integração seriam instalados ao longo do traçado, conectando o monotrilho aos sistemas metroviários e ferroviários existentes.

O programa utiliza como referência o monotrilho de Chongqing, na China, e atribui também ao projeto uma função turística, aproveitando a paisagem e a topografia da Serra do Mar. A proposta considera justamente a geografia fluminense um elemento para orientar a solução tecnológica: segundo o documento, o sistema suspenso permitiria superar obstáculos topográficos que dificultariam a implantação de alternativas convencionais de metrô ou BRT.

Outro projeto ferroviário de destaque é o Corredor Pavuna–Arco, do Mar à Montanha, definido pelo programa como seu “Projeto Âncora”. A proposta prevê um sistema de transporte de alta capacidade classificado como VLT/Metrô Leve, com mais de 20 quilômetros de extensão e 22 estações, atravessando cinco municípios da Baixada Fluminense ligando o bairro da Pavuna às proximidades do Arco Metropolitano, rodovia que interliga diversos municípios da Baixada Fluminense e do Leste Metropolitano. O objetivo declarado é ampliar o acesso da população ao transporte de alta capacidade e, simultaneamente, utilizar as estações como polos de desenvolvimento urbano, emprego, serviços e habitação. O projeto prevê planejamento do uso do solo no entorno das estações, incluindo adensamento planejado e reserva de áreas para habitação de interesse social.

A integração também aparece como elemento central. O novo corredor deverá ter conexão física com ônibus municipais, BRT e a malha ferroviária remanescente, além de integração tarifária ao Bilhete Único Metropolitano. O programa prevê que a implantação seja realizada por meio de parceria público-privada, associada à captura da valorização imobiliária produzida pelas novas estações.

Entre as metas estabelecidas para 2027–2030 estão beneficiar 3,7 milhões de pessoas ao longo do eixo e concluir as 22 estações até 2030. O próprio documento, entretanto, ressalva que algumas metas dependem de confirmação por estimativas técnicas. Além dos novos projetos, André Marinho propõe uma estratégia denominada “Mobilidade Metropolitana — Recuperar e Expandir”, na qual a recuperação da infraestrutura existente aparece como prioridade anterior à expansão da rede. O programa prevê renovação da frota e requalificação de estações ferroviárias, inicialmente em Senador Camará, Belford Roxo e Japeri, além da recuperação e modernização do BRT. A proposta estabelece como meta melhorar a confiabilidade da malha ferroviária e reduzir o tempo médio de deslocamento metropolitano.

Paralelamente, o programa prevê apoio à expansão do metrô, incluindo a Linha 3 entre Praça XV, Niterói e São Gonçalo, com 21,7 quilômetros e 15 estações. O cronograma apresentado prevê avanço dessa obra entre 2028 e 2029. A estratégia ferroviária, portanto, combina três frentes diferentes: recuperação dos serviços existentes, expansão do metrô e implantação de novos sistemas de média e alta capacidade associados ao ArcoMM.

A integração não aparece apenas como uma característica das obras propostas. O programa dedica um capítulo específico à criação de uma Autoridade Metropolitana de Mobilidade, que teria a função de planejar, integrar e fiscalizar os diferentes sistemas. A estrutura proposta reuniria sob uma mesma coordenação trem, metrô, ônibus, BRT, vans e barcas, com uma central integrada de dados e operação. O programa também prevê revisão e repactuação dos contratos de concessão, estabelecimento de metas de qualidade e fiscalização unificada. Na área tarifária, a proposta é universalizar o Bilhete Único Metropolitano, permitindo integração entre os diferentes modais. O documento cita como referência o Oyster Card, de Londres, e estabelece como meta reduzir as baldeações sem integração e o custo médio dos deslocamentos multimodais.

Também está prevista a criação de um aplicativo estadual com informações de transporte em tempo real e um Passe Livre destinado a jovens em formação técnica.

