VLT Carioca é eleito Melhor Operadora de VLT pela sexta vez no Prêmio Revista Ferroviária
Sistema carioca foi reconhecido na 33ª edição da premiação nacional, que reúne profissionais e empresas de diferentes segmentos do transporte sobre trilhos
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O VLT Carioca conquistou pela sexta vez o título de Melhor Operadora de VLT no Prêmio Revista Ferroviária, uma das principais premiações do setor ferroviário e metroferroviário brasileiro. O resultado foi anunciado na noite de 20 de agosto de 2026, durante a cerimônia da 33ª edição do evento, realizada em São Paulo. A vitória foi confirmada pela própria Revista Ferroviária e também pela Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), que destacou o VLT Carioca entre os vencedores da edição deste ano.
A concessionária foi representada na cerimônia por André Salcedo, CEO da Plataforma Trilhos da Motiva, grupo ao qual está vinculada a operação do sistema carioca. Com o novo reconhecimento, o VLT Carioca passa a somar seis vitórias na categoria destinada às operadoras de Veículos Leves sobre Trilhos, consolidando uma presença recorrente entre os destaques da premiação nacional.
O resultado ocorre em um momento no qual o transporte sobre trilhos volta a ganhar espaço nas discussões sobre mobilidade urbana no Rio de Janeiro. Além de operar uma rede que atravessa diferentes áreas do Centro da cidade, o VLT Carioca exerce função de integração com outros sistemas de transporte, conectando pontos como o Aeroporto Santos Dumont, a Central do Brasil, a Rodoviária do Rio, a Praça XV e o Terminal Gentileza.
Prêmio reúne representantes de diferentes segmentos ferroviários
O Prêmio Revista Ferroviária chegou em 2026 à sua 33ª edição e reúne categorias destinadas a diferentes segmentos da cadeia ferroviária brasileira. A edição deste ano reconheceu operadoras de carga, metrôs, sistemas metropolitanos, VLTs, empresas de logística, fabricantes de material rodante e equipamentos, fornecedores de tecnologia e prestadores de serviços, entre outras atividades.
A categoria Melhor Operadora de VLT estava entre as categorias gerais da premiação. Antes do anúncio do resultado, o VLT Carioca concorria com outros sistemas brasileiros, incluindo VLT Baixada Santista, VLT Cariri, VLT João Pessoa, VLT Maceió, VLT Natal e VLT Piauí. A relação de concorrentes havia sido divulgada pela ANPTrilhos durante o período de votação.
A escolha dos vencedores é realizada por meio de um Colégio Eleitoral formado por profissionais do setor ferroviário e metroferroviário. Segundo informações divulgadas pela organização e por entidades do segmento, a edição de 2026 contou com mais de 5 mil profissionais habilitados a participar do processo de escolha.
O formato procura fazer com que os próprios profissionais que atuam no mercado participem da avaliação de empresas e pessoas que se destacaram ao longo do ano. A votação, portanto, possui caráter setorial e não corresponde a uma avaliação realizada diretamente pelos passageiros do VLT Carioca.
Sexto reconhecimento na categoria
A conquista de 2026 representa a sexta vitória do VLT Carioca como Melhor Operadora de VLT. O novo título reforça uma trajetória de reconhecimentos obtidos pelo sistema desde o início de sua operação comercial.
Embora premiações setoriais não constituam, por si só, uma medição independente de desempenho operacional, elas possuem relevância institucional dentro do mercado ferroviário. O reconhecimento é concedido em um ambiente no qual participam empresas operadoras, fornecedores, fabricantes, profissionais especializados e entidades representativas do setor.
A própria Revista Ferroviária define o prêmio como uma iniciativa voltada ao reconhecimento de empresas e profissionais que contribuem para o desenvolvimento do transporte sobre trilhos no Brasil. Entre os aspectos considerados no contexto da premiação estão eficiência operacional, inovação, segurança e qualidade dos serviços.
