Uma retrospectiva de 2025 e o que poderá vir por aí em 2026
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Um ano que parecia parado — e o que poucos viram acontecendo nos bastidores
Por Daddo Moreira
Se você acha que 2025 foi ou pareceu ser um ano parado para o Departamento de Pesquisas e Projetos Trilhos do Rio, peço que leia até o fim. Porque algumas das decisões mais difíceis, e também mais importantes, aconteceram longe das câmeras e redes sociais. Quando tudo parecia travado, algo estava sendo construído
Este texto não é apenas um balanço. É um retrato honesto de um ano complexo, humano, cheio de obstáculos reais — e, ao mesmo tempo, um anúncio claro de que 2026 não será apenas um novo capítulo, mas uma virada.
Existe uma história que não aparece nas redes sociais, não vira manchete e quase nunca cabe em um post. É essa história que explica por que Trilhos do Rio chega a 2026 mais estruturado, mais conectado e mais preparado do que nunca.
E, ao longo deste texto, você vai entender exatamente por quê.
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Trilhos do Rio não é só projeto — é gente, tempo e escolhas difíceis.
2025 não foi um ano simples. Apesar das vitórias e, sobretudo, da resistência, foi longe de ser simples.
Havia planos. Muitos planos. Expedições, eventos, pesquisas de campo, encontros presenciais, visitas, produção intensa de conteúdo. Mas a realidade bateu antes. Um problema de saúde interrompeu o meu ritmo já no começo do ano, atrasou decisões e colocou tudo em suspensão por meses.
A espera por uma cirurgia não afeta apenas o corpo. Ela ocupa a cabeça, consome energia, trava agendas e cria um estado permanente de incerteza. Durante boa parte de 2025, trabalhar significava fazer o possível dentro do limite. Mesmo assim muito ainda foi feito, dentro do que era possível fazer sem maiores prejuízos.
E houve escolhas difíceis. De minha parte houve, inclusive, uma possibilidade real de uma evolução profissional fora do Rio de Janeiro. Uma mudança que poderia ter levado minha vida para outro caminho, e eu estava buscando e ainda busco algo assim como objetivo, mesmo que mantendo o movimento Trilhos do Rio à distância, o que é possível. Mas a decisão foi ficar, permanecer aqui até tudo se resolver, e permanecer com Trilhos do Rio, que de qualquer forma nunca vai acabar, seja comigo mais próximo ou mais distante. Permanecer, com o objetivo não apenas de ficar com o que já estava sendo construído, mas de produzir e alcançar ainda mais. Os momentos certos na vida sempre virão, no tempo que tem que ser.
A minha cirurgia aconteceu apenas na metade de novembro. Tarde no ano. Mas aconteceu. E a recuperação, apesar de relativamente complexa apesar de ter sido uma cirurgia simples, vem sendo positiva, consistente e cheia de esperança. Isso muda completamente o horizonte. Mas vamos falar sobre o que importa, fora do meu campo pessoal, e talvez esse seja o primeiro ponto importante deste vídeo: nem toda ausência é abandono. Muitas vezes, é resistência silenciosa.
Mesmo em um ano difícil, conquistas aconteceram — e não foram poucas
Apesar de tudo, 2025 foi um ano de conquistas concretas, especialmente graças ao vínculo e à parceria com a Associação Ferroviária Melhoramentos do Brasil, a AFMB.
Essa parceria não é apenas institucional. Ela é prática, diária e construída com confiança mútua. É dentro desse vínculo que muitas das vitórias do ano aconteceram.
Foram conseguidas doações importantes de móveis e itens ferroviários, fortalecendo o patrimônio material da associação. Itens que não são apenas objetos, mas fragmentos de memória ferroviária, agora preservados e acessíveis, permitindo a criação de espaços de memória, exposições e Centros Culturais.
Por meio do site Trilhos do Rio surgiram contatos inesperados, genuínos, vindos de pessoas que acreditam no projeto. Desses contatos vieram duas maquetes raras de ferromodelismo, peças de alto valor histórico e simbólico, que agora passam a integrar o acervo da AFMB.
