A empresa escolhida para retirar material ferroviário da Leopoldina por R$ 2,87 milhões foi fundada em 2022

A empresa escolhida para retirar material ferroviário da Leopoldina por R$ 2,87 milhões foi fundada em 2022

COL – Central de Logística venceu pesquisa de preços com a menor das cinco propostas consideradas válidas. Apesar de ser uma empresa recentemente aberta, documentação mostra análise de capacidade técnica, diligência presencial e investigação de integridade antes da contratação

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A empresa COL – Central de Logística Ltda., também identificada comercialmente como CENTRALOG, foi contratada pela Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística (CENTRAL), vinculada ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, para realizar a retirada de parte do material ferroviário existente na Estação Barão de Mauá, a antiga Leopoldina, e transportá-lo para o Complexo Ferroviário de Deodoro.

O contrato tem valor de R$ 2,87 milhões e prevê a execução de uma operação que envolve remoção, içamento, carregamento, transporte rodoviário especial, descarregamento e posicionamento de 15 bens ferroviários de grande porte. A contratação ocorreu em caráter emergencial, dentro dos processos legais e da urgência que a atividade demandava.

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A escolha da empresa ocorreu após uma pesquisa de preços realizada pela CENTRAL, que recebeu cinco propostas comerciais consideradas válidas. A COL apresentou o menor valor entre elas: R$ 2,87 milhões, abaixo da média de R$ 3,111 milhões calculada pela companhia.

Mas o processo administrativo mostra que a escolha não se resumiu à comparação dos preços. A documentação registra análises de capacidade técnica, diligências complementares e uma avaliação de integridade da empresa antes da formalização da contratação.

Quem é a empresa contratada

A COL – Central de Logística Ltda. possui CNPJ 45.403.421/0001-00 e aparece no processo administrativo com o nome fantasia CENTRALOG – Central de Logística.

De acordo com os documentos cadastrais anexados ao processo, a empresa tinha situação cadastral ativa e capital social de R$ 400 mil em junho de 2026. Seu quadro societário era formado por dois sócios, cujo nomes manteremos em sigilo por questões de privacidade, ambos registrados como sócios-administradores.

A empresa teve seus atos constitutivos arquivados em 22 de fevereiro de 2022, o que significa que, no momento da contratação, possuía pouco mais de quatro anos de existência formal.

A documentação também mostra que um dos sócios é apresentado no site da empresa como seu CEO e fundador. Uma diligência realizada pela própria CENTRAL comparou essa informação com os registros oficiais e apontou compatibilidade entre a identificação apresentada no site e o quadro societário consultado na Receita Federal.

Área de atuação

Entre as atividades econômicas registradas pela empresa estão serviços de operação e fornecimento de equipamentos para transporte e elevação de cargas e pessoas, serviços de engenharia, obras de terraplenagem, montagem industrial e locação de meios de transporte.

A empresa também possui registro no CREA-RJ, com uma engenheira civil, cujo nome também manteremos em sigilo, como responsável técnica. A engenheira civil está registrada no conselho desde 2019 e foi vinculada à empresa como responsável técnica em 2024.

Uma empresa relativamente jovem para uma operação complexa

A idade da empresa chama atenção porque a operação para a qual foi contratada envolve bens ferroviários históricos e equipamentos de grande porte, incluindo uma locomotiva de aproximadamente 110 toneladas e um vagão de cerca de 90 toneladas.

A documentação, entretanto, mostra que a CENTRAL não considerou apenas a idade da empresa, mas, obviamente, pela capacidade e competência demonstradas em operações anteriores.

Durante o processo de contratação foram apresentados atestados de capacidade técnica referentes a serviços anteriores relacionados à movimentação e utilização de equipamentos como guindastes, caminhões Munck e outros equipamentos de elevação.

Em determinado momento, a documentação apresentada gerou a necessidade de esclarecimentos quanto à comprovação da capacidade técnica da empresa. Posteriormente, a COL apresentou novos atestados emitidos em seu próprio nome.

Após essa complementação, a área técnica da CENTRAL considerou atendidas as exigências relativas à capacidade técnica para a contratação.

Portanto, os documentos permitem afirmar que houve uma etapa de diligência e complementação documental antes da contratação, e não que a empresa tenha sido automaticamente considerada habilitada desde o primeiro momento.

CENTRAL fez diligência presencial na empresa

Outro ponto revelado pelo processo é que a Administração realizou diligências para verificar a estrutura da empresa.