Na edição de 2026, o prêmio também reconheceu outras empresas importantes do setor. O Metrô de São Paulo venceu a categoria Melhor Operadora de Sistema Metroviário, enquanto a CPTM foi escolhida como Melhor Operadora de Sistema Metropolitano. A Rumo venceu entre as operadoras de carga e a VLI foi reconhecida como Melhor Operadora Logística.
VLT tem papel estratégico no Centro do Rio
O reconhecimento acontece em um sistema que possui uma característica particular dentro da rede de transporte carioca: o VLT foi concebido para conectar diferentes pontos de interesse e terminais de transporte da região central, utilizando uma operação predominantemente em superfície.
As linhas atualmente em operação permitem chegar a áreas como a Praça XV, a Central do Brasil, o Aeroporto Santos Dumont, a Rodoviária do Rio e o Terminal Gentileza. Essa configuração faz com que o VLT funcione não apenas como um meio de transporte para deslocamentos internos no Centro, mas também como elemento de integração entre sistemas de diferentes características.
A conexão com a Central do Brasil aproxima o VLT da rede metroviária e ferroviária metropolitana. Na outra extremidade, o Terminal Gentileza estabelece conexão com outros serviços de transporte que atendem a diferentes regiões da cidade. Já a ligação com o Aeroporto Santos Dumont e com a região portuária reforça a função do sistema para passageiros que chegam ao Centro por diferentes meios.
Essa característica de integração é especialmente relevante em uma cidade como o Rio, onde os deslocamentos cotidianos envolvem combinações entre metrô, trens, ônibus, BRT, barcas e o próprio VLT.
Sistema integra diferentes meios de transporte
Uma das principais características do VLT Carioca é justamente sua capacidade de atuar como elo entre diferentes modalidades. Em vez de competir diretamente com todos os demais sistemas, o modal foi incorporado à rede como uma alternativa para deslocamentos urbanos e como alimentador de outros meios de transporte.
Na região central, essa função pode ser observada na conexão entre estações e terminais de diferentes sistemas. O passageiro que chega de trem à Central do Brasil, por exemplo, pode utilizar o VLT para continuar sua viagem em direção a outras áreas do Centro. Da mesma maneira, quem chega ao Rio pelo Aeroporto Santos Dumont pode utilizar o sistema para acessar diferentes pontos da região central.
A integração física, entretanto, precisa ser acompanhada por integração tarifária e operacional para que o potencial de uma rede multimodal seja plenamente aproveitado. Frequência dos veículos, regularidade, facilidade de transferência e acessibilidade também influenciam diretamente a experiência do passageiro.
Por isso, o desempenho de um sistema de VLT não deve ser analisado somente pela quantidade de quilômetros de trilhos instalados. A capacidade de cumprir sua função dentro de uma rede mais ampla de transporte também é um dos elementos importantes para avaliar sua contribuição à mobilidade urbana.
Reconhecimento ocorre em meio à expansão dos debates sobre trilhos
A premiação acontece em um momento de retomada dos investimentos e dos projetos de expansão do transporte sobre trilhos no Estado do Rio de Janeiro. Nas últimas semanas, diferentes iniciativas envolvendo metrô, VLT e outros sistemas de alta capacidade passaram a ocupar novamente espaço no planejamento de mobilidade.
Entre elas estão propostas de expansão do metrô, como a extensão da Linha 2 até a Praça XV e a implantação da Linha 3 entre Rio de Janeiro, Niterói e São Gonçalo. Também existem estudos e projetos relacionados à expansão do VLT para outras regiões da capital.
Nesse contexto, a experiência acumulada pelo VLT Carioca pode adquirir importância adicional. O sistema representa uma das experiências brasileiras mais recentes de implantação de um VLT em uma área urbana consolidada, envolvendo obras de infraestrutura, requalificação de vias, implantação de estações e integração com uma rede de transporte preexistente.
A utilização do VLT no Centro também está relacionada à transformação urbana da região portuária e central do Rio. A implantação das linhas ocorreu em paralelo a intervenções urbanísticas de grande escala e à abertura de novos corredores de circulação para pedestres e transporte coletivo.
