Conexão entre Bonde de Santa Teresa e Trem do Corcovado será retomada após 50 anos

Conexão entre Bonde de Santa Teresa e Trem do Corcovado será retomada após 50 anos

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✍️ Redação Trilhos do Rio, com informações d’O Globo
📅 05/10/2025
🕚 12h33
📷 O Globo

Depois de mais de meio século, o icônico Bondinho de Santa Teresa voltará a se conectar ao Trem do Corcovado, restaurando um elo histórico entre dois dos mais tradicionais meios de transporte sobre trilhos do Rio de Janeiro. O novo ramal Silvestre, que liga o Largo da Carioca à estação Silvestre, está em fase final de obras e deve iniciar testes operacionais ainda em outubro de 2025. A reinauguração oficial está prevista para o início de 2026, com um passeio inaugural para convidados, ainda sem data definida.

Uma história centenária sobre trilhos

Inaugurados em 1896, os bondes de Santa Teresa resistiram ao tempo e continuam sendo um símbolo do charme e da identidade do bairro. Após 12 anos de obras e interrupções, o trecho entre as estações Dois Irmãos e Silvestre está prestes a ser reativado, completando o circuito original do sistema. O ramal Silvestre estava desativado desde 2008, quando sofreu com furtos de cabos e deterioração estrutural. Além disso, em 2011 ocorreu um trágico acidente com o Bonde no trecho Dois Irmãos que paralisou o sistema até 2015, quando foram iniciadas medidas de modernização e readequação do material rodante e outras medidas de segurança.

A conexão com o Trem do Corcovado representa uma retomada de uma ligação histórica encerrada após a enchente de 1966. Na época, o acesso ao Silvestre — uma das paradas intermediárias da ferrovia inaugurada por Dom Pedro II em 1884 — foi interditado e nunca mais aberto ao público. Agora, a reativação permitirá que passageiros façam um trajeto turístico e cultural entre o centro do Rio, Santa Teresa e o Cristo Redentor, em um percurso que une história, natureza e mobilidade sustentável.

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Infraestrutura moderna e sustentabilidade

Segundo a Secretaria de Transportes e a CENTRAL, estatal responsável pela obra, o projeto recebeu cerca de R$ 70 milhões em investimentos. O trajeto total terá cinco quilômetros por sentido, e contará com nova iluminação em LED, redução de ruídos e trilhos de tecnologia semelhante à do VLT Carioca. O trecho final, de 300 metros, ainda aguarda a instalação dos trilhos.

De acordo com o engenheiro Ary Arruda Filho, diretor de Operações da Central, a meta é ter uma viagem completa até o Silvestre a cada hora. “O trecho também vai integrar os ramais Largo das Neves e Paula Mattos, oferecendo uma experiência completa tanto para moradores quanto turistas”, explicou.

Integração com o turismo e o meio ambiente

O ponto final do bonde, onde existia há muito tempo um Restaurante, na Avenida Almirante Alexandrino, fica próximo à trilha que leva ao Cristo Redentor, passando pela nascente do Rio Carioca — importante manancial histórico da cidade.

Conexão entre Bonde de Santa Teresa e Trem do Corcovado será retomada após 50 anos
Bonde de Santa Teresa e Trem do Corcovado no Silvestre –

O presidente do Trem do Corcovado, Sávio Neves, afirmou que o Silvestre será transformado em um polo turístico com restaurante, bar e até um pequeno hotel de oito quartos até o fim de 2026.

“Queremos que o visitante tenha uma experiência completa: do pôr do sol de Santa Teresa à vista do Cristo Redentor. Essa integração é um marco para o turismo carioca”, declarou Neves.

Desafios e perspectivas

Apesar dos avanços, ainda há desafios. O sistema opera atualmente com apenas oito dos 14 bondes previstos originalmente. Após o acidente de 2011, que resultou em sete mortes e dezenas de feridos, o governo reformulou completamente a operação, com novas normas de segurança e restrições — como a proibição de viagens de pé ou no estribo.

Hoje, os bondes transportam cerca de 2.200 passageiros aos fins de semana. A tarifa custa R$ 20, mas moradores cadastrados via Associação de Moradores de Santa Teresa (Amast) têm gratuidade. Segundo o presidente da entidade, Orlando Lemos, é essencial que a ampliação do serviço contemple também os residentes:

“O bondinho é parte da alma do bairro, mas não pode ser apenas turístico — precisa servir à população local.”

Com a retomada do ramal Silvestre, o bondinho de Santa Teresa reafirma seu papel como patrimônio vivo do Rio de Janeiro — símbolo de resistência, história e mobilidade sustentável.


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