No programa de André Marinho, a mobilidade está diretamente vinculada à política de desenvolvimento econômico. As chamadas Cidades Vocacionadas, planejadas ao longo do ArcoMM, seriam conectadas aos Hubs de Integração e ao eixo de transporte. A proposta pretende integrar áreas industriais, centros logísticos, portos e aeroportos à rede de transporte, conectando o território ao Galeão, Porto do Rio e Porto de Itaguaí, além dos principais eixos rodoviários. Dessa forma, o programa apresenta os investimentos sobre trilhos não apenas como soluções para deslocamento de passageiros, mas como instrumentos de reorganização urbana, geração de empregos e indução de novos polos econômicos.

Para as eleições de 2026, o documento de André Marinho coloca, portanto, uma combinação de VLT/Metrô Leve, monotrilho suspenso, recuperação ferroviária, expansão do metrô e integração tarifária entre os principais elementos de sua política de mobilidade. O programa estabelece propostas, metas e cronogramas para o período 2027–2030, cabendo ao eleitor conhecer seu conteúdo e avaliá-lo segundo seus próprios critérios.

Douglas Ruas propõe integração entre metrô, trens, VLT, BRT e ônibus no Rio

O programa de governo de Douglas Ruas (PL) apresenta a mobilidade como uma das áreas estratégicas para reduzir os tempos de deslocamento no Estado do Rio de Janeiro, especialmente na Baixada Fluminense e no Leste Metropolitano. O documento propõe novos corredores de transporte, expansão do sistema metroviário, integração entre diferentes modais e modernização da bilhetagem, além de reforçar a fiscalização dos serviços concedidos pelo Estado. Entre as propostas diretamente relacionadas ao transporte sobre trilhos, o programa destaca a continuidade do projeto da Linha 3 do metrô, cuja implantação dependeria da finalização do projeto e da captação dos recursos necessários. A proposta é apresentada dentro de uma estratégia mais ampla de criação de corredores de alta capacidade capazes de reduzir os tempos de viagem e organizar o transporte intermunicipal.

O programa identifica a Baixada Fluminense e o Leste Metropolitano como regiões com alguns dos maiores tempos de deslocamento do estado. Para enfrentar esse cenário, prevê novos corredores de mobilidade e maior aproveitamento da infraestrutura existente. Na Baixada, está previsto um novo corredor viário de alta capacidade, conectando Duque de Caxias, Belford Roxo, Nilópolis, Mesquita e São João de Meriti, com faixa exclusiva, estações acessíveis e requalificação urbana no entorno. Embora seja apresentado como corredor viário, o projeto faz parte de uma estratégia de transporte coletivo de maior capacidade, articulada à reorganização das linhas de ônibus intermunicipais. O plano prevê que essas linhas tenham função alimentadora dos corredores existentes, reduzindo sobreposições e buscando melhorar a eficiência do sistema.

Para o metrô, a principal proposta mencionada no trecho analisado é acompanhar a finalização do projeto da Linha 3 e captar recursos para sua implementação, ampliando a oferta de transporte de alta capacidade no Leste Metropolitano.

A integração tarifária ocupa posição central no programa. Douglas Ruas propõe revisar e modernizar a bilhetagem única estadual para promover integração progressiva entre metrô, trens, barcas, BRT e ônibus intermunicipais. A proposta pretende estabelecer uma rede integrada em escala estadual, com critérios de sustentabilidade financeira e responsabilidade fiscal. O programa também prevê uma plataforma digital de mobilidade, reunindo informações em tempo real sobre rotas, horários, conexões, tempos de espera e condições dos serviços. Outra medida prevista é a expansão gradual da integração tarifária para os principais polos regionais do Estado. O documento ainda propõe isenção para viagens de cuidado nos sistemas estaduais, permitindo a combinação de ônibus intermunicipais, trens, metrô e barcas por mulheres de baixa renda responsáveis por crianças, idosos ou pessoas com deficiência.

O programa dedica atenção significativa à gestão das concessões de transporte. A proposta parte do princípio de que a concessão de um serviço público não eliminaria a responsabilidade do Estado pela fiscalização. Para trens, metrô, ônibus e vans intermunicipais, o plano prevê monitoramento permanente de indicadores como pontualidade, regularidade, velocidade operacional e qualidade do atendimento. Também estão previstas transparência dos resultados por meio de um painel aberto ao cidadão, cobrança das obrigações contratuais, renovação de frota, modernização da infraestrutura e aplicação de penalidades quando cabíveis.

