Firjan debate com MetrôRio expansão da rede metroviária e integração da mobilidade fluminense
Visita do presidente da federação ao Centro de Controle colocou em pauta a extensão da Linha 2 até a Praça XV, o prolongamento da Linha 4 e os estudos para uma futura Linha 3
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O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Luiz Césio Caetano, visitou na terça-feira (8) o Centro de Controle do MetrôRio, na região central da capital fluminense. Recebido pelo CEO da concessionária, Guilherme Ramalho, e por integrantes da diretoria da empresa, o dirigente conheceu as instalações responsáveis pelo acompanhamento da operação metroviária e participou de discussões relacionadas aos desafios da mobilidade urbana e aos projetos de expansão da rede.
O encontro ocorre em um momento em que a ampliação da infraestrutura de transporte de alta capacidade voltou a ocupar espaço importante no debate sobre o desenvolvimento da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Entre os temas discutidos estiveram a expansão da Linha 2, com a perspectiva de conexão entre Estácio, Carioca e Praça XV, a extensão da Linha 4 e os estudos relacionados à futura Linha 3, voltada para a integração do Leste Fluminense.
Segundo a Firjan, a reunião teve como um dos objetivos aproximar o setor produtivo das discussões sobre infraestrutura e mobilidade. Para a entidade, uma rede de transporte mais ampla e integrada pode contribuir para reduzir os tempos de deslocamento, melhorar o acesso a áreas de emprego e ampliar as condições para atração de investimentos no estado.
Expansão da Linha 2 pode aproximar o metrô da Praça XV
Uma das propostas destacadas durante a visita é a expansão da Linha 2 no trecho entre Estácio, Carioca e Praça XV. A iniciativa é particularmente relevante para a integração da rede metroviária com outros sistemas de transporte que atendem ao Centro do Rio.
Atualmente, a estação Carioca/Centro já funciona como um importante ponto de conexão com diferentes modos de transporte. O próprio MetrôRio informa que a estação permite o acesso às Barcas, enquanto Carioca/Centro também integra a rede ao VLT. A conexão entre diferentes sistemas no Centro é considerada estratégica para ampliar a eficiência dos deslocamentos metropolitanos.
A extensão até a Praça XV, portanto, representaria mais do que a criação de uma nova estação terminal. A proposta permitiria aproximar ainda mais o sistema metroviário do terminal das Barcas e de uma área que concentra atividades administrativas, comerciais, culturais e turísticas.
É importante, entretanto, diferenciar o projeto de uma obra em execução. A ligação Estácio–Carioca–Praça XV integra as propostas de expansão metroviária discutidas pelo poder público e pelo setor de mobilidade, mas não significa que todo o trecho esteja atualmente em obras ou tenha conclusão assegurada.
Linha 4 também aparece entre as prioridades
Outro eixo mencionado durante o encontro foi a extensão da Linha 4. Atualmente, a Linha 1/4 do MetrôRio liga Uruguai/Tijuca a Jardim Oceânico/Barra da Tijuca. A rede oficial da concessionária identifica Jardim Oceânico como ponto de integração com o BRT, o que torna qualquer prolongamento para a região oeste potencialmente relevante para a conexão entre os sistemas de alta capacidade.
A extensão da Linha 4 vem sendo discutida no contexto de um plano mais amplo de expansão da malha metroviária fluminense. Em 2025, a Prefeitura do Rio participou da apresentação de uma proposta que reunia justamente três grandes frentes: a ligação metroviária entre Estácio e Praça XV, a extensão da Linha 4 e a implantação da Linha 3. Na ocasião, o conjunto foi apresentado com estimativa de R$ 28,8 bilhões, 31 novas estações e 44 quilômetros adicionais de trilhos.
Esses números, porém, correspondem ao plano apresentado naquele momento e não devem ser interpretados como valor já contratado para execução das obras. A efetivação de projetos dessa dimensão depende de estudos, definição de traçados, modelagens técnicas e econômico-financeiras, licenciamento, estruturação institucional e obtenção dos recursos necessários.
Linha 3 ganha novos estudos para o Leste Fluminense
A terceira frente debatida na visita é a futura Linha 3 do metrô, um dos projetos de mobilidade mais antigos e controversos da Região Metropolitana do Rio. A proposta voltou a ganhar novos estudos técnicos nos últimos anos, especialmente por meio do Projeto PRISMA-RJ, desenvolvido por pesquisadores da COPPE/UFRJ.
Em 2026, a COPPE apresentou resultados do estudo que analisa uma ligação de alta capacidade envolvendo Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo e Itaboraí. A pesquisa considera uma linha com aproximadamente 50 quilômetros e 29 estações e procura avaliar não apenas a demanda de transporte, mas também os impactos urbanos e socioeconômicos que poderiam resultar da implantação do sistema.
