IPHAR realiza a Travessia Tropeira, atividade de pesquisa que desbrava a história da região de Angra dos Reis

IPHAR realiza a Travessia Tropeira, atividade de pesquisa que desbrava a história da região de Angra dos Reis

Expedição reuniu pesquisadores e caminhantes em um percurso que integra antigas rotas de tropeiros, a Estrada do Caramujo e a histórica Estrada de Ferro que ligava Angra ao estado de Goiás, revelando a riqueza ambiental e cultural da Serra do Mar fluminense.

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No dia 17 de julho de 2026, integrantes do Instituto de Pesquisa Histórica e Arqueológica de Angra dos Reis (IPHAR) realizaram mais uma importante atividade de pesquisa e documentação do patrimônio histórico da região Sul Fluminense. A expedição, denominada Travessia Tropeira, percorreu antigos caminhos utilizados ao longo de diferentes períodos da história brasileira, reunindo em um único roteiro remanescentes da Estrada do Caramujo, do século XIX, e da antiga Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM), posteriormente incorporada à Rede Mineira de Viação (RMV).

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Carlos Eduardo, diretor do IPHAR, junto a um dos túneis da ferrovia. Imagem: IPHAR

Parceiro Trilhos do Rio em iniciativas voltadas à valorização da memória ferroviária, o IPHAR desenvolve há anos trabalhos e atividades de pesquisa histórica, arqueológica e de educação patrimonial em Angra dos Reis e municípios vizinhos, promovendo atividades de campo que permitem documentar vestígios da ocupação humana e estimular a preservação de importantes bens culturais e naturais.

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Estação de Lídice – Imagem: IPHAR

Segundo relato do diretor do instituto, Carlos Eduardo, a caminhada teve início no lado angrense da antiga ferrovia e seguiu até a histórica Estação de Lídice, acompanhando parte do antigo leito ferroviário que, durante décadas, desempenhou papel fundamental na integração entre o litoral e o interior do estado do Rio de Janeiro.

Caminhos que atravessam séculos de história

Mais do que uma simples trilha, a Travessia Tropeira percorre um verdadeiro corredor histórico formado por diferentes camadas da ocupação humana na Serra do Mar. Ao longo do percurso, os participantes caminharam por antigas rotas utilizadas por tropeiros durante o século XIX, quando o transporte de mercadorias entre o Vale do Paraíba e o litoral era realizado por tropas de muares que enfrentavam as difíceis encostas da região.

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O belíssimo cenário da região. Imagem: IPHAR

Esses caminhos foram posteriormente adaptados para a construção da Estrada do Caramujo, importante via terrestre que antecedeu a implantação da ferrovia e contribuiu para a circulação de pessoas e produtos em uma época marcada pelo ciclo do café e pelo desenvolvimento econômico do interior fluminense.

Já no século XX, parte desse fluxo passou a receber os trilhos da Estrada de Ferro Oeste de Minas, cuja expansão permitiu estabelecer novas ligações ferroviárias entre Goiás, Minas Gerais e o litoral fluminense, integrando diferentes regiões produtoras ao sistema nacional de transportes.

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Um cruzamento da ferrovia no trecho percorrido. Imagem: IPHAR

Segundo Carlos Eduardo, caminhar por esse trajeto significa percorrer um espaço onde convivem vestígios de diferentes períodos históricos, testemunhando sucessivos ciclos econômicos, sociais e ambientais que moldaram a paisagem da região.

Túnel centenário integra o percurso

Um dos destaques ferroviários da expedição foi a passagem pelo Túnel 16, estrutura ferroviária concluída em 1926 e que, neste ano de 2026, completa portanto 100 anos de existência.

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Imagem: IPHAR

Construído para vencer as dificuldades impostas pelo relevo montanhoso da Serra do Mar, o túnel permanece como um dos principais testemunhos da engenharia ferroviária empregada durante a expansão da malha da antiga EFOM.

Obras desse porte exigiram intenso esforço técnico e humano, utilizando métodos construtivos compatíveis com a tecnologia disponível nas primeiras décadas do século XX. Ainda hoje, túneis, cortes em rocha, pontes e muros de contenção existentes ao longo da antiga ferrovia demonstram a dimensão dos desafios enfrentados pelos engenheiros e operários responsáveis pela implantação da linha.

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Uma das várias pontes deste trecho da ferrovia. Imagem: IPHAR

Para pesquisadores da história ferroviária, estruturas como o Túnel 16 constituem importantes patrimônios históricos e da engenharia, e merecem ser documentadas, estudadas e preservadas como parte da memória da infraestrutura nacional.