No sistema de barcas, a proposta prevê cobrança das obrigações contratuais relacionadas à pontualidade, regularidade das travessias e redução de cancelamentos, além da modernização dos terminais aquaviários. A acessibilidade, iluminação, organização operacional e videomonitoramento estão entre os itens mencionados.

A acessibilidade e a segurança dos passageiros também aparecem entre as propostas para os sistemas de transporte. O programa estabelece que estações e terminais sejam mantidos como estruturas seguras e acessíveis, com iluminação, câmeras, comunicação de emergência, elevadores e rampas em funcionamento. O documento prevê ainda atendimento capacitado e prioritário para mulheres, passageiros com crianças, idosos e pessoas com deficiência, com intervenções prioritárias nos locais considerados mais inseguros.

Uma proposta específica é a criação de um protocolo único de prevenção e atendimento à violência contra a mulher em trens, metrô, barcas, ônibus intermunicipais e terminais estaduais. O protocolo incluiria informações visíveis sobre como solicitar ajuda, procedimentos para acolhimento e registro das ocorrências, acionamento da segurança e encaminhamento à rede de proteção.

O conjunto das propostas apresentadas por Douglas Ruas combina expansão do transporte de alta capacidade, integração tarifária, reorganização dos ônibus intermunicipais e fiscalização das concessões. No transporte sobre trilhos, a principal obra mencionada no trecho analisado é a Linha 3 do metrô, enquanto os trens aparecem principalmente no contexto da integração tarifária, fiscalização, renovação de frota e modernização da infraestrutura. A concepção apresentada no programa procura tratar metrô, trens, barcas, BRT e ônibus como partes de uma mesma rede, com integração progressiva de tarifas, horários, informações e conexões físicas. A proposta também associa os investimentos em mobilidade à melhoria dos corredores metropolitanos e à redução dos tempos de deslocamento.

Coronel Busnello propõe recuperação dos trens, expansão do metrô e novos VLTs no Rio

O programa de governo de Coronel Busnello (Missão) apresenta o transporte público sobre trilhos como um dos principais elementos para enfrentar os problemas de mobilidade da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O diagnóstico apresentado pelo candidato aponta longos tempos de deslocamento, precariedade da infraestrutura ferroviária e dependência excessiva do transporte rodoviário em áreas como a Baixada Fluminense e o Leste Metropolitano. A proposta estabelece como diretriz que o trem metropolitano seja a espinha dorsal do sistema de transporte, combinando recuperação da infraestrutura com mudanças no padrão de operação e gestão.

O programa dedica um capítulo específico à reestruturação do sistema ferroviário e à adoção de um “padrão de metrô de superfície”. Antes da implantação de novas expansões, a prioridade seria concluir obras consideradas relevantes e recuperar a infraestrutura existente. Entre as intervenções citadas estão as estações Carioca e Praça XV, relacionadas à Linha 2 a partir do Estácio, além das obras da Gávea e do Morro de São João, no eixo Rio Sul. O programa também prevê um plano de recuperação física da rede ferroviária, com cerca de 300 quilômetros, envolvendo 55 novos trens, priorizando a Baixada Fluminense, modernização da sinalização, redução dos intervalos para seis minutos nos horários de pico, recuperação da via permanente, atualização dos sistemas elétricos e requalificação das 104 estações.

A acessibilidade também aparece como uma questão prioritária. O documento estabelece a recuperação das estações e equipamentos existentes e prevê fiscalização do contrato de operação ferroviária pela Secretaria de Estado de Transportes e Mobilidade, além da preparação de estudos para o próximo ciclo de concessão, com metas mais rigorosas de desempenho e integração.

Para ampliar a capacidade de transporte no Leste Metropolitano, o programa propõe retomar, em duas etapas, a expansão do sistema metroviário. A primeira prevê a extensão da Linha 2 até a Estação Arariboia, em Niterói. Na sequência, seria implantado o Programa Linha 3, ligando Niterói a São Gonçalo.

A retomada desses projetos, segundo o documento, dependeria inicialmente de uma auditoria do processo licitatório que se encontrava suspenso pelo TCE-RJ.

