Remoção dos bondes históricos da Leopoldina entra em fase operacional; transporte seguirá pela Avenida Brasil até Deodoro

Remoção dos bondes históricos da Leopoldina entra em fase operacional; transporte seguirá pela Avenida Brasil até Deodoro

Cinco bondes de Santa Teresa serão retirados da Estação Barão de Mauá em uma operação que envolve guindastes, carretas especiais e escolta; imagens flagram início da movimentação, documentos indicam o percurso e onde os veículos deverão ser armazenados em Deodoro

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A retirada dos cinco bondes históricos de Santa Teresa que estão armazenados na Estação Barão de Mauá, na Leopoldina, entrou na fase operacional. Registros realizados por um dos membros Trilhos do Rio nesta terça-feira (18) mostram a presença de equipamento de içamento e carreta no pátio da estação, indicando o início da movimentação física dos veículos. A operação vinha sendo preparada desde julho pela Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística (CENTRAL) e pela empresa contratada para executar a remoção.

Remoção dos bondes históricos da Leopoldina entra em fase operacional; transporte seguirá pela Avenida Brasil até Deodoro
Imagem exclusiva: Edson Vander Teixeira / Trilhos do Rio
Remoção dos bondes históricos da Leopoldina entra em fase operacional; transporte seguirá pela Avenida Brasil até Deodoro
Imagem exclusiva: Edson Vander Teixeira / Trilhos do Rio
Remoção dos bondes históricos da Leopoldina entra em fase operacional; transporte seguirá pela Avenida Brasil até Deodoro
Imagem exclusiva: Edson Vander Teixeira / Trilhos do Rio

Os cinco bondes serão transportados para o Complexo Ferroviário de Deodoro, na Rua João Vicente, onde deverão permanecer armazenados em área coberta. A documentação administrativa e técnica analisada por Trilhos do Rio mostra que a operação envolve não apenas a retirada dos veículos, mas uma série de procedimentos destinados a reduzir os riscos de danos aos bens históricos durante o içamento, o transporte rodoviário e o descarregamento.

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Os veículos são os bondes nº 01, 02, 03, 06 e 07, todos do modelo Bataclan e fabricados em 1896. Os cinco são tombados pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC) no processo E-03/31.269/83. Segundo a documentação, eles foram reformados mas nunca voltaram às ruas por questões técnicas, permanecendo por anos fora de operação e desde então ficando expostos às intempéries na Leopoldina.

Operação foi preparada desde julho

A CENTRAL celebrou em 17 de julho o Contrato nº 006/CENTRAL/2026, em caráter emergencial, para executar os serviços de remoção, içamento, carregamento, transporte e armazenamento dos bens ferroviários existentes na Estação Barão de Mauá. O contrato inclui os cinco bondes, além de outros equipamentos ferroviários, conforme informado aqui no site Trilhos do Rio.

Processo sigiloso indica transferência de material ferroviário da Leopoldina para Deodoro

Em 29 de julho, a empresa Central de Logística Ltda. comunicou formalmente à CENTRAL o início da etapa de desmobilização e retirada. O conjunto de bens previsto na operação inclui ainda uma locomotiva ALCO RS-3, um vagão Fueiro FNP, quatro carros TUE Série 400, dois guindastes ferroviários Plural e dois cofres de ferro.

O planejamento específico para os bondes prevê que cada unidade, com peso aproximado entre 11 e 12 toneladas, tenha cerca de 9 metros de comprimento, 2,05 metros de largura e 3,44 metros de altura. O içamento será realizado por guindaste móvel, enquanto o transporte será feito por cavalo mecânico e carreta prancha compatíveis com a carga.

Remoção dos bondes históricos da Leopoldina entra em fase operacional; transporte seguirá pela Avenida Brasil até Deodoro
Divulgação CENTRAL Logística

Antes da saída, a carga deverá ser acomodada em berços e travada com correntes, calços e outros dispositivos. O plano também prevê teste de içamento entre 10 e 20 centímetros para verificar equilíbrio, centro de gravidade e estabilidade antes da elevação completa.

Rota passa pela Avenida Brasil

O plano de transporte estabelece que a carreta deixará a Estação Barão de Mauá pela Avenida Francisco Bicalho, seguindo inicialmente no sentido Centro.

Nas proximidades da área da Prefeitura e do Centro Administrativo, está previsto um contorno para retorno à própria Francisco Bicalho. A partir daí, o conjunto deverá acessar o elevado e seguir em direção à Avenida Brasil.

Pela Avenida Brasil, a carga seguirá pela rota autorizada até a via de acesso ao Complexo Ferroviário de Deodoro, chegando à Rua João Vicente e ao portão da Central de Trens. O documento ressalta que os acessos e retornos deverão obedecer ao itinerário aprovado pelos órgãos de trânsito e que o motorista não poderá alterar a rota por iniciativa própria.

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Percurso traçado de acordo com informações fornecidas – e ajustadas, pois aparentemente o processo será complexo tanto na saída quanto na chegada e nas manobras em alguns pontos, como na Avenida Presidente Vargas e nas imediações de Deodoro – Imagem: Google Earth – Arte Trilhos do Rio

Durante o deslocamento, estão previstas escolta, comunicação permanente por rádio, sinalização regulamentar e velocidade operacional limitada a 30 km/h ou menos, conforme as condições da via e as determinações da autoridade de trânsito.

