Das reuniões ferroviárias à invasão e fechamento: a Cabine 3 de Sinalização do Engenho Novo

capa

Loading

­
✍️ Redação Trilhos do Rio, com narrativa de Aleksander Oldal; colaborações de Zaidan, Luiz Felipe, Mozart Rosa, Daddo Moreira e Leonardo Ivo; e informações históricas de Flávio Cavalcânti, João Bosco Setti e José Emílio Buzelin (publicadas no “Centro-Oeste” em 1989)
📆 03/03/2026
⏱️ 21h06
📷 Acervo ABPF RJ – Digitalização Trem de Dados / Trilhos do Rio

Instalada nos subúrbios da antiga Central do Brasil, a Cabine de Sinalização nº 3, localizada no bairro do Engenho Novo, representou durante décadas um importante ponto de controle operacional da malha ferroviária carioca. De tipologia eletromecânica, a estrutura integrou o conjunto de cabines implantadas no contexto da eletrificação dos trens suburbanos da então Estrada de Ferro Central do Brasil (EFCB), processo iniciado nas primeiras décadas do século XX.

Ao todo, foram construídas 13 cabines no trecho entre D. Pedro II, Nova Iguaçu e Bangu — nove eletromecânicas e quatro elétricas. Com a modernização do sistema de sinalização e a implantação de tecnologias mais avançadas, a maior parte dessas estruturas foi desativada. Algumas cabines elétricas permaneceram ainda por algum tempo em operação: a nº 1 (D. Pedro II), a nº 5 (Cascadura) e a nº 6 (Deodoro), e de forma geral, as últimas a serem desativadas foram justamente a nº 3 (Engenho Novo) e a nº 4 (Engenho de Dentro), no final de 1988, em decorrência da substituição do sistema antigo por equipamentos de fabricação japonesa, integrados ao futuro Centro de Controle Operacional (CCO).




───── INÍCIO DA PUBLICIDADE


───── FIM DA PUBLICIDADE




Os equipamentos da Cabine nº 3 constituíam um valioso exemplar da tecnologia ferroviária do início do século XX. A parte elétrica foi fabricada pela empresa britânica General Railway Signal Co. (GRS), entre 1935 e 1937, enquanto os mecanismos mecânicos de intertravamento remontavam à década de 1910, tendo provavelmente sido reaproveitados de cabines anteriores à eletrificação. O sistema distribuía-se em três níveis: no terceiro andar, o painel elétrico e o conjunto de alavancas; no segundo, o sistema de interlocking mecânico; e, no térreo, os relés e circuitos elétricos responsáveis pela comunicação com sinais e aparelhos de mudança de via.

cabine
Cabine de sinalização do Engenho Novo, possivelmente em 1996 – Imagem: Acervo ABPF, digitalização Trem de Dados / Trilhos do Rio

Após sua desativação operacional, a cabine ganhou nova função: em janeiro de 1989, o imóvel foi oficialmente cedido pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) à Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF-RJ), que passou a utilizá-lo como sede regional no Rio de Janeiro, cabendo à entidade a responsabilidade pela manutenção do prédio e de seus equipamentos históricos.

IMG 20230624 151402 931
Imagem: Mozart Rosa, em 2023

Durante anos, o espaço funcionou como ponto de encontro de preservacionistas, sediando reuniões, confraternizações, sessões de vídeo e apresentações técnicas. Havia, inclusive, planos para implantação de um pequeno museu voltado à sinalização ferroviária e comunicações, além da organização de biblioteca e arquivo especializados, com abertura à visitação pública.

IMG 20230624 150551 593
Cabine vista da Praça do Engenho Novo – Imagem: Mozart Rosa, em 2023

Antes mesmo da fundação da Associação Ferroviária Trilhos do Rio (AFTR), membros foram ao local e organizaram duas reuniões entre as instituições, no ano de 2012.