Na Baixada Fluminense, a proposta é diferente: o programa prevê a implantação do VLT Baixada, entre Pavuna e Nova Iguaçu, utilizando aproximadamente 12,6 quilômetros de leito ferroviário desativado. O projeto seria complementado por dois corredores de BRT: um conectando Duque de Caxias, São João de Meriti, Belford Roxo, Mesquita e Nilópolis; e outro acompanhando a RJ-106 entre São Gonçalo e Maricá.

Os projetos seriam estruturados por concessões ou parcerias público-privadas e teriam integração tarifária com a rede metropolitana.

Embora não seja um modal ferroviário, o transporte aquaviário também ocupa espaço relevante na estratégia de mobilidade apresentada. O programa propõe um Anel Logístico Multimodal da Baía de Guanabara, com novas rotas de ferry-boats para passageiros e cargas e catamarãs de alta frequência.

Estão previstos terminais em Gradim, em São Gonçalo, Duque de Caxias, Magé e Ilha do Governador, com integração física e tarifária aos demais sistemas. A proposta pretende reduzir a pressão sobre a Ponte Rio-Niterói e sobre os corredores rodoviários, além de criar uma ligação aquaviária direta entre São Gonçalo e a capital. O programa estabelece como meta transportar 50 mil passageiros por dia e retirar aproximadamente 15 mil caminhões mensais das rodovias. O investimento inicial estimado varia entre R$ 400 milhões e R$ 550 milhões, com possibilidade de concessão ou PPP.

A integração tarifária é tratada como um capítulo específico do programa. O documento identifica a existência de diferentes sistemas de bilhetagem na Região Metropolitana e afirma que a ausência de integração plena aumenta o custo percebido pelo passageiro e dificulta a utilização combinada dos diferentes modais.

A proposta é promover a integração da bilhetagem e a harmonização dos horários entre trens, metrô, BRT, VLT e ônibus, mediante cooperação entre o Estado e os municípios. A intenção é estabelecer regras comuns para transferência tarifária e sincronização dos horários, priorizando os terminais com maior volume de integração intermodal.

A proposta, portanto, não se limita à construção de novas linhas: busca organizar os sistemas existentes para que funcionem de maneira mais integrada.

A política de mobilidade se estende ainda para outras regiões do estado. Na Região dos Lagos, o programa prevê o Ferry Boat da Lagoa de Araruama, criando uma rede aquaviária intermunicipal entre as cidades situadas no entorno da lagoa. O sistema teria integração tarifária com o transporte terrestre regional.

De maneira geral, o programa de Coronel Busnello articula recuperação da malha ferroviária, novos trens, expansão do metrô, VLT, BRT, barcas e integração tarifária e operacional. O transporte sobre trilhos aparece como eixo estruturante da mobilidade metropolitana, enquanto os demais modais são apresentados como componentes de uma rede integrada de transporte público.

William Siri propõe reestatização dos trens, Tarifa Zero e expansão do metrô no Rio

O programa de governo de William Siri (PSOL/Rede) para o Governo do Estado do Rio de Janeiro apresenta uma proposta de forte ampliação da participação do poder público na gestão da mobilidade. O documento prevê mudanças institucionais, revisão dos contratos de concessão, reestatização do sistema ferroviário metropolitano e uma política de integração entre trens, metrô, ônibus, BRT, VLT, barcas e outros modos de transporte.

Na estrutura de gestão, o programa propõe a criação de uma Empresa Pública de Transporte e Mobilidade, responsável por planejar, gerir e fiscalizar os diferentes sistemas sob responsabilidade estadual. A nova empresa substituiria estruturas como DETRO, Agetransp, CENTRAL e Rio Trilhos. O plano também prevê auditorias periódicas dos contratos, das operações e da bilhetagem, além da divulgação em dados abertos de informações financeiras, contratos, trajetos e demais dados do sistema estadual.

O principal eixo relacionado ao transporte sobre trilhos é a proposta de reestatização do sistema ferroviário metropolitano, com transferência integral da operação, manutenção e gestão para a nova empresa pública. O programa estabelece como objetivos a ampliação da frequência dos trens, redução dos intervalos, aquisição de novas composições e recuperação estrutural das estações.

