Série 2005, o "Trem Coreano", completa 20 anos de sua viagem inaugural

Série 2005, o “Trem Coreano”, completa 20 anos de sua viagem inaugural

Alguns trens desta série já encontram-se desativados com menos de 20 anos de existência, contudo há a intenção de reforma das composições

Com informações de Luiz Alexandre, via LinkedIn e da Revista Ferroviária
Imagens: LinkedIn de Luiz Alexandre

Há 20 anos, mais precisamente em 8 de junho de 2006, os passageiros do sistema ferroviário metropolitano do Rio de Janeiro conheciam um trem que mudaria profundamente a imagem e a experiência do transporte sobre trilhos no estado. Naquele dia, ocorria a viagem inaugural da Série 2005 entre a Central do Brasil e Madureira, marcando a entrada em operação de uma das composições mais modernas já vistas no país até então. Na ocasião foram investidos US$ 100 milhões. , sendo que deste total, 60% foram financiados pelo Banco Mundial e o estado contribuiu com uma contrapartida de 40%.

Segundo registros da Revista Ferroviária e relatos da época, a estreia contou com a presença de autoridades e também esteve associada à inauguração de melhorias em estações do sistema. Produzidos por um consórcio formado pela Mitsui, Rotem Company, da Coreia do Sul, e Toshiba, do Japão, os trens chegaram ao Rio em um momento em que o sistema ferroviário buscava recuperar sua imagem após décadas de abandono e material rodante envelhecido. O contrato previa 20 composições de quatro carros, com capacidade total de 1300 passageiros, na formação M-R-R-M, mas o impacto da Série 2005 foi muito além da simples renovação de frota. Os chamados “trens coreanos”, como ficaram popularmente conhecidos, introduziram tecnologias inéditas na ferrovia metropolitana brasileira e ajudaram a redefinir os padrões de conforto, design e operação ferroviária no país: entre as principais inovações estavam os inversores de tração com tecnologia IGBT, que proporcionavam maior eficiência energética e suavidade operacional, além do sistema Driver Unit (DU), um moderno computador de bordo com tela touchscreen em uma época em que esse tipo de recurso ainda era raro mesmo em sistemas metroferroviários internacionais.

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No salão de passageiros, os trens também chamavam atenção pelos painéis eletrônicos de informação, indicação de próxima estação e pelas maiores passagens entre carros com gangways sanfonados, permitindo circulação contínua entre os vagões. Hoje esses elementos parecem comuns, mas em 2006 praticamente nenhum trem urbano ou metrô brasileiro possuía esse conjunto de soluções embarcadas.

Série 2005, o "Trem Coreano", completa 20 anos de sua viagem inaugural
Imagem: Divulgação / Luiz Alexandre via LinkedIn

Outro aspecto que transformou a Série 2005 em referência nacional foi seu design. O projeto recebeu contribuições do designer carioca Bruno Batella, que participou do redesenho da máscara frontal, da iluminação externa e de diversos elementos internos, como bancos, balaústres e definição da identidade visual das composições. O resultado foi um trem com aparência futurista para os padrões brasileiros da época, rompendo completamente com o visual das antigas frotas suburbanas que circulavam no Rio de Janeiro. Especialistas e entusiastas ferroviários, inclusive, apontam que a identidade visual e conceitos introduzidos pela Série 2005 influenciaram diretamente projetos posteriores em outros sistemas brasileiros, como os trens da Série 400 da Linha 4 do metrô paulistano e a Série 1000 do metrô de Salvador.

Além da estética, o conforto operacional também se destacou. O sistema de suspensão pneumática com bolsas de ar proporcionava maior estabilidade nas viagens, reduzindo vibrações e ruídos. Somado ao ar-condicionado eficiente e ao baixo nível de ruído interno, o conjunto aproximava a experiência ferroviária carioca dos padrões encontrados em sistemas considerados de “primeiro mundo”.

A chegada da Série 2005 representou também um importante momento simbólico para o transporte ferroviário fluminense. Em um cenário historicamente marcado por décadas de sucateamento, a nova frota mostrava que era possível modernizar o sistema suburbano e devolver parte da dignidade ao passageiro cotidiano. Para muitos usuários, embarcar em um “coreano” naquele período era experimentar um nível de conforto até então inédito na malha ferroviária do estado.

Duas décadas depois, mesmo com desafios operacionais enfrentados pelo sistema ferroviário do Rio de Janeiro, a Série 2005 continua sendo lembrada como uma das mais importantes aquisições da história recente da ferrovia brasileira. Mais do que apenas novos trens, aquelas composições ajudaram a criar uma nova percepção sobre o potencial do transporte sobre trilhos urbano no país. A modernização iniciada com os “coreanos” também abriu caminho para futuras renovações de frota e para uma mudança gradual de mentalidade sobre mobilidade ferroviária no Brasil. Em um sistema onde durante muitos anos predominaram improvisos e estruturas envelhecidas, a Série 2005 demonstrou que tecnologia, conforto e transporte suburbano de alta capacidade podem coexistir.

Infelizmente, passadas duas décadas, algumas unidades encontram-se paradas ou mesmo sucateadas em pátios ferroviários do sistema atualmente operado pela empresa Trens RJ. Contudo, há planos de recuperação de alguns destes trens, visando o aumento da frota sem a necessidade de aquisição de novos trens, já que este processo de compra sairia mais caro e levaria mais tempo, em um momento em que promete-se aumento da quantidade de viagens e trens disponibilizados aos passageiros de acordo com o contrato recentemente firmado entre empresa e Governo do Estado.

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