WhatsApp Image 2026 02 28 at 20.57.19
Imagem: frame da gravação da reunião. Na imagem o saudoso Luís Octávio, Paulo ITT e David Rodrigues em 29/09/2012

 

265733 3316368767040 115227365 o Small
Imagem: Daddo Moreira, 29/09/2012

 

DSCF1879 Small
Da esquerda para a direita: Luís Octávio, Zaidan, David Rodrigues, Melekh, Paulo ITT, Rodrigo Sampaio e Daddo. Imagem: Daddo Moreira, 29/09/2012

A atração que ficou mais conhecida e frequentada era a grande maquete de ferromodelismo, existente no pavimento térreo, onde entusiastas e ferromodelistas passavam longas horas se divertindo e usufruindo do espaço.

Entretanto, o que por décadas simbolizou a preservação da memória ferroviária acabaria enfrentando um processo gradual de esvaziamento e vulnerabilização, culminando em episódios de invasão e depredação. A cronologia desses acontecimentos, marcada por mudanças institucionais, pandemia e fragilidade estrutural, é detalhada a seguir.

Antes da pandemia: intensa movimentação e primeiros episódios de furto

Até o início da pandemia de Covid-19, a cabine era frequentada regularmente por entusiastas ferroviários e associados. Aos sábados, o local registrava considerável presença de público, com encontros, confraternizações e atividades ligadas ao modelismo ferroviário. Integrantes de outras entidades do setor também compareciam ao espaço.

IMG 20230624 150657 862
O imponente prédio visto pelo acesso da Praça do Engenho Novo – Imagem: Mozart Rosa, em 2023

Porém, em novembro de 2019, foi registrado um episódio relevante: um indivíduo foi flagrado furtando cabos de energia que abasteciam o prédio. Na ocasião, frequentadores perceberam ruídos suspeitos e, ao chegarem à área de acesso à cabine, surpreenderam o invasor, que fugiu deixando para trás ferramentas e outros pertences. O caso marcou o início de uma sequência de ocorrências relacionadas à insegurança no entorno da cabine.

IMG 20230624 150634 458
Portão de acesso à cabine – Imagem: Mozart Rosa em 2023

Próximo dali existiu um conjunto de imóveis pertencentes à ferrovia, mas sem uso frequente passou a abrigar moradores de rua e usuários de drogas. Pouco tempo depois do início destas ocorrências, todas as estruturas foram demolidas e atualmente muito mato e vegetação ocupam o amplo espaço. Segundo relatos, já naquele período, na ocasião de visitas à cabine, tornaram-se comuns medidas preventivas como manter o imóvel fechado durante as atividades, com os frequentadores no interior do espaço e diante da presença recorrente de pessoas circulando do lado de fora, com comportamento suspeito nas proximidades.

VEJA TAMBÉM  Propostas de veículos ferroviários com aplicações especiais

Pandemia e esvaziamento progressivo

Com a chegada da pandemia e as restrições de circulação impostas a partir de 2020, a frequência ao local diminuiu drasticamente. Outro fato relevante deste período foi que parte dos frequentadores deixou o Rio de Janeiro, e outros reduziram a presença em razão de mudanças profissionais e familiares. No período pós-pandemia, o número de visitantes não voltou aos patamares anteriores. Aos domingos, quando havia atividades, a presença passou a se limitar a duas ou três pessoas, constantemente. O espaço, antes movimentado, tornou-se gradativamente pouco frequentado e consequentemente vulnerável.


Final de 2023: afastamento de colaboradores

Com o passar do tempo mesmo assim a cabine ainda era ponto de encontro de frequentadores e visitantes, ainda que poucos. No final de 2023 um dos associados Trilhos do Rio realizou uma visita e constatou a pouca presença de frequentadores. Mas o espaço ainda abria semanalmente, normalmente aos sábados, estando disponível aos interessados. Contudo, a diretoria nacional da instituição já discutia a possibilidade de interromper as atividades na cabine, pela pouca frequência e a perda, aparentemente, da função original, de disponibilizar um espaço para visitação, informações e lazer aos frequentadores.

Pouco tempo depois, o diretor responsável pelo local precisou passar por uma cirurgia, se ausentando para recuperação. Integrantes passaram a se revezar nas visitas ao local, ao menos para se certificarem que estava tudo em ordem, mas isso durou pouco. Um dos últimos responsáveis por esta supervisão informal do espaço informou que, até então, realizava inspeções visuais frequentes ao passar de trem pelo trecho, desembarcando eventualmente na estação do Engenho Novo para verificar a integridade do imóvel.