Ferrovia e natureza convivem na Mata Atlântica

Durante a caminhada, os participantes também observaram como a antiga ferrovia foi gradualmente incorporada à paisagem da Mata Atlântica, um dos biomas mais ricos em biodiversidade do planeta. Segundo o relato do IPHAR, o percurso revelou uma vegetação exuberante, marcada por grande diversidade de espécies vegetais, além da presença de fauna silvestre e de inúmeros córregos e nascentes de águas cristalinas que abastecem comunidades da região.

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Imagem: IPHAR

As atividades realizadas pelo IPHAR reúnem pesquisa histórica, resgate da memória caiçara e das povoações existentes na região, além de pesquisa e preservação ambiental. Durante a Travessia Tropeira, os participantes tiveram a oportunidade de vivenciar na prática todas estas vertentes de preservação e pesquisa, e no aspecto do pátrimônio natural da região, Carlos descreve uma das descobertas e observações realizadas:

Cada trilha é uma oportunidade de aliar atividade física, contato com a natureza e descobertas. Desta vez, registramos um belo exemplar de crisopídeo, inseto de asas cristalinas e corpo amarelo-claro. Integrante da família Chrysopidae, é conhecido popularmente como “bicho-lixeiro”. Além de sua beleza, desempenha uma importante função ecológica: suas larvas atuam como eficientes predadoras de pulgões, cochonilhas, ácaros, moscas-brancas e pequenas lagartas, contribuindo naturalmente para o controle biológico de pragas nas lavouras.

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Imagem: IPHAR

Essa integração entre patrimônio histórico e patrimônio natural transforma a Travessia Tropeira em uma experiência singular, permitindo compreender como diferentes elementos da paisagem evoluíram ao longo do tempo e permanecem interligados. A combinação entre antigas obras de engenharia, caminhos históricos e ecossistemas preservados reforça o potencial do roteiro para atividades de pesquisa científica, educação patrimonial e turismo cultural sustentável.

Estação de Lídice preserva parte da memória ferroviária

O destino da caminhada foi a Estação Ferroviária de Lídice, localizada no distrito de mesmo nome, já no município de Rio Claro.

Durante o período de funcionamento da ferrovia, a estação desempenhou papel estratégico no embarque e desembarque de passageiros, além do transporte de mercadorias destinadas às comunidades da região.

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Imagem: IPHAR

Embora a movimentação ferroviária tenha sido encerrada há décadas, Lídice continua sendo um importante ponto de referência para pesquisadores da história regional e para moradores que preservam a memória da antiga estrada de ferro.

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Passagem inferior sob a rodovia RJ-155 no trecho entre Angra dos Reis e Lídice. Imagem: IPHAR

Ao final da travessia, os integrantes do IPHAR também visitaram comerciantes e moradores locais, fortalecendo os vínculos entre a pesquisa histórica e a valorização das comunidades que mantêm vivas as tradições da região.

Pesquisa de campo fortalece a preservação da memória

Mais do que registrar paisagens ou realizar caminhadas, atividades como a Travessia Tropeira desempenham um papel fundamental na documentação do patrimônio histórico brasileiro. O levantamento fotográfico realizado durante a expedição permitirá registrar o estado de conservação de diversos elementos da antiga ferrovia, contribuindo para futuras pesquisas e ações de preservação.

Nos últimos anos, instituições da sociedade civil têm assumido papel cada vez mais relevante na identificação, catalogação e divulgação de bens ferroviários muitas vezes esquecidos pelo poder público. Esse trabalho complementa iniciativas acadêmicas e governamentais, ajudando a construir um inventário mais amplo da memória ferroviária nacional.

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Travessia de um dos túneis da ferrovia, atualmente desativada. Imagem: IPHAR

Nesse contexto, o trabalho desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Histórica e Arqueológica de Angra dos Reis (IPHAR) merece reconhecimento pelo compromisso com a pesquisa, a educação patrimonial e a valorização da história regional. Ao promover expedições, registrar estruturas históricas e compartilhar esse conhecimento com a sociedade, a instituição contribui para que importantes capítulos da formação do estado do Rio de Janeiro permaneçam preservados para as futuras gerações.

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A parceria entre o IPHAR e o Trilhos do Rio reforça justamente esse objetivo comum: divulgar, documentar e incentivar a preservação do patrimônio ferroviário brasileiro, demonstrando que a memória das antigas ferrovias continua viva não apenas em seus trilhos e edificações, mas também nas paisagens, nas comunidades e nas histórias que elas ajudaram a construir.

Para saber mais os trabalhos realizados e as próximas atividades da instituição, clique nestes links e confira!


Fonte: Reportagem elaborada com base em informações fornecidas pelo Instituto de Pesquisa Histórica e Arqueológica de Angra dos Reis (IPHAR), complementadas por referências históricas sobre a Estrada de Ferro Oeste de Minas, a Rede Mineira de Viação e a ocupação histórica da região de Angra dos Reis.
Imagem de capa: Divulgação IPHAR

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