Entre as medidas previstas estão um plano estadual de combate ao furto de cabos, com substituição progressiva da rede por fiação subterrânea protegida, reforço da segurança e monitoramento por câmeras. O programa também propõe a eletrificação imediata dos ramais de Guapimirim e Vila Inhomirim, atualmente operados com tração a diesel.

A proposta ferroviária inclui ainda reforma e requalificação das estações, com acessibilidade, iluminação, sinalização e serviços públicos. Para a operação, o plano prevê manutenção contínua dos trens, climatização, higiene, segurança e ampliação da grade horária para atender trabalhadores noturnos e estudantes. Também está prevista a criação de mais serviços expressos entre regiões periféricas e o centro da capital.

O documento propõe ainda resgatar e expandir a malha ferroviária estadual para passageiros e cargas, buscando conectar as diferentes regiões do Rio de Janeiro. Também prevê rever os estudos da ferrovia EF-118 Rio–Vitória, de modo a contemplar o transporte de passageiros.

No metrô, o programa estabelece como prioridade a conclusão da ligação Estácio–Carioca, da Linha 2, além do planejamento de novas conexões. Entre elas estão a Linha 3, entre o centro da capital e Itaboraí, e a Linha 6, ligando a Zona Norte à Baixada de Jacarepaguá.

Outro eixo é a expansão do metrô para a Baixada Fluminense, com estudos para prolongar a Linha 2 a partir da Pavuna em direção a São João de Meriti, Belford Roxo, Duque de Caxias e Nova Iguaçu. A proposta determina que essas extensões sejam planejadas de forma integrada aos trens, ônibus e demais modos de transporte metropolitanos.

A integração tarifária ocupa espaço central no programa. William Siri propõe um Bilhete Único Estadual Integrado, administrado conjuntamente pelo Estado e pelos municípios, abrangendo ônibus, BRT, VLT, metrô, trens, barcas, vans e bicicletas. O plano prevê ampliar o tempo de integração e tornar gratuita a transferência entre trem e metrô, além de criar modalidades de assinatura diária, semanal, quinzenal e mensal, com utilização ilimitada dos transportes durante o período contratado. A política tarifária tem como objetivo final a Tarifa Zero no transporte público estadual. Para os trens, a gratuidade seria implantada após a reestatização, com financiamento pelo Fundo Estadual de Transporte e prioridade inicial para regiões de maior fluxo e menor renda. O programa também prevê redução progressiva das tarifas de ônibus, metrô e barcas e ampliação do passe livre universitário no transporte intermunicipal.

O programa prevê ampliar o transporte hidroviário, com novas linhas de barcas em São Gonçalo, Ilha do Governador, Ilha do Fundão, Baía da Ilha Grande e Baixada Fluminense, integradas aos demais modais. No transporte por ônibus, propõe reorganização da rede intermunicipal e eletrificação progressiva da frota. Também estão previstos corredores prioritários de transporte público e a recuperação do Bondinho de Santa Teresa, com tarifa popular, recuperação do trajeto histórico e possível expansão da malha. A integração com a mobilidade ativa aparece na previsão de bicicletários gratuitos em estações de trem, metrô e terminais de ônibus, áreas para transporte de bicicletas nos trens, metrô e barcas e expansão de ciclovias conectadas à rede de transporte coletivo.

O programa completa sua estratégia com a criação de um Laboratório de Inovação para a Mobilidade, destinado à produção e análise de dados e ao desenvolvimento de soluções tecnológicas para o transporte público estadual.

Cyro Garcia propõe revogação das privatizações dos Trens e do Metrô e expansão da malha metroferroviária

O programa de governo de Cyro Garcia (PSTU) para o Governo do Estado do Rio de Janeiro apresenta uma política de transportes baseada na ampliação do controle público sobre os sistemas de mobilidade e na priorização do transporte sobre trilhos como eixo estruturante da mobilidade urbana. As propostas incluem a revogação das privatizações da SuperVia, atualmente administrada pela permissionária TrensRJ, e do MetrôRio, a expansão da malha metroferroviária e mudanças na política tarifária.

