Ação da AGETRANSP na estação Central do Brasil detecta diversas irregularidades
Vistoria realizada na principal estação ferroviária do Rio identificou atraso de 34 minutos, infiltrações e fiação elétrica exposta; passageiros também relataram problemas nos banheiros
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A Central do Brasil, principal terminal ferroviário da cidade do Rio de Janeiro, foi alvo de uma força-tarefa de fiscalização da Agetransp na última quinta-feira, 1º de outubro. Durante a vistoria, técnicos da agência reguladora identificaram problemas relacionados à operação dos trens, atendimento aos passageiros, conservação da infraestrutura e segurança das instalações.
A inspeção ocorreu nas dependências da estação ferroviária operada pela TrensRJ e integrou o cronograma de acompanhamento dos serviços de transporte público regulados pelo Estado. Entre os problemas registrados pelos fiscais estão um atraso de 34 minutos em uma partida do ramal Gramacho, formação de filas nas bilheterias destinadas a idosos, pontos de infiltração no teto da gare Dom Pedro II e fiação elétrica exposta em um acesso aos depósitos localizados no subsolo.
Além da fiscalização técnica, a Ouvidoria da Agetransp realizou uma ação junto aos usuários nas plataformas, distribuindo materiais sobre os direitos dos passageiros e ouvindo reclamações relacionadas ao funcionamento da estação.
Atraso de 34 minutos no ramal Gramacho
Um dos problemas registrados durante a fiscalização foi identificado na operação ferroviária. Segundo a Agetransp, os fiscais registraram uma partida do ramal Gramacho com atraso de 34 minutos, ultrapassando o intervalo previsto para aquele período.
A ocorrência foi registrada pelos agentes durante a própria vistoria e deverá integrar a documentação produzida pela agência. O registro de atrasos faz parte do acompanhamento da prestação do serviço ferroviário e pode ser utilizado nos procedimentos regulatórios destinados a verificar o cumprimento dos parâmetros estabelecidos para a operação.
A constatação ocorreu em uma estação que concentra as partidas e chegadas de diferentes ramais da rede ferroviária metropolitana. Por isso, alterações na regularidade das partidas da Central podem ter reflexos sobre passageiros que dependem das conexões ferroviárias para chegar a diferentes municípios da Região Metropolitana.
A fiscalização, contudo, registra a ocorrência observada naquele momento específico. A avaliação sobre eventual descumprimento de obrigações regulatórias dependerá do processo administrativo e da análise dos documentos e registros correspondentes.
Filas nas bilheterias destinadas aos idosos
Outro ponto observado pelos fiscais foi relacionado ao atendimento e à acessibilidade dos passageiros idosos.
Segundo a Agetransp, foram encontradas grandes filas nas bilheterias destinadas ao público idoso, que precisa retirar diariamente um bilhete para ter acesso às plataformas por meio das catracas.
A situação foi registrada pela equipe durante a fiscalização e incluída entre os problemas encontrados na estação. A existência de filas em um ponto de atendimento específico pode representar dificuldade adicional para passageiros que já dependem de procedimentos diferenciados para acessar o sistema ferroviário.
A questão também se relaciona ao funcionamento dos mecanismos de gratuidade e atendimento ao usuário. A própria TrensRJ mantém atualmente um posto fixo de atendimento presencial na Central do Brasil, funcionando diariamente das 8h às 20h, para manifestações e serviços previstos pela legislação estadual.
Infiltrações no teto da gare Dom Pedro II
A fiscalização também identificou problemas na infraestrutura da estação. Entre eles estão pontos de infiltração no teto da gare Dom Pedro II, estrutura que cobre a área de embarque e circulação da Central.
A presença de infiltrações em uma estação ferroviária de grande circulação envolve não apenas uma questão estética ou de conservação. Dependendo de sua localização e extensão, problemas desse tipo podem afetar elementos construtivos, instalações elétricas e demais componentes da infraestrutura.
A Agetransp registrou a ocorrência durante a inspeção, e o problema deverá ser analisado dentro dos procedimentos regulatórios decorrentes da fiscalização.
A conservação das instalações é um dos aspectos acompanhados pela agência durante suas ações de campo. Em agosto, por exemplo, equipes da Agetransp realizaram fiscalização no Centro de Manutenção de Deodoro, verificando itens relacionados à manutenção preventiva e corretiva da frota da TrensRJ.
Fiação elétrica exposta no subsolo
Um dos pontos considerados de maior atenção pela fiscalização foi a identificação de fiação elétrica exposta em um dos acessos aos depósitos situados no subsolo da estação.
Por envolver uma instalação elétrica localizada em área de circulação ou acesso às dependências operacionais, a situação foi registrada pela equipe como um problema relacionado à segurança.
A constatação não significa, por si só, que tenha ocorrido um acidente ou que exista risco iminente a todos os usuários da estação. Trata-se de uma irregularidade identificada durante uma inspeção e que deverá ser avaliada no âmbito dos procedimentos técnicos e regulatórios da agência.