A própria composição utilizada no transporte poderá alcançar aproximadamente 18,78 metros de comprimento, 3 metros de largura e 4,40 metros de altura. Por isso, o plano determina verificações de gabarito em viadutos, passarelas e outros pontos do percurso.

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Onde os bondes serão colocados em Deodoro

O destino dos veículos já está definido: o Complexo Ferroviário de Deodoro, administrado pela CENTRAL. O que a documentação ainda não estabelece é qual dos galpões será utilizado definitivamente.

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Localização dos galpões vistoriados e escolhidos para acomodar os Bondes que serão realocados da estação Barão de Mauá – Imagem: divulgação CENTRAL Logística

Uma vistoria técnica examinou três galpões do setor denominado XM5, área onde ficavam diversos carros ferroviários aguardando destinação: os galpões G1, G2 e G3. O relatório concluiu que os três apresentam condições razoáveis para receber os bondes e possuem áreas cobertas.

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Interior do Galpão G1 – Imagem: divulgação CENTRAL Logística

O G1 apresenta pequenos pontos de infiltração no telhado, além de prateleiras e uma parede com medidor de energia próxima ao acesso. O G2 também possui pontos de infiltração e mantém caixas armazenadas em seu interior. Já o G3 possui caixas e prateleiras e acessos com passagem de aproximadamente 4,30 metros de largura.

O relatório considera que, apesar das adequações necessárias, os três galpões oferecem proteção contra chuva, radiação solar, umidade e outros agentes climáticos. A conclusão é que a transferência para uma área coberta representa, sob esse aspecto, uma condição mais adequada do que a situação atualmente encontrada na Leopoldina.

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Interior do Galpão G3 – Imagem: divulgação CENTRAL Logística

O INEPAC determinou, entretanto, que os cinco bondes sejam mantidos juntos, não podendo ser distribuídos em locais diferentes, mesmo que dentro do mesmo complexo.

INEPAC passou a não se opor à transferência

A movimentação dos bondes envolve também uma questão de preservação patrimonial. Inicialmente, o INEPAC solicitou documentos adicionais antes de se posicionar sobre a transferência, incluindo informações sobre a empresa contratada, seguro da operação e as condições físicas e de segurança do local de destino.

A CENTRAL apresentou a documentação complementar em agosto, incluindo o relatório de vistoria de Deodoro, portfólio da empresa contratada, registros de operações anteriores, ART, apólices de seguro e demais documentos técnicos.

Em manifestação técnica de 14 de agosto, o INEPAC passou a se declarar favorável à movimentação, registrando um “nada a opor” ao procedimento. A manifestação, porém, veio acompanhada de condições: o Instituto deverá ser previamente comunicado da data da operação, os bondes deverão permanecer juntos, o galpão deverá receber tratamento para eliminar goteiras e infiltrações e deverão ser previstos equipamentos de combate a incêndio. Também deverão ser garantidos o acesso do INEPAC ao local e o acompanhamento periódico das condições dos veículos.

A manifestação técnica também indica a apresentação do assunto ao Conselho Estadual de Tombamento, razão pela qual a autorização patrimonial não deve ser descrita simplesmente como uma liberação irrestrita.

Remoção ocorre em meio a determinação judicial

A retirada dos bens está relacionada ao cumprimento de decisão judicial envolvendo a Estação Leopoldina. Segundo a CENTRAL, o descumprimento da determinação está sujeito a multa diária de R$ 30 mil, o que levou a companhia a adotar medidas administrativas, contratuais e operacionais para realizar a retirada.

Ao mesmo tempo, os documentos mostram que a transferência dos bondes não representa apenas uma mudança de endereço. A permanência prolongada na Leopoldina já havia sido apontada pelo INEPAC como fator de degradação dos veículos.

Em Deodoro, a intenção é que os cinco bondes sejam colocados sob cobertura, com posterior adequação do espaço para que não sejam apenas depositados, mas acondicionados de maneira compatível com sua condição de patrimônio histórico.

A CENTRAL Logística produziu um parecer sobre os locais onde os bondes poderão ficar armazenados, de acordo com as imagens a seguir:

Remoção dos bondes históricos da Leopoldina entra em fase operacional; transporte seguirá pela Avenida Brasil até Deodoro

Remoção dos bondes históricos da Leopoldina entra em fase operacional; transporte seguirá pela Avenida Brasil até Deodoro
Divulgação CENTRAL Logística

Assim, enquanto os equipamentos começam a ocupar o pátio da Leopoldina para dar início à retirada, permanece uma etapa importante: a transferência efetiva dos cinco bondes até Deodoro e sua instalação definitiva no galpão que será preparado para recebê-los.

Até o momento, a documentação analisada não permite afirmar que a transferência dos cinco veículos já tenha sido efetivada e concluída. O que está documentado é que a operação foi contratada, planejada e autorizada sob condições patrimoniais, enquanto o flagrante realizado pelo Trilhos do Rio indica que a movimentação física finalmente começou.

E não se esqueça: se possível faça seu registro deste momento e nos envie! Entre para a história dos Trilhos!

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Fonte: documentos governamentais, CENTRAL Logística, empresa COL – Central de Logística Ltda, Edson Vander Teixeira
Imagem de capa: Edson Vander Teixeira

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