Após acidente, Passagem em Nível clandestina é bloqueada em Suruí
Com informações da AEGTRANSP e Supervia / Trens RJ
Imagem de capa: divulgação AGETRANSP
Uma passagem em nível (PN) clandestina aberta irregularmente sobre a via férrea no bairro de Suruí, em Magé, foi oficialmente fechada após recomendações e ações de fiscalização envolvendo órgãos ligados ao sistema ferroviário fluminense. A informação consta em um relatório da AGETRANSP ao qual o projeto Trilhos do Rio teve acesso recentemente.


Em fevereiro ocorreu um grave acidente nesta PN, quando um automóvel tentou atravessar irregularmente a linha férrea e acabou sendo atingido por uma composição do Ramal Guapimirim. O impacto resultou em duas vítimas que estavam no veículo, sendo uma delas fatal, segundo trechos da documentação de apuração do acidente, reproduzidas abaixo:
“Acidente caracterizado por abalroamento na locomotiva por veículo leve de passeio.
A MK 2351 de prefixo UG 108 rebocava os carros U201 e U203 e era procedente da Estação Guapimirim às 16h55min e tinha como destino a Estação Saracuruna. No local identificou-se que a travessia por sobre a via férrea onde ocorreu o acidente se caracteriza por ser de origem clandestina, evidenciado pela remoção de muro de fechamento de faixa de domínio e segurança ferroviária e o asfaltamento em parte do pátio da estação passando sobre a via férrea e atingindo a rua do lado oposto à estação, cabe ressaltar que o acesso à rua se encontra com acentuadíssimo desnível com a via férrea e sem visibilidade.
A referida passagem clandestina localiza-se a 20 (vinte) metros do início da Plataforma da Estação Suruí.
(…)
A composição de prefixo UG 108 formada pela MK 2351 e carros U-201 e U-203 interrompeu sua marcha 5 (cinco) metros após a sua entrada na plataforma, percorrendo cerca de 25 (vinte e cinco) metros após a colisão na passagem de nível clandestina e arrastando junto à sua estrutura um veículo leve de passageiros.”
O acidente evidenciou novamente os riscos causados pela abertura de acessos clandestinos sobre a ferrovia, prática infelizmente recorrente em diversos trechos da malha ferroviária brasileira.
Segundo o relatório obtido, a passagem irregular vinha sendo utilizada por veículos e pedestres, apesar de não possuir qualquer estrutura de segurança operacional, sinalização adequada ou autorização oficial para funcionamento. A abertura clandestina comprometia diretamente a segurança ferroviária e aumentava significativamente o risco de colisões envolvendo trens e veículos.



Após o acidente, medidas foram intensificadas e o acesso acabou sendo fechado, buscando impedir novas travessias irregulares no local. A ocorrência reforça a necessidade de conscientização da população sobre os perigos das invasões da faixa de domínio ferroviária e da utilização de passagens improvisadas, sobretudo em linhas ainda operacionais e utilizadas diariamente pelo transporte de passageiros.
O episódio também reacende o debate sobre a importância de investimentos em infraestrutura de travessia segura, fiscalização contínua e ações educativas voltadas às comunidades localizadas próximas às ferrovias. Apesar da redução operacional de diversos ramais ferroviários ao longo das últimas décadas, os trilhos continuam ativos em várias regiões metropolitanas e exigem respeito às normas de segurança para evitar tragédias semelhantes.
