VLT até o Catumbi e prolongamento da Linha 2 do Metrô entram em debate a partir de obras da prefeitura, entenda

VLT até o Catumbi e prolongamento da Linha 2 do Metrô entram em debate a partir de obras da prefeitura, entenda

Com informações do Jornal O Globo
Imagem de capa: ANPTrilhos


A possibilidade de expansão do sistema de mobilidade sobre trilhos no Centro do Rio voltou ao debate público com o avanço do projeto “Praça Onze Maravilha”, iniciativa da Prefeitura do Rio que prevê a demolição do Elevado Trinta e Um de Março, a reurbanização da região e uma ampla reformulação urbana entre a Praça Onze, Estácio, Catumbi e Cidade Nova. Segundo reportagem do jornal O Globo, além das intervenções viárias e urbanísticas já anunciadas, também passaram a ser discutidas propostas ligadas ao transporte sobre trilhos, incluindo a expansão do VLT Carioca até o bairro do Catumbi e a conclusão da histórica ligação da Linha 2 do Metrô em direção à Praça XV, através do trecho Estácio-Carioca.

O tema vem sendo tratado dentro das emendas e diretrizes complementares analisadas pela Prefeitura e pela Câmara Municipal durante a tramitação do projeto urbanístico. Embora ainda não exista confirmação oficial sobre execução imediata das obras relacionadas ao transporte, a inclusão dessas possibilidades no debate representa um movimento importante para o futuro da mobilidade do Centro do Rio de Janeiro.

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Segundo a reportagem publicada por O Globo, o projeto Praça Onze Maravilha surgiu inicialmente com foco na demolição do Elevado 31 de Março e na criação de um novo boulevard urbano, aproveitando áreas hoje degradadas ou ocupadas por estruturas viárias consideradas obsoletas. A proposta prevê utilizar a venda de terrenos públicos liberados após a demolição para financiar as intervenções urbanísticas, cujo custo estimado gira em torno de R$ 1,75 bilhão.

No entanto, entre as emendas discutidas durante o processo legislativo, começaram a aparecer propostas relacionadas diretamente ao transporte sobre trilhos. Uma delas prevê a possibilidade de utilizar recursos do próprio projeto para auxiliar na futura conclusão da ligação Estácio-Carioca da Linha 2 do MetrôRio, obra debatida há décadas e considerada estratégica para a integração plena da malha metroviária. Atualmente, a Linha 2 opera compartilhando trilhos com a Linha 1 entre Central do Brasil e Botafogo, solução implantada provisoriamente e que acabou se tornando permanente. Estudos apontam há anos que a construção do trecho Estácio-Carioca permitiria separar operacionalmente as linhas, aumentar a capacidade do sistema e reduzir gargalos na operação metroviária da cidade.

Além do metrô, outra proposta que passou a integrar o debate urbano é a possível expansão do VLT Carioca até o Catumbi. A ampliação do sistema poderia fortalecer a integração entre a Região Portuária, Praça Onze, Cidade Nova e a região próxima ao Centro, ajudando também no processo de revitalização urbana previsto para a região. O bairro do Catumbi, historicamente importante para a ligação entre Centro e Zona Norte, há décadas sofre com degradação urbana, forte impacto viário e perda de protagonismo econômico. A chegada do VLT poderia representar um novo vetor de desenvolvimento urbano e valorização da mobilidade sustentável na região central.

Segundo O Globo, as discussões sobre mobilidade aparecem paralelamente às mudanças no projeto original da Prefeitura. A administração municipal desistiu, por exemplo, da ideia inicial de construir um grande mergulhão ao longo da Avenida Presidente Vargas em direção ao Santo Cristo. O novo entendimento prevê apenas um mergulhão localizado próximo aos acessos do Túnel Santa Bárbara, reduzindo impactos urbanísticos e simplificando a intervenção viária. O projeto também prevê novas regras urbanísticas para áreas como Praça Onze, Cruz Vermelha e Catumbi. Após críticas de moradores e especialistas, a Prefeitura aceitou rever propostas de verticalização próximas a Santa Teresa. O gabarito inicialmente previsto, que permitiria edifícios de até 30 andares, deverá ser reduzido significativamente em algumas áreas sensíveis do entorno histórico, tanto por motivos urbanísticos quanto de segurança aérea, já que a região é próxima ao aeroporto Santos Dumont.

Além disso, foram incorporadas propostas relacionadas à preservação social e cultural da região. Entre elas, medidas para impedir remoções de moradores para fora do Centro, investimentos na recuperação da Vila Operária Salvador de Sá — considerada um dos primeiros conjuntos habitacionais populares do Brasil — e garantias de que a Cidade do Samba só poderá ser transferida após a construção de um novo espaço adequado para as escolas de samba.

Embora as propostas sobre trilhos ainda estejam em fase de discussão e análise técnica, o simples fato de voltarem à pauta representa um sinal relevante para o futuro da mobilidade urbana carioca. Tanto a expansão do VLT quanto a conclusão da Linha 2 são temas debatidos há décadas por urbanistas, engenheiros e especialistas em transporte público. A revitalização da região da Praça Onze pode acabar se tornando, além de um projeto urbanístico, uma oportunidade histórica para reorganizar parte da infraestrutura de mobilidade do Centro do Rio com maior prioridade ao transporte público sobre trilhos.

Ainda segundo a reportagem publicada pelo jornal O Globo, as emendas seguem em análise pelo governo municipal e pela Câmara do Rio, podendo sofrer ajustes antes da aprovação final do projeto.

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