Esse acompanhamento, contudo, tornou-se inviável a partir do final do ano de 2023, por motivos profissionais e pessoais, e então cessaram as visitas regulares.

Ainda em 2023, segundo documentos governamentais disponíveis no sistema do Governo do Estado, equipes da concessionária de transportes e representantes da associação que administrava o local se reuniram e debateram sobre diversos assuntos, inclusive sobre o fornecimento de água e energia elétrica, prejudicados pelos atos de vandalismo, e sobre a segurança do espaço e de seus frequentadores. Contudo não se chegou a um consenso sobre medidas a serem tomadas.

Janeiro de 2024: invasão e furto do acervo

Logo no início de janeiro de 2024, foi identificada a primeira invasão com arrombamento confirmado. Provavelmente os meliantes aproveitaram a ocasião de festas de fim de ano, e aparente ausência de frequentadores, para invadir o local. Ao passar pelo trecho ferroviário, este mesmo colaborador citado há pouco percebeu uma janela violada no lado voltado para a linha férrea. Ao acessar o interior do imóvel, constatou-se que o prédio havia sido invadido.

O interior encontrava-se revirado. Parte da biblioteca estava danificada e objetos considerados de maior valor histórico e simbólico foram subtraídos, entre eles um escudo em bronze da Central do Brasil. Registros indicam que os invasores haviam agido recentemente, possivelmente no dia anterior à constatação formal da invasão.

Foi realizada tentativa de reparo emergencial, com soldagem de uma das janelas, mas no dia seguinte ocorreu novo arrombamento em outro ponto do prédio. Devido à limitação física da abertura, os invasores teriam levado objetos menores, mas mantiveram a recorrência das entradas forçadas.

Degradação interna, retirada e destinação do acervo

Quando da invasão confirmada, a cabine já se encontrava sem fornecimento regular de energia elétrica e água. Cabos e tubulações vindos  da rua já haviam sido anteriormente furtados. O entorno do imóvel apresentava sinais de abandono, com resíduos, roupas, bolsas, objetos descartados e indícios de uso irregular da área externa. Aparentemente o local estava sendo utilizado para descarte de objetos pessoais sem valor, furtados na região.

No interior, parte significativa do acervo bibliográfico foi considerada irrecuperável, em razão de contaminação por dejetos orgânicos e vandalismo. Ainda assim, documentos, quadros, livros e itens localizados em pavimentos superiores ainda puderam ser resgatados.

Diante do agravamento da situação, integrantes da associação removeram boa parte do material que possuía valor histórico ou técnico. Parte do acervo foi encaminhada para São Paulo, onde ficou sob guarda de membros da diretoria nacional da instituição, e ligados à preservação ferroviária.

VEJA TAMBÉM  Inaugurada a exposição sobre os Bondes do Rio de Janeiro

Posteriormente, o material remanescente da maquete ferroviária foi destinado a uma associação de ferromodelismo localizada no bairro de Pilares, buscando preservar o que ainda estava em condições adequadas. Após esses procedimentos, a chave do imóvel foi oficialmente devolvida à concessionária ferroviária responsável pelo trecho, encerrando o ciclo de ocupação por parte dos preservacionistas.


Próximo do fim, a cooperação de outras instituições

Em um domingo, dia 5 de maio de 2024, um amigo e colaborador Trilhos do Rio passava com seu táxi na imediações da cabine, para levar um passageiro. Ao concluir a corrida, decidiu estacionar o veículo na Praça do Engenho Novo e foi verificar como estava a cabine, local que já tinha visitado anteriormente mas, por motivos profissionais, havia tempo que não frequentava. Ao adentrar o espaço, se deparou com muita bagunça e depredação, mas encontrou caixas com fotografias, tanto antigas e históricas quanto produzidas pelos membros do local, em eventos e pesquisas em campo. Ao se deparar com o material, entrou em contato com o Coordenador do Departamento de Pesquisas e Projetos Trilhos do Rio e passou a informação, enviando fotografias do que pôde registrar. Este coordenador ficou consternado e abismado, pois não imaginava que este material ainda estivesse no local. Mais que depressa, entrou em contato com diversos membros Trilhos do Rio, mas todos estavam em situação de indisponibilidade, visto que era um domingo e próximo da hora do almoço, momentos normalmente dedicados à família. Sendo assim, ele mesmo se prontificou a ir e levou sua irmã junto, embarcando em ônibus e chegando ao local em aproximadamente 1 hora. O colaborador que informou sobre o material precisou continuar seu trabalho e não pôde resgatar os itens.