O endereço fiscal registrado no CNPJ ficava em São João de Meriti. Na documentação da contratação, entretanto, a empresa também apresentou endereço operacional na região do Parque Colúmbia, na Pavuna.

O site da empresa indicava outro endereço próximo.

Diante da diferença entre as informações, a Diretoria de Engenharia e Operação da CENTRAL decidiu realizar uma diligência presencial.

A empresa escolhida para retirar material ferroviário da Leopoldina por R$ 2,87 milhões foi fundada em 2022
Imagem registrada nas instalações da empresa – Imagem: CENTRAL Logística

Em 8 de julho de 2026, uma equipe técnica esteve inicialmente em um endereço próximo. Segundo o relatório, moradores informaram que a empresa havia funcionado anteriormente naquele local e posteriormente se transferido para o local atual.

A equipe então foi ao segundo endereço, onde constatou o funcionamento da COL.

Segundo o relatório administrativo, a inspeção visual encontrou uma estrutura considerada, em princípio, compatível com atividades relacionadas à remoção, içamento, transporte e posicionamento de bens ferroviários de grande porte.

A ressalva “em princípio” é importante: trata-se da conclusão da equipe que realizou a diligência e não de uma certificação independente da capacidade operacional da empresa.

Empresa também passou por Due Diligence de Integridade

Antes da contratação, a CENTRAL realizou ainda uma Due Diligence de Integridade (DDI) sobre a COL.

O relatório, datado de 7 de julho de 2026, teve entre seus objetivos analisar:

  • estrutura societária;
  • situação cadastral;
  • endereço comercial;
  • estrutura organizacional;
  • controles internos;
  • programa de integridade;
  • atividades econômicas;
  • situação tributária;
  • situação administrativa;
  • situação trabalhista e previdenciária;
  • eventuais débitos e ocorrências.

A diligência complementar realizada pela área de engenharia surgiu, inclusive, a partir de informações constantes desse relatório.

Um dos pontos esclarecidos foi a existência do site da empresa, que não havia sido localizado na primeira verificação. A DIREO encontrou posteriormente o domínio centralog.com.br e verificou que o site apresentava um dos sócios como CEO e fundador, como dito anteriormente.

O processo consultado também registra diligências sobre a localização física da empresa.

Essas informações são importantes porque mostram que a contratação foi precedida por procedimentos de verificação cadastral, integridade, capacidade técnica e estrutura operacional.

Como a empresa foi escolhida

A contratação não ocorreu por meio de uma licitação convencional com disputa entre empresas.

A CENTRAL abriu uma pesquisa de preços para uma contratação emergencial, identificada como Pesquisa de Preços nº 04396/2026 – SIGA/RJ.

A especificidade do serviço levou a companhia a procurar empresas capazes de atuar com:

  • movimentação de cargas especiais;
  • içamento de equipamentos de grande porte;
  • transporte de material ferroviário;
  • cargas superdimensionadas;
  • cargas indivisíveis;
  • serviços de guindaste;
  • rigging;
  • transporte de equipamentos pesados.

A CENTRAL enviou solicitações de propostas para diversas empresas especializadas.

Uma visita técnica à Estação Barão de Mauá também foi organizada para que as empresas interessadas pudessem conhecer as condições do local e dos bens antes de apresentar seus preços. A visita foi marcada para 26 de junho de 2026.

Cinco propostas foram consideradas válidas

Ao final da pesquisa, cinco propostas comerciais foram consideradas aptas para a comparação:

Empresa Proposta
COL – Central de Logística Ltda. R$ 2.870.000,00
JRS Caetano Transportes R$ 2.930.420,00
Transportadora Jeová Shammah R$ 3.050.000,00
Green Sea Serviços e Engenharia R$ 3.120.000,00
Expresso Muriqui Ltda. R$ 3.587.640,00

A média das cinco propostas foi calculada em R$ 3.111.612,00.

A proposta da COL ficou R$ 241.612 abaixo da média, representando, segundo o relatório da CENTRAL, uma economia aproximada de 7,76% em relação à média das propostas pesquisadas.

Não foi apenas o menor preço

O processo administrativo registra que a área técnica analisou as propostas e concluiu que o valor apresentado pela COL era o menor entre aqueles considerados válidos. Mas o relatório também afirma que a proposta contemplava as exigências técnicas previstas no Termo de Referência, incluindo equipamentos especializados, seguros, licenças, planejamento técnico e responsabilidade pela execução dos serviços.

