A retirada dos equipamentos históricos da Estação Barão de Mauá chegou aos últimos capítulos?

A retirada dos equipamentos históricos da Estação Barão de Mauá chegou aos últimos capítulos?

Após anos de disputas judiciais, entraves técnicos e sucessivos cronogramas, CENTRAL contratou empresa para retirar bondes, locomotiva, carros/vagões e outros equipamentos da Leopoldina; operação, porém, ainda enfrenta questões de acesso à área

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A retirada dos equipamentos ferroviários históricos que permanecem na Estação Barão de Mauá, conhecida como estação Leopoldina, finalmente parece ter entrado em uma etapa que pode representar uma mudança de patamar em uma história que se arrasta há anos. Em julho de 2026, a Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística (CENTRAL) contratou uma empresa especializada e emitiu uma ordem de serviço para iniciar a remoção dos bens de sua propriedade. Mas os documentos mais recentes mostram que ainda é cedo para afirmar que a “novela” chegou aos últimos capítulos.

O Contrato nº 006/CENTRAL/2026, celebrado em 18 de julho, prevê a remoção, içamento, carregamento, transporte, descarregamento e posicionamento dos equipamentos atualmente localizados na Estação Barão de Mauá, com destino ao Complexo Ferroviário de Deodoro. A lista inclui cinco bondes históricos, uma locomotiva ALCO RS-3, um vagão Fueiro FNP, quatro carros TUE Série 400, dois guindastes ferroviários Plural e dois cofres de ferro, como noticiado aqui no site Trilhos do Rio, conforme link abaixo.

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Retirada de material rodante da estação Barão de Mauá/Leopoldina terá início com os antigos Bondes de Santa Teresa

Uma Ordem de Serviço foi emitida em 29 de julho e autorizou o início da execução contratual. Segundo a CENTRAL, o contrato prevê prazo estimado de até 30 dias para conclusão dos serviços, contados da emissão da ordem. A Companhia informou ainda que, antes do início da operação, foram previstos documentos técnicos como Plano de Movimentação, Plano de Rigging, Análise Preliminar de Riscos e Plano de Contingência, além de licenças, autorizações e seguros.

Uma obrigação que atravessa anos

A retirada dos equipamentos está relacionada ao cumprimento de decisões judiciais referentes à restauração e reestruturação física da Estação Barão de Mauá. O processo teve origem em uma Ação Civil Pública e posteriormente passou à fase de cumprimento provisório de sentença.

Ao longo do processo, a obrigação de desocupar áreas e retirar bens ferroviários passou a envolver locomotivas, vagões, bondes e outros equipamentos existentes no complexo. A própria CENTRAL registrou que obrigações originalmente impostas à Companhia, relacionadas à retirada de arquivos, móveis e material inservível e à instalação de proteção na fachada, haviam sido cumpridas, mas que posteriormente novas obrigações foram estabelecidas para a desocupação da área e retirada dos bens ferroviários.

A operação, entretanto, nunca foi considerada simples.

Em manifestações anteriores, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) apontou que a retirada do material rodante exigiria uma operação logística específica. O estado de conservação de alguns vagões poderia impedir seu transporte seguro, enquanto a ausência dos trilhos que anteriormente chegavam à estação eliminou uma alternativa de movimentação ferroviária.

Segundo a manifestação técnica reproduzida no processo, seria necessário avaliar a estabilização, limpeza e eventual desmontagem parcial de algumas composições, além da utilização de guindastes e carretas de grande porte e da definição prévia de uma rota adequada para o transporte. O próprio IPHAN alertou que uma movimentação sem estudos e restauração estrutural poderia provocar danos aos bens que se pretendia preservar.

Cronogramas e novos prazos

A dificuldade de encontrar uma solução definitiva levou o tema novamente ao centro do processo judicial em 2023. Após audiência realizada em 25 de setembro daquele ano, o juízo determinou que a CENTRAL e o Estado do Rio apresentassem um cronograma para o destino das aduelas, locomotivas e outros bens existentes na estação, com prazo até 30 de novembro.