Sem titulo 1
Frame de um vídeo que será divulgado em breve – Imagem: Daddo Moreira, em 2024

Chegando à estação ferroviária do Engenho Novo com sua irmã, desceu na linha férrea e caminhou em paralelo aos trilhos, em direção à cabine. As imagens abaixo, inéditas para muitos, foram feitas a partir de uma gravação em vídeo (que será publicado em breve), servindo também como registros caso algo ocorresse e colocasse em risco a integridade física de ambos.

entrada
Frame de um vídeo que será divulgado em breve. Pode-se notar o piso quebrado do lado de fora e conduítes à mostra – Imagem: Daddo Moreira, em 2024

Ao chegar no acesso, a situação era alarmante, absurda: porta danificada e aberta, muito lixo, objetos quebrados e sujeira (inclusive dejetos) encontravam-se por todo lado, tomando o ambiente com um incômodo mau cheiro.

WP 20240505 006
Um dos locais que era menos difícil de se caminhar – Imagem: Daddo Moreira, 2024

Caminhar era difícil, tanto pelo risco de se ferir devido a estilhaços de vidro e louça, quanto pela sujeira que estava por toda parte. Em alguns pontos, cinzas e material queimado evidenciavam que no interior da cabine “pessoas” estavam provocando chamas, por motivo de depredação, aquecimento, iluminação ou consumo de entorpecentes.

Enquanto sua irmã ficou na porta vigiando e avisando caso surgisse alguém do lado de fora, o coordenador subiu cautelosamente até o último piso, avisando também caso encontrasse algo ou alguém pelo caminho. Contudo, tudo o que encontrou foi uma destruição inexplicável por toda parte: até mesmo as alavancas mecânicas, que são metálicas na parte inferior (mecanismos) e de madeira na parte superior (último piso) encontravam-se parcialmente danificadas, um patrimônio praticamente único no Brasil.

Se fosse um cenário de guerra talvez não fosse tão absurdo.

piso2
No segundo piso o cenário era ainda pior – Imagem: Daddo Moreira, 2024

Após constatar que não havia ninguém no interior da cabine, ambos trataram de recolher o que era possível, e ainda íntegro, para entregar à ABPF posteriormente. Assim foi feito com alguns quadros, pequenas fotos que estavam no chão (muito empoeiradas e sujas, e não foi possível aproveitá-las para digitalização mais tarde), alguns poucos mapas, livros e outros materiais.

piso3
Terceiro piso, onde realizamos encontros e reuniões em 2012 – Imagem: Daddo Moreira, 2024

Pedimos desculpas pela próxima frase e imagem, e se preferir passe para o próximo parágrafo: para se ter ideia da perversidade dos que provocaram toda aquela destruição, um quepe ferroviário tinha sido usado como se fosse um penico. Não tentem imaginar a cena após o frame abaixo, apenas reflitam se uma criatura dessas teria recuperação ou salvação…

quepe
Imagem: Daddo Moreira

Instantes depois ruídos foram ouvidos vindos do exterior da cabine. Neste momento a irmã do coordenador já estava ajudando a recolher quadros e objetos, e somente então foi percebida a situação de que poderiam ficar presos no local, visto que só havia uma porta conhecida de acesso. No intuito de sair do local, observaram a movimentação no entorno, desceram rapidamente e pularam uma das janelas do andar térreo, nos fundos da cabine, lado oposto ao da via férrea e lado para a Praça do Engenho Novo.

