Ferrovia vira caso de polícia em Miguel Pereira
A cidade de Miguel Pereira foi palco, no último domingo (12 de abril), de um episódio envolvendo a responsabilidade e guarda de equipamentos ferroviários.
Diretores da Associação Fluminense de Preservação Ferroviária (AFPF) estiveram no município para realizar a retirada da locomotiva manobreira Stoltz, equipamento que operou por décadas no trecho ferroviário de aproximadamente 4,5km entre Governador Portela e Miguel Pereira — mantido no passado por membros da AFPF e hoje utilizado pelo trem turístico da cidade.

A ação ocorre poucas semanas após a retirada de outro equipamento, o Auto de Linha 101, também sob responsabilidade da associação, em uma operação semelhante que já havia gerado certa repercussão por divergências entre as partes envolvidas.

Segundo os operadores do trem turístico, não haveria documentação judicial ou formal que comprove cessão, empréstimo ou mesmo posse ou propriedade da AFPF sobre os equipamentos. Já a Associação sustenta possuir toda a documentação necessária que legitima sua atuação e a responsabilidade dos bens ferroviários, além do empréstimo em auxílio ao projeto do Trem Turístico de Miguel Pereira.
De acordo com informações divulgadas, a chegada dos representantes da AFPF à cidade foi inicialmente marcada por um diálogo considerado amistoso. No entanto, posteriormente, não houve acordo entre as partes. Diante do impasse, os diretores da entidade se dirigiram à delegacia local para registrar um boletim de ocorrência e, posteriormente, buscar medidas judiciais, incluindo a possibilidade de obtenção de liminar para viabilizar a retirada da locomotiva.

A movimentação chamou atenção no local e contou, inclusive, com a presença de uma equipe de televisão, que registrou imagens e coletou informações para uma reportagem que deverá ser exibida em breve.

Em meio ao impasse, a AFPF também ressalta que a retirada dos equipamentos está diretamente relacionada a projetos em andamento fora do estado do Rio de Janeiro. Atualmente, a instituição encontra-se à frente de uma iniciativa de implantação de trem turístico na cidade de São Sebastião do Rio Verde, em Minas Gerais. Segundo a Associação, a locomotiva manobreira Stoltz e outros equipamentos ferroviários são considerados fundamentais para a realização de vistorias técnicas na via permanente, testes operacionais e demais intervenções necessárias à estruturação do projeto. Ainda segundo informações passadas pela associação, a disponibilidade desse material rodante é indispensável para viabilizar as etapas iniciais de implantação do serviço turístico, o que reforça, na visão da entidade, a necessidade de retirada dos equipamentos atualmente localizados em Miguel Pereira, como ocorrido com o Auto de Linha 101 e agora com a Locomotiva manobreira Stoltz.

A associação sustenta que, além da preservação histórica, os bens devem cumprir função ativa em projetos ferroviários, contribuindo para a reativação de trechos e o fortalecimento do turismo ferroviário em outras regiões do país. O argumento, no entanto, também amplia o debate sobre a destinação desses equipamentos e seu vínculo com iniciativas locais, especialmente no caso de Miguel Pereira, onde o material vem sendo utilizado em manobras e outras operações no trem turístico já em operação.
O desfecho da situação dependerá dos próximos passos jurídicos e de eventuais negociações entre as partes envolvidas. O site Trilhos do Rio continuará acompanhando os próximos passos desta questão e trará mais informações assim que elas forem divulgadas