Depois de uma recomendação jurídica para que a CENTRAL verificasse se as empresas haviam considerado os mesmos elementos na composição dos preços, a área técnica solicitou às participantes propostas comerciais detalhadas.

Segundo a CENTRAL, as empresas responderam à solicitação e mantiveram os valores originalmente apresentados. O detalhamento permitiu à companhia comparar a composição dos custos e verificar a compatibilidade das propostas com o objeto contratado.

Assim, documentalmente, a justificativa para a escolha da COL reúne dois elementos principais:

menor preço entre as propostas consideradas válidas + atendimento às exigências técnicas.

O que a empresa terá de fazer

A contratação não se limita a transportar os veículos ferroviários.

O objeto inclui a operação completa de:

  • remoção;
  • içamento;
  • carregamento;
  • transporte rodoviário especial;
  • descarregamento;
  • posicionamento dos bens.

A operação deverá ser realizada em regime “chave na mão”, incluindo equipamentos, mão de obra, transporte, licenças, seguros e documentação técnica.

Entre os bens estão cinco bondes históricos, uma locomotiva ALCO RS-3, um vagão Fueiro FNP, quatro carros TUE Série 400, dois guindastes ferroviários Plural e dois cofres de ferro, como publicado aqui no site Trilhos do Rio.

Processo sigiloso indica transferência de material ferroviário da Leopoldina para Deodoro

Uma contratação emergencial

A escolha da empresa ocorreu dentro de uma contratação emergencial, fundamentada no artigo 29, inciso XV, da Lei Federal nº 13.303/2016, conforme os documentos do processo.

O caráter emergencial está relacionado ao prazo para cumprimento das determinações envolvendo a retirada dos bens da Estação Barão de Mauá.

A documentação também mostra que a contratação foi submetida à análise jurídica e passou por recomendações e diligências antes da sua conclusão.

Em 6 de julho, por exemplo, a Superintendência de Administração solicitou que a área técnica confirmasse formalmente que a COL atendia aos requisitos de qualificação previstos no Termo de Referência.

A análise foi posteriormente complementada com os novos atestados apresentados pela empresa.

O que a documentação permite concluir

A documentação analisada permite afirmar que a COL – Central de Logística Ltda. foi escolhida por apresentar o menor preço entre cinco propostas consideradas válidas, no valor de R$ 2,87 milhões.

Também é possível afirmar que a contratação passou por diferentes etapas de verificação, incluindo:

  • pesquisa de preços;
  • visita técnica;
  • análise das propostas;
  • solicitação de detalhamento dos custos;
  • verificação da capacidade técnica;
  • apresentação de novos atestados;
  • Due Diligence de Integridade;
  • diligência sobre os endereços da empresa;
  • inspeção presencial de sua estrutura operacional.

Por outro lado, a documentação não permite concluir que a COL tenha sido escolhida exclusivamente por sua experiência ferroviária. Os documentos demonstram que foram considerados sua capacidade técnica para o objeto e suas atividades relacionadas a movimentação e elevação de cargas, mas não encontramos, nesta etapa, evidência de que a empresa tenha histórico específico anterior de transporte de material ferroviário histórico comparável à operação da Leopoldina.

E a retirada já começou?

Apesar de a documentação registrar o início da execução contratual e das atividades preparatórias, isso não deve ser confundido com a confirmação de que os bens já tenham sido fisicamente retirados da Estação Barão de Mauá.

Em documentos posteriores, ainda aparecem questões relacionadas ao acesso ao pátio da Leopoldina e à necessidade de avaliação técnica dos bens.

Assim, até o conjunto documental analisado por Trilhos do Rio, não há comprovação suficiente para afirmar que os 15 bens já tenham sido efetivamente transportados para Deodoro. Ao contrário, em futuros textos detalharemos mais informações sobre este processo, desde os equipamentos que serão utilizados até os possíveis percursos desta tranferência de material da Leopoldina para Deodoro.


Fontes: Processo administrativo da Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística (CENTRAL) | Pesquisa de Preços nº 04396/2026 – SIGA/RJ | Proposta técnico-comercial da COL – Central de Logística Ltda., de 24 de junho de 2026 | Relatório de pesquisa de preços e análise comparativa das propostas | Relatório de Due Diligence de Integridade da COL | Relatórios de diligência complementar e inspeção presencial | Documentos de qualificação e atestados de capacidade técnica | Documentação cadastral e quadro societário da empresa | Documentação do CREA-RJ relativa à responsável técnica.
Imagem de capa: Divulgação CENTRAL Logística, relatório fotográfico gerado a partir de visita à empresa COL.

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