Supervia apresenta notícia-crime sobre descarrilamento no ramal Belford Roxo

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✍️ Redação Trilhos do Rio
📅 08/10/2025
🕚 7h28
📷 Divulgação

 

A SuperVia confirmou nesta quarta-feira (8) que o furto de 72 placas de fixação de trilhos foi a causa principal do descarrilamento de um trem no ramal Belford Roxo, ocorrido na tarde da última segunda-feira (6), próximo à estação Mercadão de Madureira. O incidente, que felizmente não deixou feridos, paralisou parcialmente o sistema por mais de 24 horas e acendeu um alerta sobre o impacto dos furtos de componentes ferroviários na segurança e na continuidade da operação dos trens metropolitanos.




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Segundo o informe oficial da concessionária, técnicos concluíram que a ausência dessas placas de fixação — peças metálicas que mantêm o trilho preso aos dormentes — provocou o desalinhamento da via e, consequentemente, o descarrilamento. Essas placas, presas por pinos ou parafusos, são fundamentais para garantir o nivelamento e a estabilidade dos trilhos. Sem elas, o peso dos trens pode deslocar a estrutura, criando risco de acidentes.

A Polícia Civil abriu investigação para apurar o caso, e uma notícia-crime foi registrada na 29ª DP (Madureira). O furto de materiais ferroviários é um crime recorrente no Rio de Janeiro, e segundo relatórios da própria SuperVia e do Ministério Público, tem causado prejuízos milionários, além de riscos à integridade dos passageiros e funcionários.

SuperVia recupera a via e normaliza a operação

Após o acidente, a concessionária realizou uma força-tarefa para restabelecer a circulação. O trabalho das equipes de manutenção foi concluído na noite de terça-feira (7), envolvendo a retirada da estrutura que caiu sobre o trem, o recolhimento do vagão acidentado, a recomposição da via férrea com novas placas de fixação, além da instalação de postes e cabos da rede aérea danificados.
Com o serviço concluído, os trens voltaram a circular normalmente em todo o ramal Belford Roxo, com intervalo médio de 22 minutos entre as composições.

O incidente, no entanto, evidencia um problema estrutural que se agrava há anos. Somente entre janeiro e maio de 2024, a SuperVia registrou mais de 2 mil furtos de grampos e cabos elétricos em diferentes ramais, com impacto direto nas operações. A empresa já havia alertado que o número de ocorrências dobrou em comparação com anos anteriores. Esses crimes geram prejuízos estimados em R$ 300 mil por mês e exigem reforço constante das ações de vigilância.

Insegurança e incertezas na concessão ferroviária

O descarrilamento ocorre em um momento delicado para a SuperVia, cuja concessão está prestes a expirar. O acordo emergencial entre a empresa e o governo estadual — que já foi prorrogado duas vezes — segue válido até novembro de 2025, enquanto se discute o modelo de operação futura. A instabilidade contratual e o aumento dos custos operacionais têm gerado apreensão sobre o futuro da malha ferroviária do Rio de Janeiro, que atende cerca de 350 mil passageiros por dia.

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De acordo com especialistas e parlamentares ouvidos em audiências públicas recentes na Alerj, os episódios de furtos e vandalismo desestimulam potenciais investidores interessados em assumir o sistema. Além das perdas materiais, há o desgaste de imagem e a dificuldade de manter padrões de segurança e confiabilidade.
O deputado Luiz Paulo (PSD), presidente da Frente Parlamentar Pró-Ferrovias Fluminenses, já alertou que o próximo operador enfrentará “um sistema fragilizado e carente de modernização, mas essencial para a mobilidade da população trabalhadora da Baixada Fluminense”.

Risco recorrente e medidas urgentes

Os furtos de peças metálicas — especialmente cabos, grampos e placas — têm sido relatados também em outras linhas ferroviárias brasileiras, mas no Rio o problema atinge escala crítica. A SuperVia e o governo estadual estudam ampliar a vigilância com apoio de drones, sensores e monitoramento remoto, além de reforçar a integração com a polícia ferroviária e as delegacias regionais.

Enquanto isso, passageiros seguem preocupados com a segurança. Sindicatos e associações ferroviárias cobram medidas mais rígidas de combate ao roubo de materiais e defendem campanhas de conscientização sobre o impacto desses crimes.

O episódio em Belford Roxo reforça que o futuro do transporte sobre trilhos no Rio de Janeiro passa não apenas pela renovação de contratos e investimentos, mas também por um plano efetivo de segurança e manutenção preventiva, garantindo um sistema moderno, confiável e seguro.


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    O Departamento de Pesquisas e Projetos Trilhos do Rio surgiu como um grupo de amigos, profissionais, entusiastas e pesquisadores ferroviários que organiza, desde o ano de 2009, eventos, atividades e pesquisas, tanto documentais quanto em campo, sobre a história e patrimônio ferroviário do estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de resgatar, preservar e divulgar a história e memória dos transportes sobre trilhos fluminenses.
    Entre os anos de 2014 e 2021 fomos formalizados como uma ONG, a Associação Ferroviária Trilhos do Rio, e desde 2024 fazemos parte, como um departamento, da Associação Ferroviária Melhoramentos do Brasil

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