Para o sistema ferroviário e metroviário, o programa defende a revogação das privatizações dos Trens e do Metrô, sem indenização às empresas, com transferência da gestão para um modelo sob controle dos trabalhadores do setor e da população usuária. A proposta é acompanhada da defesa de auditorias públicas dos contratos de concessão e da apuração de eventuais responsabilidades relacionadas a desvios e corrupção.

O documento apresenta como justificativa uma crítica ao modelo de concessão atualmente utilizado no transporte sobre trilhos. Segundo o programa, investimentos de grande porte em infraestrutura permanecem vinculados ao patrimônio público, enquanto a operação privada concentra os resultados financeiros. O texto cita especificamente a relação entre a infraestrutura associada à Rio Trilhos e a operação do MetrôRio.

A proposta ferroviária não se limita à reversão das concessões. O PSTU defende a elaboração de um plano de ampliação da malha metroferroviária, estabelecendo o transporte sobre trilhos como a “espinha dorsal” da mobilidade urbana. O programa, entretanto, não detalha quais linhas, ramais ou extensões seriam prioritários, nem apresenta cronograma ou estimativas de investimentos para essa expansão.

Na questão tarifária, o programa utiliza como referência modelos de transporte público subsidiados pelo poder público em outras capitais brasileiras. A proposta é ampliar a participação estatal no financiamento do sistema para permitir tarifas mais baixas, mantendo a capacidade de atendimento aos passageiros. O documento não estabelece um valor específico para as tarifas ferroviárias ou metroviárias.

O programa também propõe a estatização dos serviços de barcas e ônibus municipais, ampliando a proposta de controle público para outros segmentos da mobilidade. Para esses sistemas, são defendidas tarifas sociais e a criação de passe livre para pessoas desempregadas, como parte de um processo que teria como horizonte a implantação da Tarifa Zero.

Embora o texto concentre sua abordagem nos sistemas de transporte coletivo e na propriedade e gestão dos serviços, há poucas especificações sobre integração modal e tarifária entre trem, metrô, ônibus e barcas. Não são apresentados, por exemplo, um novo modelo de bilhete único, regras de integração entre diferentes modos ou propostas detalhadas para integração física entre terminais e estações.

A mobilidade urbana é, portanto, abordada principalmente a partir de três eixos: controle público dos sistemas de transporte, prioridade aos trilhos e redução das tarifas por meio de subsídios públicos. No transporte ferroviário e metroviário, a proposta central é substituir as atuais concessões privadas por um modelo de gestão sob controle de trabalhadores e usuários, acompanhado de auditorias e expansão da rede.

O programa de Cyro Garcia também se diferencia pela extensão da proposta de estatização para outros meios de transporte coletivo. Além dos trens e do metrô, inclui as barcas e os ônibus municipais, associando a mudança na gestão à adoção de tarifas sociais, passe livre para desempregados e, progressivamente, à Tarifa Zero.

Em termos de planejamento, o documento apresenta diretrizes gerais para o transporte sobre trilhos, mas não detalha projetos específicos de expansão, localização de novas linhas, investimentos previstos ou metas quantitativas. A principal diretriz é estabelecer a rede metroferroviária como eixo estruturante da mobilidade urbana do Rio de Janeiro, com maior participação pública no financiamento, gestão e definição das políticas de transporte.

PCO, com Luan Monteiro como candidato, apresenta propostas gerais de transporte público

Diferentemente dos planos mais detalhados em projetos territoriais, o documento adota uma estrutura nacional de reivindicações, o Programa do PCO para as eleições de 2026, e não apresenta, no trecho ferroviário localizado, um projeto específico de metrô, VLT ou corredor ferroviário para o Estado do Rio. Luan Monteiro será o candidato do PCO às eleições para o Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Entre as propostas gerais estão o passe livre nos transportes para desempregados e trabalhadores da economia informal e reivindicações relacionadas à estatização dos serviços públicos. Assim, sua contribuição para esta análise aparece mais como uma orientação geral de política de transporte do que como um catálogo de obras ferroviárias estaduais.