O processo continuou, porém, sem que a retirada integral fosse efetivada.

Em maio de 2026, a situação ainda era marcada por incertezas. Documento de planejamento da CENTRAL classificava como “NÃO INICIADO” tanto a contratação emergencial para atendimento da sentença quanto a contratação da empresa responsável pela remoção dos bens de grande porte.

Naquele mesmo mês, a área de gestão patrimonial da Companhia chegou a solicitar prazo de 300 dias para a retirada, citando a complexidade da operação e retomando as dificuldades técnicas apontadas anteriormente pelo IPHAN.

A situação mudou nas semanas seguintes. Em junho, a CENTRAL registrou que pedidos de efeito suspensivo apresentados pelo Estado e pela própria Companhia não haviam sido acolhidos e que permaneciam válidas as determinações judiciais.

Em julho, finalmente, veio a contratação.

A operação começou, mas ainda há um obstáculo

A empresa Central de Logística Ltda. (COL), empresa criada em 2022 e contratada pela CENTRAL, comunicou formalmente em 29 de julho o início da desmobilização e da retirada dos equipamentos. O documento prevê uma operação gradual e tecnicamente coordenada, sob acompanhamento da fiscalização contratual.

Para realizar o trabalho, entretanto, a empresa precisava acessar o pátio da Leopoldina.

A CENTRAL solicitou à Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPar) autorização para que a equipe da COL realizasse, a partir de 31 de julho, uma avaliação das condições técnicas necessárias ao planejamento da retirada. A CCPar respondeu autorizando o acesso em 31 de julho, entre 8h e 16h, mas estabeleceu uma condição: naquele momento, a autorização destinava-se exclusivamente à avaliação logística e não permitia a entrada de guindastes ou a retirada de vagões.

Em manifestação posterior, a CENTRAL informou que a contratada vinha encontrando dificuldades para acessar integralmente a área necessária à retirada. Segundo a Companhia, o problema estaria impedindo a avaliação técnica prévia e o início efetivo das operações, com possíveis reflexos no cumprimento da determinação judicial.

A documentação, portanto, registra duas etapas distintas: a autorização inicial para avaliação e, posteriormente, a alegação da CENTRAL de que o acesso integral necessário à execução continuava sendo um obstáculo. Os documentos analisados não permitem concluir, neste momento, que a CCPar tenha sido judicialmente responsabilizada pelo eventual atraso.

Últimos capítulos?

A retirada dos equipamentos históricos da Estação Barão de Mauá chegou, sem dúvida, a um estágio diferente daquele observado nos anos anteriores. Pela primeira vez no conjunto documental analisado, existe uma contratação específica, uma ordem de serviço e uma empresa formalmente mobilizada para realizar a remoção.

Também existe um destino, e até mesmo trajeto, definido para os equipamentos: o Complexo Ferroviário de Deodoro. Sobre o percurso do material, em breve será publicado texto específico e detalhado sobre o assunto.

Porém, ainda não há comprovação documental de que os cinco bondes, a locomotiva ALCO RS-3, o vagão FNP, os carros TUE, os guindastes e os demais bens tenham sido efetivamente retirados da Leopoldina. O prazo estimado de 30 dias a partir da ordem de serviço coloca o fim de agosto de 2026 como horizonte contratual para a operação. Até lá, porém, será necessário verificar se o acesso à área foi integralmente resolvido, se as operações de içamento e transporte foram efetivamente realizadas e quais equipamentos deixaram a estação.

Depois de anos de decisões judiciais, estudos técnicos, pedidos de prazo e sucessivos cronogramas, a história finalmente chegou à fase em que a retirada deixou de ser apenas uma obrigação administrativa e passou a contar com uma operação contratada.

A documentação disponível até agora, contudo, ainda não permite escrever o último capítulo. Trilhos do Rio continua acompanhando os trâmites e trará mais informações assim que estas estiverem disponíveis.


Fonte: pesquisa realizada em documentos oficiais e analisadas através de ferramentas de Inteligência Artificial
Foto de capa (ilustrativa): estação Barão de Mauá em 2021 – Daddo Moreira

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