Essas maquetes não chegaram por acaso. Elas chegaram porque o site já é há algum tempo visto como um canal confiável, sério e comprometido com a informação, preservação, mobilidade, e a pesquisa ferroviária.
Além disso, avançamos na estruturação dos Centros Culturais, tanto na sede da AFMB quanto em suas regionais. Contribuímos com itens para exposições, que tiveram início ainda em 2024, adentraram 2025 e finalizaram o ano consolidadas. Não como algo simbólico, mas como espaços vivos, pensados para pesquisa, preservação, memória, exposição e encontros.
Cada móvel doado, cada item incorporado ao acervo, cada espaço organizado representa um passo silencioso, porém sólido, em direção a algo maior, muito maior. E como se percebe, não apenas no mundo virtual.
Conexões que não aparecem em fotos, mas mudam o jogo
Outro avanço importante de 2025 foi o estreitamento de contatos com entidades do poder público e instituições ligadas ao setor ferroviário. Essas conversas não geram resultados imediatos apenas para redes sociais. Não rendem fotos bonitas nem frases de impacto. Mas são elas que abrem portas, constroem legitimidade e permitem que projetos avancem com base técnica, institucional e política. A parceria com a AFMB foi e está sendo fundamental para que estes objetivos sejam buscados e alcançados, juntos e se ajudando mutuamente.
Em paralelo, o Departamento de Pesquisas e Projetos Trilhos do Rio ampliou sua atuação em âmbito estadual por meio dos Núcleos de Pesquisas e Projetos Regionais, os NPEPs. Muitos membros e colaboradores, participantes destes, tem trazido muitas informações e atualizações sobre as ferrovias e suas histórias, onde quer que estejam.
Isso significa algo muito claro: Trilhos do Rio está deixando de ser uma iniciativa centralizada para se tornar uma rede. Uma estrutura capaz de olhar para diferentes regiões, diferentes realidades e diferentes demandas, sem perder coerência.
Esse movimento não é rápido. Exige organização, comunicação e confiança. Mas ele muda completamente o alcance do trabalho.
Um novo ecossistema digital: mais conteúdo, mais dinamismo, mais responsabilidade
2025 também marcou a chegada de um novo site, novas mídias e uma presença digital muito mais estruturada.
Não se trata apenas de estética. Trata-se de função.
O site Trilhos do Rio passou a concentrar mais informação, mais contexto histórico, mais artigos técnicos, mais notícias e mais dinamismo. O objetivo nunca foi volume vazio, mas consistência.
Cada publicação, tanto os artigos exclusivos, quanto as notícias, praticamente diárias, carregam uma responsabilidade: informar sem distorcer, contextualizar sem manipular, analisar sem simplificar demais.
Esse posicionamento é uma escolha. E ela cobra um preço: mais trabalho, mais cuidado e menos atalhos. Mas é exatamente isso que constrói credibilidade a médio e longo prazo.
Um grande desafio.
Como manter um projeto independente, técnico e comprometido com a verdade em um cenário cada vez mais ruidoso, polarizado e superficial?
Como falar de transporte sobre trilhos em um país onde o tema costuma aparecer apenas em ano eleitoral, muitas vezes como promessa vazia?
Como crescer em alcance sem transformar conteúdo sério em espetáculo?
Esse é um fator que atravessa o movimento Trilhos do Rio — e que orienta tudo o que vem pela frente. E está sendo enfrentado e será um obstáculo a menos em breve.
2026 começa antes do calendário virar
O ano de 2026 para nós não começa em janeiro. Ele começa agora, na verdade já começou há algum tempo.
O primeiro semestre do ano que vem já nasce intenso. Parte pelo que não foi possível realizar em 2025. Parte pelo que foi cuidadosamente planejado para este novo ciclo.
Já existe uma atividade de pesquisa e expedição aberta ao público agendada para o final de janeiro. Não como evento isolado, mas como parte de uma lógica contínua de pesquisa de campo, registro e compartilhamento, além da busca de informações visando a possibilidade de implementar um projeto futuro.