Juliete Pantoja propõe controle estatal dos trens e metrôs, redução de tarifas e expansão da rede

O programa de governo de Juliete Pantoja (UP – Unidade Popular pelo Socialismo) para o Governo do Estado do Rio de Janeiro apresenta propostas voltadas principalmente à ampliação do controle estatal sobre os transportes sobre trilhos, à redução das tarifas e à expansão das redes ferroviária e metroviária. O documento também prevê medidas de integração tarifária e ampliação do acesso ao transporte público para estudantes.

Para os sistemas de trens e metrôs, a principal diretriz é estabelecer uma administração estatal com controle popular. O programa não detalha o formato institucional ou operacional desse modelo, mas estabelece a transferência da gestão dos sistemas para uma estrutura de administração estatal com participação popular.

Na política tarifária, a proposta estabelece uma redução de 50% das passagens em todos os transportes a partir de janeiro de 2027. O programa não especifica, no documento apresentado, como seria financiada essa redução ou quais mecanismos seriam utilizados para compensar os custos de operação dos sistemas.

A integração entre diferentes meios de transporte aparece por meio da proposta de implementação de uma Política de Bilhete Único Intermodal e Intermunicipal. O documento, entretanto, não apresenta detalhes sobre os modais abrangidos, regras de integração, tempo de validade, valores ou modelo de governança do sistema. O programa também prevê a criação de passe-livre intermunicipal para estudantes de todas as séries e etapas de ensino, incluindo estudantes de instituições públicas de ensino superior. A medida amplia o foco da política de mobilidade para além dos deslocamentos metropolitanos e associa o transporte público ao acesso à educação.

Na expansão da infraestrutura ferroviária e metroviária, Juliete Pantoja propõe ampliar a malha por meio de frentes emergenciais de trabalho e do fortalecimento da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (EMOP). O texto não apresenta, porém, uma relação de novos ramais ou linhas, nem estabelece cronograma, extensão prevista ou estimativa de investimentos para essa expansão. Entre as metas territoriais destacadas está a proposta de levar o metrô à Baixada Fluminense, Niterói e São Gonçalo. Para a rede ferroviária existente, a principal medida operacional mencionada é a redução dos intervalos de circulação dos trens urbanos. A proposta busca, portanto, aumentar a oferta de viagens e reduzir o tempo de espera dos passageiros, embora o documento não estabeleça metas quantitativas para a frequência dos serviços.

As propostas apresentadas concentram-se, assim, em quatro frentes principais: administração estatal dos trens e metrôs, redução das tarifas, integração intermodal e expansão da infraestrutura de transporte sobre trilhos. O programa associa a ampliação da oferta metroferroviária à redução dos custos para os passageiros e à criação de mecanismos específicos de gratuidade para estudantes.

No campo da integração modal e tarifária, a proposta de Bilhete Único Intermodal e Intermunicipal constitui a principal diretriz, mas o documento não detalha sua operacionalização.

Em síntese, o programa de Juliete Pantoja estabelece uma orientação de maior presença estatal nos transportes sobre trilhos, combinada com redução tarifária, gratuidade estudantil, integração intermunicipal e expansão das redes de metrô e ferrovia.

E Eduardo Paes e Anthony Garotinho?

Um aspecto importante desta análise é justamente aquilo que não está no texto. A documentação analisada pela equipe Trilhos do Rio e publicada aqui foi produzida sem os planos de governo de Eduardo Paes e Anthony Garotinho, dois dos nomes mais conhecidos da disputa.

Na consulta realizada pela equipe ao sistema DivulgaCandContas e aos canais oficiais das candidaturas realizadas para esta matéria, está confirmado que ambos estão entre os candidatos registrados para o Governo do Estado em 2026. Entretanto, não localizamos nas mídias oficiais (no sistema Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais (DivulgaCandContas), disponibilizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE)), nas buscas abertas realizadas e nem mesmo nos sites dos candidatos uma versão oficial de seus respectivos planos de governo de 2026 que pudesse ser incorporada com segurança a este levantamento. Em um site e mídias sociais de uma agência de notícias, no entanto, foram divulgadas informações que teriam sido publicadas no site do TSE em agosto de 2026, porém neste momento estas informações estão indisponíveis ou inexistentes.

