Tem início nova etapa na construção de viaduto em Chaperó, Itaguaí

Tem início nova etapa na construção de viaduto em Chaperó, Itaguaí

Eliminação de cruzamento em nível em Itaguaí atende a uma necessidade da região esperada há muitos anos

Com informações do Diário do Rio
Imagem de capa: Jornal Atual

O anúncio do Viaduto de Chaperó, em Itaguaí, representa um dos mais importantes projetos de mobilidade urbana e segurança ferroviária previstos para a Região Metropolitana do Rio de Janeiro nos próximos anos. Após décadas de reivindicações da população local, a obra finalmente avançou para a fase preparatória e deverá ter suas intervenções iniciadas em agosto de 2026, com previsão de conclusão em julho de 2027. Segundo informações apresentadas durante audiência pública realizada na Câmara Municipal de Itaguaí, o empreendimento eliminará um dos principais gargalos históricos da região: a passagem em nível existente sobre a linha férrea da MRS Logística no distrito de Chaperó.

De acordo com o projeto apresentado por técnicos da concessionária, a intervenção substituirá o atual cruzamento ferroviário por um viaduto rodoviário, permitindo a separação definitiva entre o tráfego ferroviário e o fluxo de veículos, pedestres e ciclistas. A medida deve reduzir congestionamentos frequentes provocados pelo fechamento da passagem para circulação de trens cargueiros, além de ampliar significativamente as condições de segurança viária e operacional.

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A obra integra o pacote de investimentos assumidos pela MRS Logística no contexto da renovação antecipada de sua concessão ferroviária junto ao Governo Federal. Segundo o deputado federal Max Lemos, a concessionária ainda teria prazo de vários anos para executar a intervenção, mas o projeto acabou sendo antecipado após negociações conduzidas pela Prefeitura de Itaguaí. Durante a audiência pública, o parlamentar destacou que o município conseguiu priorizar a obra dentro do cronograma de investimentos ferroviários previstos para a região.

O prefeito Haroldinho Jesus afirmou que a antecipação do viaduto foi uma das primeiras pautas levadas à concessionária logo no início de sua gestão, em 2025. Segundo ele, o empreendimento passou a ser tratado como prioridade diante dos impactos diários enfrentados pela população de Chaperó, especialmente nos horários de maior circulação ferroviária.

O projeto prevê uma estrutura com aproximadamente 355 metros de extensão, dimensionada para suportar um fluxo de veículos muito superior ao registrado atualmente, levando em consideração o crescimento urbano e econômico da região. Além da eliminação do cruzamento ferroviário em nível, será implantado um muro de vedação ao longo da faixa ferroviária, direcionando a travessia de pedestres e ciclistas exclusivamente para áreas seguras integradas ao novo viaduto.

Os estudos apresentados pela equipe técnica da MRS incluíram levantamentos topográficos, geológicos, hidrológicos, de drenagem urbana, impacto viário e crescimento populacional da região. Segundo o engenheiro Felipe Souza, responsável técnico pela apresentação, a obra foi concebida considerando não apenas os atuais volumes de tráfego, mas também a expansão logística e industrial prevista para o município nos próximos anos.

Outro ponto destacado durante a audiência foi o impacto positivo esperado para os serviços de emergência. O tenente-coronel Scarani, representante do Corpo de Bombeiros, ressaltou que o fechamento frequente da passagem em nível compromete atualmente o tempo de resposta de ambulâncias, viaturas de resgate e equipes de socorro. Moradores relataram episódios recorrentes de retenção de veículos de emergência durante a passagem de composições ferroviárias, situação considerada extremamente crítica para uma região em expansão urbana acelerada.

A MRS também informou que serão adotadas medidas para minimizar os impactos temporários da obra durante sua execução. Segundo a concessionária, os acessos ao bairro serão mantidos ao longo das intervenções, embora possam ocorrer alterações pontuais no trânsito em determinadas etapas do cronograma.

Na área ambiental, os estudos identificaram cerca de 214 árvores diretamente afetadas pela obra. De acordo com a analista ambiental Juliana Santos, não foram encontradas espécies ameaçadas de extinção na área de intervenção, mas estão previstos programas de compensação ambiental, monitoramento contínuo e medidas de mitigação durante toda a execução do projeto.

Além da importância para a mobilidade urbana local, o empreendimento reforça um debate cada vez mais presente nas cidades cortadas por ferrovias de carga: a necessidade de eliminação gradual das passagens em nível urbanas. Em diversos municípios brasileiros, os cruzamentos ferroviários ainda representam pontos críticos de acidentes, congestionamentos e conflitos entre a expansão urbana e a operação ferroviária pesada.

No caso de Chaperó, a construção do viaduto também deverá trazer ganhos operacionais para a circulação ferroviária da própria MRS, permitindo maior fluidez dos trens sem a necessidade de interrupções constantes do tráfego urbano. A expectativa é que a obra represente um marco importante para a integração entre desenvolvimento urbano, segurança pública e modernização da infraestrutura ferroviária na Baixada Fluminense e na Costa Verde.

Segundo a concessionária, o Viaduto de Chaperó será apenas a primeira intervenção de um conjunto de obras previstas para Itaguaí dentro do programa de investimentos da renovação da concessão ferroviária. Também estão previstos novos viadutos nos bairros Amendoeira e Ary Parreiras, além de estudos para futuras estruturas na Estrada Santa Rosa.

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