Várias atividades já estão confirmadas apenas nos primeiros seis meses do ano. Expedições, encontros, ações presenciais e iniciativas que colocam o Trilhos do Rio novamente em movimento físico, territorial e coletivo. Visitas técnicas também já estão sendo organizadas e encaminhadas, ampliando o diálogo com instituições, operadores e especialistas, além de eventos online e presenciais.
O retorno das conversas ao vivo — e da participação real
E falando nisso, os eventos online voltaram à pauta. As lives retornarão. Não como obrigação de algoritmo, mas como espaço de troca real.
O foco é simples: ouvir mais, dialogar mais e construirmos juntos.
A participação efetiva de membros, colaboradores e seguidores não é retórica. É necessidade. O movimento Trilhos do Rio não é um projeto de uma pessoa só. Ele cresce quando mais gente participa, questiona, sugere e contribui.
2026 será um convite aberto à participação diversificada e qualificada. Todos poderão contribuir, e cada um com um pouquinho poderemos alcançar juntos os objetivos.
Um ano eleitoral exige responsabilidade dobrada
2026 também será um ano eleitoral. E isso muda muita coisa.
Promessas surgem aos montes. Projetos aparecem do nada. Discursos se multiplicam. E o risco da desinformação cresce junto. E o nosso compromisso é claro: informar e esclarecer.
Apresentar projetos, analisar promessas, explicar possibilidades e limites. Sem torcida organizada. Sem campanha disfarçada. Sem distorção.
Quem acompanhar o site Trilhos do Rio ao longo de 2026 terá acesso a informação contextualizada, técnica e honesta sobre transporte sobre trilhos e mobilidade.
Isso não significa neutralidade vazia. Significa responsabilidade.
Ser referência e fazer jus ao motivo
Tudo isso também aponta para um objetivo: transformar ainda mais o site e redes sociais Trilhos do Rio em um local de referência quando o assunto é transporte sobre trilhos e mobilidade.
Referência não se constrói com pressa. Ela nasce da constância, da coerência e da confiança.
Notícias verificadas. Artigos exclusivos. Conteúdo histórico. Análise técnica. Informação acessível. Linguagem clara. Postura ética. Esse é o caminho escolhido. E ele não muda com o vento.
O projeto não parou — ele amadureceu
Talvez este seja o ponto mais importante de todo este texto.
O Trilhos do Rio não parou em 2025. Ele amadureceu.
Entre pausas forçadas, decisões difíceis, limitações físicas e reorganizações internas, algo foi sendo construído com mais cuidado do que velocidade.
E agora, com a saúde retomando o equilíbrio, a estrutura mais sólida e as conexões mais amplas, o projeto entra em 2026 com outra postura. Menos improviso. Mais planejamento. Menos ansiedade. Mais clareza. E o que vem agora depende também de quem acompanha.
Se você chegou até aqui, já faz parte disso.
Acompanhar o site, seguir as redes sociais, participar das atividades, compartilhar conteúdo, questionar, sugerir — tudo isso ajuda a manter o Trilhos do Rio vivo, relevante e independente.
Muitas novidades estão vindo. E elas não são promessas vazias. E não ficarão apenas no meio online, através do site e de suas redes e mídias sociais, serão atividades práticas, presenciais e ativas. São desdobramentos naturais de um trabalho que não desistiu quando ficou difícil.
O próximo passo já está sendo dado
E este comunicado já é uma diferença: já viram algo assim antes por aqui? Creio que não… então, finalizando, aproveito para, além de fazer um convite a todos que chegaram até aqui para seguirmos juntos em prol da preservação histórica e da mobilidade ferroviária, também fazer votos e desejar a todos Boas Festas, um Feliz Natal repleto de bênçãos e alegrias, e um Ano Novo espetacular e iluminado para todos.
At.te
Daddo Moreira
Coordenador do Departamento de Pesquisas e Projetos Trilhos do Rio
Passado, presente e futuro: tudo na mesma linha.