VEJA TAMBÉM  Governo do Estado anuncia investimento na estrutura da Supervia
praca
Praça do Engenho Novo, vista do segundo piso da Cabine III do Engenho Novo – Imagem: frame de vídeo, Daddo Moreira em 2024

Por ali saíram a salvo com o que puderam resgatar, e foram pela rua para o outro lado da ferrovia, enquanto um dos membros Trilhos do Rio disponibilizou um veículo de aplicativo para buscá-los. Contrariado por não poder ter ajudado presencialmente, este membro ofereceu esta valiosa ajuda, muito oportuna pois enquanto esperavam puderam perceber a frequente presença de moradores de rua e usuários de drogas cambaleando pela região.

Missão cumprida, mas as caixas e fotos não foram encontradas neste dia. Na manhã posterior, dia 6 de maio, membros de outra instituição viram registros do local na internet, compartilhadas e replicadas na véspera pelo colaborador que tinha dado o alerta ao coordenador Trilhos do Rio, e decidiram ir ao local no meio do dia. Na hora de seu almoço, o coordenador Trilhos do Rio conseguiu ir novamente ao local, e rapidamente ao encontro destes.

Ao chegar na cabine os encontrou, junto com colaboradores da concessionária de transporte ferroviário que estavam no local. Após o resgate de mais alguns itens, e a constatação triste de tudo o que ocorreu estruturalmente, perguntou sobre fotos e as supostas caixas, recebendo a resposta de que tudo havia sido resgatado, encontrando-se já no veículo de um dos membros. Algumas semanas depois este membro disponibilizou integralmente o material para o projeto parceiro Trem de Dados, o repositório ferroviário digital, e Daddo Moreira (que é o responsável técnico por este projeto) iniciou a digitalização do material, totalizando mais de 8.800 itens iconográficos e filmográficos.

Ao concluir o processo, e dar início à publicação online do material, ainda demorou alguns meses para os itens serem devolvidos, por incompatibilidade de horários e rotinas entre os envolvidos. Em 2025 as caixas, pastas e demais itens foram encaminhados ao membro da ABPF, responsável pela cabine, para posterior encaminhamento à sede nacional da instituição, situada em Cruzeiro-SP

A lastimável insegurança e falta de interesse pela cultura e história

Os acontecimentos evidenciam um processo gradual de vulnerabilização do imóvel, iniciado ainda antes da pandemia, intensificado pelo esvaziamento das atividades presenciais e culminando nas invasões registradas em janeiro de 2024. O caso da antiga cabine de sinalização do Engenho Novo ilustra os desafios enfrentados por instituições de preservação e a existência de estruturas ferroviárias desativadas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, especialmente quando sofrem ações motivadas pela cada vez mais frequente insegurança pública e que acarretam as faltas de uso institucional contínuo, de vigilância permanente ou de um projeto formal de preservação.

O Departamento de Pesquisas e Projetos Trilhos do Rio, parte integrante da Associação Ferroviária Melhoramentos do Brasil, cogitou assumir o espaço em um primeiro momento, mas devido aos problemas externos e a flagrante falta de segurança na região, além da vultuosa quantia necessária para recuperar e reformar o espaço, tornou-se necessário um replanejamento naquele momento, podendo vir a ser algo que ocorra no futuro, com parcerias, patrocínios e incentivos de instituições privadas e do poder público.

trem
Trem da Supervia passando ao lado da cabine – Imagem: Daddo Moreira, 2024

O episódio, infelizmente, reforça o debate sobre a necessidade cada vez mais frequente e urgente de políticas estruturadas para proteção do patrimônio ferroviário, sobretudo em áreas urbanas densamente povoadas, onde imóveis desativados tornam-se rapidamente alvo de depredação e ocupações irregulares.


Autor

  • logo trilhos do rio 01

    O Departamento de Pesquisas e Projetos Trilhos do Rio surgiu como um grupo de amigos, profissionais, entusiastas e pesquisadores ferroviários que organiza, desde o ano de 2009, eventos, atividades e pesquisas, tanto documentais quanto em campo, sobre a história e patrimônio ferroviário do estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de resgatar, preservar e divulgar a história e memória dos transportes sobre trilhos fluminenses.
    Entre os anos de 2014 e 2021 fomos formalizados como uma ONG, a Associação Ferroviária Trilhos do Rio, e desde 2024 fazemos parte, como um departamento, da Associação Ferroviária Melhoramentos do Brasil

    Ver todos os posts

Deixe um comentário