Premiação também reconheceu outros nomes do setor
A cerimônia do 33º Prêmio Revista Ferroviária não se limitou às empresas operadoras. Entre os homenageados da noite esteve Vicente Abate, presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (ABIFER), escolhido como Ferroviário do Ano 2026. A homenagem reconheceu sua trajetória de 47 anos de atuação no setor ferroviário.
Também foram premiados profissionais que atuam diretamente na operação ferroviária. Na categoria Ferroviário Padrão de Passageiros, por exemplo, a vencedora foi Evanilde Barros Silva Quadros, chefe de trem especializada da Estrada de Ferro Carajás.
A diversidade das categorias mostra a amplitude da cadeia produtiva representada pelo prêmio. Ao lado de operadoras de transporte de passageiros aparecem empresas de carga, fabricantes de trens e locomotivas, fabricantes de vagões, fornecedores de componentes, empresas de tecnologia e prestadores de serviços especializados.
VLT Carioca reforça posição entre os sistemas brasileiros
Ao conquistar novamente a categoria de Melhor Operadora de VLT, o sistema carioca reforça sua posição de destaque no segmento nacional. A vitória, entretanto, também pode ser observada sob uma perspectiva mais ampla: o crescimento da presença dos VLTs nas políticas de mobilidade urbana brasileiras.
Nos últimos anos, diferentes cidades brasileiras passaram a utilizar ou estudar sistemas de VLT como alternativa intermediária entre ônibus e metrôs. O modal pode ser especialmente adequado para corredores urbanos nos quais existe demanda significativa de passageiros, mas onde a construção de um sistema metroviário pesado seria desproporcional aos fluxos ou aos custos envolvidos.
No Rio de Janeiro, a experiência do VLT também demonstra os desafios de operar um sistema ferroviário em superfície dentro de uma área urbana densamente ocupada. A convivência com pedestres, automóveis, ônibus, bicicletas e outros usuários da via exige sistemas de sinalização, fiscalização e educação para o trânsito, além de manutenção permanente da infraestrutura.
A qualidade da operação, portanto, depende de um conjunto de fatores que envolve tanto a concessionária quanto o poder público e os demais usuários do espaço urbano.
Um reconhecimento que não encerra os desafios
O sexto título de Melhor Operadora de VLT representa um reconhecimento importante para a concessionária e para as equipes envolvidas na operação do sistema. Ao mesmo tempo, a premiação não elimina os desafios cotidianos enfrentados pelo transporte público do Rio de Janeiro.
Questões como regularidade, lotação, acessibilidade, segurança, manutenção, integração tarifária e expansão da rede continuam presentes no debate sobre a mobilidade carioca. Para os passageiros, a avaliação de um sistema de transporte ocorre principalmente na experiência cotidiana de utilizar o serviço.
É justamente por isso que premiações setoriais devem ser compreendidas dentro de seu contexto. O Prêmio Revista Ferroviária reconhece o desempenho e a atuação de empresas e profissionais segundo um processo de votação realizado por integrantes do próprio setor. Ele não substitui indicadores públicos de qualidade ou avaliações independentes de satisfação dos usuários.
Ainda assim, o sexto reconhecimento coloca novamente o VLT Carioca entre os protagonistas do transporte sobre trilhos no Brasil e chama atenção para a importância do modal na mobilidade da capital fluminense.
Para o Rio de Janeiro, a experiência acumulada pelo sistema pode também servir como referência em futuras discussões sobre expansão dos VLTs e sobre a integração entre diferentes modalidades de transporte. À medida que novas propostas de mobilidade sobre trilhos são discutidas para a cidade e para a Região Metropolitana, a capacidade de combinar operação eficiente, integração e requalificação urbana continuará sendo um dos principais desafios.
Fonte: Revista Ferroviária; Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos); Revista Fator Brasil; Diário do Transporte; Prefeitura do Rio de Janeiro.
Imagem de capa: Divulgação VLT Carioca