O projeto, contudo, ainda se encontra no campo dos estudos e da estruturação técnica. A própria descrição do PRISMA-RJ indica que o trabalho envolve diagnóstico urbano e socioeconômico, modelagem de demanda, concepção da linha, avaliação econômico-financeira e preparação de elementos para uma futura estruturação de licitação.
Essa distinção é fundamental diante da longa história da Linha 3. O projeto já foi objeto de diferentes propostas ao longo das últimas décadas, com alterações de traçado, tecnologia, extensão e formas de financiamento. A retomada atual procura estabelecer uma base técnica mais consistente para avaliar sua viabilidade e seu papel dentro da rede metropolitana.
Em julho, por exemplo, o CREA-RJ registrou uma apresentação do andamento do Projeto PRISMA-RJ, que apontava uma estimativa de investimento de R$ 28,8 bilhões, aproximadamente 44 quilômetros de trilhos e 29 estações, com potencial de impacto sobre cerca de 1,7 milhão de pessoas. Esses números são referentes ao estudo em desenvolvimento e, portanto, podem sofrer alterações à medida que as análises avancem.
Mobilidade e desenvolvimento econômico
A presença da Firjan nas discussões sobre expansão metroviária está relacionada à visão da entidade de que infraestrutura de transporte e desenvolvimento econômico são questões diretamente conectadas. Para a federação, deficiências na mobilidade afetam a produtividade, aumentam o tempo gasto nos deslocamentos e podem dificultar a localização de empresas e trabalhadores.
A discussão faz parte de uma agenda mais ampla da Firjan relacionada ao estudo “Rio de Futuro: Vocações e Potencialidades Econômicas do Rio de Janeiro”, lançado pela entidade para identificar oportunidades e gargalos capazes de influenciar o desenvolvimento fluminense nos próximos anos. O documento é utilizado pela federação como referência para a formulação de propostas e debates com representantes do poder público e do setor produtivo.
A entidade vem defendendo a transformação de diagnósticos econômicos e territoriais em uma agenda de investimentos estruturantes. Em diferentes discussões realizadas ao longo de 2026, a mobilidade urbana aparece associada à competitividade regional, à infraestrutura logística e à capacidade de atração de novos empreendimentos.
Essa perspectiva ganha relevância especialmente na Região Metropolitana, onde grandes volumes de deslocamentos ultrapassam os limites municipais diariamente. Uma rede metroviária mais integrada pode reduzir a dependência do transporte individual e melhorar a conexão entre áreas residenciais, polos de emprego, universidades, centros comerciais e outros equipamentos urbanos.
Expansão depende de planejamento e recursos
A visita do presidente da Firjan ao Centro de Controle do MetrôRio colocou novamente em evidência projetos capazes de modificar significativamente a estrutura de transporte do estado. A ligação da Linha 2 com a Praça XV, o prolongamento da Linha 4 e a futura Linha 3 representam diferentes etapas de uma possível ampliação da rede de alta capacidade.
Ao mesmo tempo, a dimensão dos projetos exige que o debate seja acompanhado por estudos técnicos, planejamento integrado e definição clara das fontes de financiamento. A experiência histórica de propostas metroviárias no Rio demonstra que anunciar uma expansão é apenas uma das etapas de um processo muito mais complexo.
No caso da Linha 3, por exemplo, os estudos atuais representam uma tentativa de transformar uma proposta histórica em um projeto fundamentado em dados de demanda, planejamento territorial e avaliação econômico-financeira. A COPPE/UFRJ trabalha justamente nessa etapa de estruturação, enquanto diferentes órgãos públicos e instituições discutem o papel que a futura ligação poderia desempenhar na mobilidade metropolitana.
Para o setor produtivo, entretanto, o debate sobre infraestrutura não pode ser dissociado da necessidade de planejamento de longo prazo. A expansão do metrô, quando articulada aos trens metropolitanos, VLT, BRT, barcas e demais sistemas, pode contribuir para formar uma rede mais integrada e reduzir gargalos históricos da mobilidade fluminense.
A visita de Luiz Césio Caetano ao MetrôRio, portanto, representa mais um capítulo no esforço de aproximar as discussões sobre transporte, infraestrutura e desenvolvimento econômico. As propostas apresentadas ainda dependem de diferentes etapas para sair do campo do planejamento e chegar efetivamente às obras, mas recolocam a expansão da rede metroviária no centro da agenda de mobilidade do Rio de Janeiro.
Fonte (em negrito): Firjan; COPPE/UFRJ; Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro; MetrôRio.
Imagem de capa: Vinicius Magalhães