Abaixo, registramos separadamente informações que foram divulgadas por terceiros como sendo integrantes desses programas, mas que não puderam ser verificadas, no momento da elaboração deste especial, em uma versão oficial dos respectivos planos registrada ou disponibilizada pelas candidaturas.

Eduardo Paes (PSD):

  • Iniciar as obras da Linha 3 do Metrô até o fim do mandato, ligando Niterói, São Gonçalo e Itaboraí;
  • Expandir o sistema de BRT por toda a Baixada Fluminense;
  • Possibilitar mais transparência na bilhetagem e nos custos das passagens dos ônibus intermunicipais;
  • Colocar o sistema de trens no padrão do atual sistema BRT da cidade do Rio de Janeiro
  • Transparência nos custos das passagens;

Anthony Garotinho (Republicanos):

  • Atualizar os estudos da Linha 3 e de outras expansões metroviárias, mas as obras somente avançarão com projeto, licenciamento e recursos definidos;
  • Priorizar a integração regional de transportes, com expansão do sistema de Barcas e projetos viários;
  • Reestruturar o Bilhete Único Intermunicipal, ampliar a integração e simplificar o acesso aos benefícios da tarifa estudantil, para idosos e PCDs;
  • Recuperar o sistema ferroviário, com metas de regularidade, intervalos, climatização, acessibilidade e segurança, priorizando o trechos mais degradados;
  • Expansão das Barcas para São Gonçalo, Magé e Ilha do Governador (Cocotá e Galeão);
  • Auditoria dos sistemas de dados estipulando metas para as concessionárias e indicadores de tempo, lotação, regularidade, seguranças, custos e emissões de poluentes, conforme o caso;

IMPORTANTE: Essas informações não integram a análise comparativa dos planos de governo realizada pelo Trilhos do Rio. Portanto, não serão atribuídas a Paes ou Garotinho propostas de metrô, trem, VLT ou qualquer outro modal sem documento oficial que permita sua verificação. A relação de candidaturas registrada em agosto inclui Paes, Garotinho, André Marinho, Coronel Busnello, Douglas Ruas, Cyro Garcia, Juliete Pantoja, Luan Monteiro e William Siri.

Essa ressalva é importante porque evita transformar declarações de campanha, entrevistas ou propostas anteriores em supostos compromissos de um eventual governo estadual.

O que o eleitor pode observar neste análise

Os planos analisados mostram que a mobilidade aparece sob diferentes perspectivas: há propostas de novas linhas de metrô, VLTs, recuperação ferroviária, eletrificação de ramais, monotrilho, integração tarifária, reestatização, PPPs e expansão da malha para diferentes regiões.

Também chama atenção a recorrência de um problema: a integração entre os sistemas existentes. Bilhetagem única, conexão física entre modais, sincronização operacional e fiscalização aparecem em diferentes documentos, indicando que a discussão eleitoral não está limitada à construção de novas linhas.

Este especial do site Trilhos do Rio não pretende dizer ao eleitor qual proposta é melhor ou qual candidato deve receber seu voto. A função é mais simples — e, justamente por isso, importante: colocar os documentos em perspectiva, registrar o que foi efetivamente escrito pelos candidatos e permitir que a população possa consultar as propostas e formar sua própria avaliação sobre as diferentes candidaturas, pelo menos na área de mobilidade e transporte público, uma pauta importantíssima e que define as condições para o direito universal de ir e vir de todo cidadão.

À medida que novos documentos oficiais forem publicados ou versões atualizadas dos planos forem disponibilizadas, o levantamento poderá ser ampliado e outros conteúdos poderão ser produzidos. Para quem utiliza diariamente trens, metrô, VLT, ônibus, barcas ou outros meios de transporte, acompanhar essas propostas significa acompanhar também possíveis decisões que poderão afetar diretamente o deslocamento cotidiano de milhões de fluminenses entre 2027 e 2030.

Este é um trabalho especial do site Trilhos do Rio para as Eleições 2026, dedicado à informação pública sobre mobilidade e transportes no Estado do Rio de Janeiro.


Fonte: site do Tribunal Superior Eleitoral – TSE, Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais
Imagem de capa gerada aleatoriamente através de ferramentas de Inteligência Artificial

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