Esse cuidado na classificação é importante porque a fiscalização e a aplicação de eventual penalidade são etapas distintas. Primeiro são registrados os fatos; posteriormente, os órgãos competentes analisam as evidências e a responsabilidade da empresa regulada, observando o procedimento administrativo aplicável.
Ouvidoria ouviu reclamações dos passageiros
Enquanto os fiscais realizavam a inspeção técnica, uma equipe da Ouvidoria da Agetransp permaneceu nas plataformas da Central do Brasil para orientar passageiros e distribuir materiais explicativos sobre seus direitos.
A ação permitiu que a agência também recolhesse manifestações diretamente dos usuários do sistema ferroviário.
De acordo com os relatos registrados pela Ouvidoria durante a operação, o principal foco de insatisfação apresentado pelos passageiros foi relacionado à limpeza e conservação dos banheiros da estação.
A escuta direta dos usuários complementa a fiscalização técnica. Enquanto os fiscais verificam itens determinados previamente ou identificados durante a inspeção, a Ouvidoria permite incorporar à análise problemas percebidos no cotidiano por quem utiliza o serviço.
A Agetransp mantém canais próprios para reclamações, denúncias, solicitações e outras manifestações relacionadas aos transportes regulados. A agência também vem realizando ações de Ouvidoria e fiscalização em diferentes pontos do sistema ferroviário fluminense.
Fiscalização ocorre em meio ao acompanhamento da TrensRJ
A vistoria da Central do Brasil integra um conjunto mais amplo de ações realizadas pela Agetransp sobre o sistema ferroviário desde a entrada da TrensRJ como nova operadora.
A empresa assumiu oficialmente a operação do sistema ferroviário fluminense em 30 de maio de 2026, após o encerramento da operação da antiga SuperVia. Desde então, a Agetransp afirma manter o acompanhamento e a fiscalização dos serviços prestados pela nova operadora.
Em 17 de setembro, por exemplo, uma fiscalização na estação Méier encontrou seis escadas rolantes fora de operação. Na ocasião, a agência determinou que a TrensRJ apresentasse um cronograma para a recuperação dos equipamentos e exigiu medidas relacionadas à sinalização e às rotas alternativas para passageiros com mobilidade reduzida.
Também foram realizadas inspeções no Centro de Manutenção de Deodoro, com atenção à manutenção da frota e aos sistemas relacionados à captação de energia, freios, ar-condicionado e circulação entre os carros.
A sequência de fiscalizações demonstra que o acompanhamento da nova operadora não está restrito à circulação dos trens. Estações, equipamentos, infraestrutura e atendimento aos passageiros também integram o trabalho de fiscalização.
Próximos passos serão definidos em processos regulatórios
Os registros produzidos durante a fiscalização da Central do Brasil serão transformados em processos regulatórios, conforme informou a Agetransp.
Isso significa que os problemas identificados durante a vistoria ainda passarão pelas etapas administrativas correspondentes. A partir dos relatórios técnicos e demais documentos, a agência poderá avaliar as medidas cabíveis, incluindo a eventual aplicação de sanções e penalidades à TrensRJ.
A possibilidade de penalização, portanto, não deve ser confundida com uma penalidade já aplicada. Neste momento, o que existe é o registro das ocorrências pela agência reguladora e a previsão de abertura ou encaminhamento dos respectivos procedimentos regulatórios.
A distinção é relevante especialmente em casos envolvendo empresas responsáveis por serviços públicos essenciais. A fiscalização tem justamente a função de identificar possíveis desconformidades, documentá-las e submetê-las aos procedimentos previstos na regulação.
Central do Brasil permanece como ponto crítico da rede
A fiscalização realizada em 1º de outubro coloca novamente a Central do Brasil no centro da discussão sobre as condições de operação e infraestrutura do sistema ferroviário do Rio de Janeiro.
Como principal terminal da rede na capital, a estação reúne diariamente passageiros provenientes de diferentes ramais e municípios. A qualidade do atendimento, a conservação das instalações, a acessibilidade e a regularidade das partidas têm impacto direto sobre uma parcela significativa dos usuários do transporte ferroviário metropolitano.
Os problemas encontrados pela Agetransp — atraso operacional, filas, infiltrações e fiação exposta — pertencem a categorias diferentes, mas foram registrados durante uma mesma ação fiscalizatória. A eles se somam as reclamações dos passageiros sobre a conservação dos banheiros, que serão consideradas pela Ouvidoria dentro de suas atribuições.
O próximo passo será acompanhar os procedimentos regulatórios decorrentes da vistoria e verificar quais providências serão adotadas para corrigir as situações identificadas.
A fiscalização, nesse sentido, representa apenas uma etapa de um processo mais amplo: identificar o problema, formalizar a ocorrência, estabelecer as responsabilidades, determinar eventuais medidas corretivas e acompanhar sua execução. É justamente a continuidade desse processo que permitirá avaliar se os problemas encontrados na Central do Brasil serão efetivamente solucionados.
Fonte: Agetransp; TrensRJ.
