EF-118 desperta interesses nacionais e internacionais e leilão pode ser ainda em 2026

EF-118 desperta interesses nacionais e internacionais e leilão pode ser ainda em 2026

Previsão é que edital para leilão do projeto saia até julho, segundo ministro dos Transportes

Com informações de Letícia Orlandi, d’A Gazeta
Imagem de capa: ANTT

A futura Ferrovia EF-118, considerada um dos mais importantes projetos de infraestrutura ferroviária em desenvolvimento no Brasil, começa a atrair o interesse de grandes grupos nacionais e internacionais. Segundo informações publicadas pelo jornal A Gazeta, do Espírito Santo, o edital para a concessão da ferrovia poderá ser lançado até o próximo mês, após a conclusão da análise atualmente em andamento no Tribunal de Contas da União (TCU).

Conhecida também como Anel Ferroviário do Sudeste, a EF-118 foi concebida para estabelecer uma ligação estratégica entre os estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro, criando um novo corredor logístico capaz de integrar portos, polos industriais e regiões produtoras de commodities em uma das áreas economicamente mais importantes do país.

De acordo com o Ministério dos Transportes, ao menos quatro grupos empresariais já acompanham o projeto e avaliam participação no futuro leilão. Entre os interessados estariam a empresa espanhola Acciona, a estatal chinesa Power China e um consórcio nacional formado pelas empresas 4UM Investimentos e Opportunity.

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A movimentação demonstra a relevância econômica do empreendimento, que poderá transformar a logística de cargas no Sudeste brasileiro ao criar uma alternativa ferroviária moderna para o transporte de minérios, produtos agrícolas, fertilizantes, combustíveis e cargas gerais.

Segundo o ministro dos Transportes, George Santoro, a nova ferrovia terá papel fundamental no fortalecimento da infraestrutura nacional e no desenvolvimento de novos investimentos industriais ao longo de seu corredor logístico.

Em publicação citada pela reportagem de A Gazeta, o ministro destacou que a EF-118 poderá contribuir para projetos estratégicos ligados à produção de fertilizantes e ao desenvolvimento industrial em importantes polos econômicos do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.

Entre os empreendimentos diretamente beneficiados estão o Complexo Portuário do Açu, no Norte Fluminense, o Porto Central, em Presidente Kennedy, o porto da Imetame, no Espírito Santo, além do polo industrial de Boa Ventura/Comperj, em Itaboraí.

Ligação ferroviária histórica entre Rio e Espírito Santo

A implantação da EF-118 representa um passo importante para uma antiga demanda do setor ferroviário brasileiro: a criação de uma conexão ferroviária moderna ao longo do litoral entre os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo.

O projeto prevê a ligação do Porto do Açu à malha ferroviária capixaba, permitindo conexão direta com a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), uma das principais ferrovias de carga do país. A integração entre essas infraestruturas poderá reduzir custos logísticos, ampliar a competitividade dos portos da região e estimular a migração de cargas atualmente transportadas por caminhões para o transporte ferroviário, reconhecido por sua maior eficiência energética e menor impacto ambiental.

Além disso, a ferrovia poderá criar novas oportunidades para a instalação de indústrias ao longo de seu traçado, impulsionando o desenvolvimento econômico regional e atraindo investimentos privados para áreas hoje pouco exploradas sob o ponto de vista logístico.

Investimentos bilionários e grande capacidade de transporte

Segundo dados do Ministério dos Transportes citados pela reportagem, a implantação da EF-118 deverá receber investimentos estimados em R$ 6,6 bilhões. Ao longo do período de concessão, os custos operacionais projetados alcançam aproximadamente R$ 3,61 bilhões. Parte dos recursos necessários para viabilizar o empreendimento deverá vir de aportes cruzados provenientes de outras concessões ferroviárias, totalizando cerca de R$ 4,1 bilhões.

Quando estiver em operação plena, a ferrovia terá capacidade para movimentar até 24 milhões de toneladas de cargas por ano.

A infraestrutura foi planejada para atender diferentes segmentos logísticos, incluindo:

  • Minério de ferro;
  • Produtos siderúrgicos;
  • Fertilizantes;
  • Grãos e produtos agrícolas;
  • Granéis líquidos;
  • Cargas gerais;
  • Contêineres.

A diversidade de mercadorias transportadas é vista como um dos diferenciais do projeto, reduzindo a dependência de um único setor econômico e aumentando sua viabilidade financeira.

Potencial para fortalecer a malha ferroviária brasileira

A EF-118 também é considerada estratégica para a ampliação da participação ferroviária na matriz de transportes brasileira.

Atualmente, grande parte das cargas do país ainda depende do transporte rodoviário, especialmente nos corredores logísticos do Sudeste. A criação de novas conexões ferroviárias é apontada por especialistas como essencial para reduzir custos operacionais, diminuir emissões de poluentes e aumentar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.

Para os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, a nova ferrovia poderá representar uma mudança significativa na logística regional, fortalecendo portos, ampliando a integração econômica e criando um novo eixo de desenvolvimento para o Sudeste.

Caso o cronograma seja mantido, o lançamento do edital deverá ocorrer nas próximas semanas, marcando mais uma etapa importante para um projeto que poderá redefinir a movimentação de cargas entre dois dos estados mais estratégicos da economia brasileira.

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