Quem teria acabado com muitas ferrovias no Brasil?

Quem teria acabado com muitas ferrovias no Brasil?


Frequentemente publicamos textos respondendo a essa pergunta, já adianto a resposta. Não foi o FHC, não foi a bruxa má do Leste, não foi o E.T. de Varginha, não foi o Washington Luiz ou qualquer outro ser real ou mítico, a resposta correta é RFFSA, qualquer outra é pura especulação.

Antes de qualquer questionamento, aquele que questiona, viu algum dos balanços da RFFSA? Se não viu, por favor, ou aceite que dói menos ou interrompa aqui a leitura.

Vamos, pela enésima vez, tentar, por meio de uma comparação, mostrar o que aconteceu, e que cada um intérprete como achar melhor.

PUBLICIDADE


O Sr. “X” e sua empresa

Imaginemos que um determinado empresário “X” seja dono de uma transportadora que transporta produtos pesados. Tubulações, grandes máquinas.

Quem teria acabado com muitas ferrovias no Brasil?

Transporte típico de carretas como as da Scania ou da Volvo.

Acontece que, por motivos quaisquer, ele é obrigado a incorporar uma transportadora que usa caminhões menores da Mercedes-Benz. Uma transportadora que está com uma frota envelhecida, que precisa de investimentos para dar lucro, mas que tem boas rotas, consegue captar uma quantidade boa de produtos, nada a ver com os produtos transportados pelo Sr. “X”, e que está em constante prejuízo justamente pela ausência de investimentos. Uma frota sucateada que, devidamente reformada, poderia dar lucro.

Quem teria acabado com muitas ferrovias no Brasil?

Dentro da empresa do Sr. “X”, ele encontra resistência entre seus diretores para investir nessa nova empresa. O dinheiro é finito, e os diretores da empresa do Sr. “X” são contra qualquer aporte financeiro na nova empresa, preferem vê-la morrer.

E, por falta de investimentos, essa nova empresa morre com o tempo.

Deu para entender essa analogia? O que foi que aconteceu com a E.F. Leopoldina, quando passou para a administração da RFFSA, que era gerida essencialmente por egressos da EFCB?

Deu para entender?

E isso acontece com as outras empresas que passaram a fazer parte da RFFSA, nosso foco aqui é a E.F. Leopoldina por ser a maior, fora a EFCB.

Por sorte, a EFCB já se encontrava perto do Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais, que só foi descoberto no começo do século XX. Com a descoberta, foi necessário apenas construir ramais, tornando-a uma empresa próspera e influente.

Enquanto a E.F. Leopoldina decaia por conta das intromissões dos governos passados tabelando fretes. E isso é uma longa história.

Deu para entende que nunca houve uma interferência externa para deliberadamente destruir a E.F. Leopoldina?

Que foi tudo um conjunto de ações dos próprios funcionários da RFFSA?

Funcionários de primeiro segundo e terceiro escalão na maioria egresso da EFCB?


Os Adoradores da RFFSA

Ver em redes sociais como o Facebook, pessoas criando páginas sobre sentir saudades da RFFSA sem nunca ter trabalhado lá ou sem entender os motivos da debache do sistema ferroviário causado pela própria RFFSA, é insanidade.

Mas parece com a Síndrome de Estocolmo aplicada ao setor ferroviário.

Quem teria acabado com muitas ferrovias no Brasil?

E isso é péssimo para o retorno do setor, pois essas pessoas repetem sem discutir informações criadas para mascarar a incompetência de muitos que trabalhavam na RFFSA e que destruíram linhas inteiras sem pestanejar.

Essa exaltação a RFFSA sem questionar informações abre caminho para o aparecimento dos “especialistas”.

Quem são?

De onde vem?

Reflitam.


Imagem de capa: Locomotiva elétrica, classe 2-C+C-2, da RFFSA – Rede Ferroviária Federal S.A., desativada e abandonada no pátio de manobras da empresa em Jundiaí (SP), em novembro de 1996. Pouco tempo depois, aos pedaços, foi vendida como sucata. Foi fabricada nos Estados Unidos, pela General Electric, na década dos anos 1940. Foto de Fernando Picarelli Martins.

Veja também!

Deixe um comentário