Aduelas da Linha 4 do Metrô na Leopoldina

RIOTRILHOS formaliza estudos sobre o destino das aduelas da Linha 4 do Metrô

Grupo de trabalho deverá estudar o remanejamento das estruturas e avaliar até mesmo sua eventual venda por leilão

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A Companhia de Transportes sobre Trilhos do Estado do Rio de Janeiro (RIOTRILHOS) instituiu um Grupo de Trabalho para estudar soluções para as aduelas que permanecem armazenadas no terreno da Estação Barão de Mauá, no complexo da Leopoldina, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

A medida foi oficializada pela Portaria RIOTRILHOS nº 203, de 24 de setembro de 2026, publicada no Diário Oficial do Estado. O grupo deverá analisar alternativas para o remanejamento das estruturas e também avaliar a possibilidade de sua alienação por meio de leilão.

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A portaria está vinculada a um processo administrativo e menciona, entre os motivos para a criação do grupo, a necessidade de retirar as aduelas não utilizadas nas obras de extensão da Linha 4 do metrô que estão atualmente estocadas no terreno da antiga estação.

O documento também relaciona a medida a uma conhecida e divulgada demanda judicializada envolvendo o esvaziamento do local.

Grupo terá três integrantes

O Grupo de Trabalho será coordenado por José Hugo Pontalti Gebara, tendo como membros técnicos Amanda Carnevale Pestana e Dino Sérgio Gonçalves da Silva.

Segundo a portaria, caberá ao grupo organizar, consolidar e apresentar estudos sobre as possíveis soluções para o remanejamento das aduelas, incluindo a avaliação de uma eventual alienação por leilão.

As propostas deverão ser encaminhadas à Presidência da RIOTRILHOS para apreciação.

O documento determina ainda que as atividades, responsáveis, entregas e respectivos prazos seguirão o Plano de Trabalho do Grupo de Trabalho, identificado no processo administrativo.

Leilão passa a ser uma possibilidade oficial

A publicação é particularmente relevante porque coloca, pela primeira vez de forma expressa no ato administrativo, a possibilidade de venda das aduelas por leilão entre as alternativas que serão estudadas.

Isso, porém, não significa que a RIOTRILHOS tenha decidido vender o material. A portaria apenas determina que essa possibilidade seja avaliada juntamente com outras soluções para o destino das estruturas.

Da mesma forma, o documento não determina um local específico para onde as aduelas deverão ser transferidas.

Japeri aparece como uma possibilidade em estudos anteriores

A criação do grupo ocorre em meio a estudos que já vinham sendo realizados pela RIOTRILHOS para encontrar uma área capaz de receber parte das aduelas atualmente armazenadas na Leopoldina.

Documentos administrativos produzidos em agosto apontaram uma área nas proximidades da Estação Japeri como uma das possibilidades avaliadas para o armazenamento temporário do material. Uma vistoria realizada no local identificou uma área de aproximadamente 12 mil metros quadrados, mas a presença de residências reduziu a estimativa de espaço efetivamente utilizável para cerca de 6 mil metros quadrados.

O site Trilhos do Rio publicou um texto especial sobre o assunto, confiram:

Aduelas da Linha 4 que estão na Leopoldina poderão ir para Japeri

A utilização do espaço dependeria ainda de avaliações de engenharia, inclusive sobre as condições de acesso e de uma estrutura semelhante a uma ponte ferroviária que poderia ser utilizada na movimentação de materiais pesados.

A consulta feita à concessionária ferroviária sobre a área também foi apresentada como preliminar, não representando, naquele momento, uma decisão definitiva de transferência ou ocupação.

Assim, o andamento das pesquisas reforça que o destino das aduelas continua em fase de definição.

Uma questão logística permanece

A eventual transferência para Japeri — caso venha a ser escolhida — também levanta uma questão logística importante.

As aduelas foram originalmente destinadas às obras de extensão da Linha 4 e permanecem armazenadas na área da Leopoldina. Caso parte delas seja levada para Japeri e posteriormente volte a ser necessária em alguma obra metroviária, seria necessário realizar um novo deslocamento do material.

Na prática, isso poderia representar uma etapa adicional de transporte, movimentação e custos, dependendo do destino final e da necessidade de reutilização das estruturas.

Por isso, a definição de um local para armazenamento temporário não deve considerar apenas a disponibilidade de área, mas também acesso, segurança, capacidade estrutural, logística de transporte, custos de movimentação e a possibilidade de reutilização futura do material.

Ocupações também interferem na escolha da área

Os estudos anteriores sobre a área de Japeri revelaram ainda um problema que antecede a discussão atual sobre as aduelas: a ocupação irregular e a perda de área potencialmente disponível para uso ferroviário.

Relatórios produzidos pela própria RIOTRILHOS em 2021 já registravam construções e ocupações na região conhecida como “Bota-Fora”, além de descarte de resíduos, acessos irregulares e dificuldades de fiscalização e conservação do espaço.

A vistoria realizada em agosto de 2026 voltou a identificar residências dentro da área analisada, reduzindo significativamente o espaço que poderia ser utilizado para armazenamento.

O histórico é relevante porque demonstra que a escolha de uma área para receber as aduelas não depende exclusivamente de encontrar um terreno fisicamente amplo. A situação fundiária, a segurança, o controle de acesso e as condições de utilização do espaço também precisam ser considerados.

Próximos passos

Com a Portaria publicada, a RIOTRILHOS formalizou uma etapa específica para tratar do problema. O Grupo de Trabalho deverá estudar as alternativas e apresentar suas conclusões à Presidência da companhia.

Por enquanto, portanto, permanecem em aberto questões fundamentais: para onde as aduelas serão levadas, se permanecerão armazenadas em área pública, se serão transferidas para outro local ou se parte delas poderá ser colocada à venda em leilão.

A publicação do Diário Oficial não define o destino do material, mas confirma que a RIOTRILHOS passou a tratar formalmente o assunto como uma questão que exige uma solução, em razão tanto da necessidade de liberar o terreno da Estação Barão de Mauá quanto da demanda judicial mencionada no próprio ato.


Fonte: Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro, Portaria RIOTRILHOS nº 203, de 24 de setembro de 2026.
Imagem de capa: O Globo

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