Ringling Brothers Circus: o que ele tem a ver com as ferrovias?

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✍️ Mozart Rosa
📅 04/11/2023
🕚 12h00
📷 Youtube

Olá, Amigas e Amigos! Hoje iniciamos este texto fazendo algumas perguntas:

 




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Alguém conhece o Ringling Brothers Circus?
Alguém já ouviu falar de P.T. Barnum?

 

Possivelmente não, mas faremos ainda uma última pergunta:

 

O que tudo isso tem a ver com ferrovias?

 

É o que veremos no artigo exclusivo de hoje do site Trilhos do Rio.
Sejam todos bem vindos, desejamos uma excelente leitura!

 

Para começar vamos responder a estes questionamentos iniciais:

O Ringling Brothers Circus é o maior circo dos Estados Unidos e foi fundado por P. T. Barnum no século XIX. P.T. Barnum foi o criador do que chamamos hoje de Show Business; foi o primeiro a investir de forma profissional no ramo do entretenimento. Teria dito uma frase famosa: “a cada minuto nasce um trouxa”. Ele criou o primeiro circo de horrores do mundo, ou como alguns preferem, o primeiro show de variedades, com atrações como a mulher barbada, a sereia, o homem com força descomunal, a mulher que se transforma em macaco e outras bizarrices. Quem morou em cidades do interior do Brasil e tem mais de 50 anos certamente viu esse tipo de espetáculo nos circos que existiam, graças a P. T. Barnum, que criou o conceito e o exportou para o mundo. Uma de suas grandes realizações foi a criação do que posteriormente viria a ser o já mencionado Ringling Brothers Circus, existente até hoje.

Imagem: Milner Library
Imagem: Milner Library

E fica a pergunta: o que tudo isso tem a ver com o nosso tema recorrente, que são as ferrovias? Para responder corretamente a essa pergunta, é preciso contextualizar toda a situação e falar também sobre a pujança dos Estados Unidos como nação. Várias teorias para explicar essa pujança são debatidas, mas nunca se fala da importância do setor ferroviário nessa prosperidade, algo que facilitou muito a logística em um país daquele tamanho. Nunca se menciona a pujança alcançada por empresas como Heinz, Swift e muitas outras, que, graças à logística proporcionada pelas ferrovias, se transformaram de empresas regionais em empresas nacionais e, posteriormente, em multinacionais. Outros fatores influenciaram, mas as ferrovias tiveram um enorme papel nessa prosperidade econômica.

Abaixo, um link de uma postagem mostrando isso.

O Estilo Leopoldina de ser – Parte 01

O Estilo Leopoldina de ser – Parte 02

A livre iniciativa, o liberalismo econômico, explica muita coisa, mas as ferrovias e a logística que elas permitiram fazem parte dessa equação. Aqui mostraremos mais um caso em que as ferrovias foram fundamentais para o desenvolvimento de um setor: P. T. Barnum conseguiu todo o seu sucesso graças às ferrovias. Transportar animais de grande porte como elefantes e transportar toda a infraestrutura necessária para fazer funcionar um circo enorme como o dele em um país daquele tamanho demandava uma quantidade absurda de veículos de tamanhos bem avantajados, e apenas as ferrovias podiam satisfazer esses requisitos.

VEJA TAMBÉM  Entrevista com Nélio Barbosa, escoteiro ferroviário (1945~1949)
https://www.trilhosdorio.com.br/aftr_wp/wp-content/uploads/2023/11/R-300x169.jpg
Fonte: Youtube (doug33020)

Lembram do filme Dumbo, de 2019? É um filme ficcional cuja história todos já devem ter ouvido falar. Ele conta a história de um filhote de elefante que podia voar e morava em um circo. Este filme em live action é baseado em um desenho produzido pela Disney em 1941. Apesar de ser pura fantasia, o filme mostra com riqueza de detalhes a operação logística necessária para operar e mudar um circo de lugar, com diversos vagões e locomotivas. Toda essa parte mostrada no filme era extremamente real, era assim mesmo que as coisas funcionavam.

O filme inteiro está disponível na plataforma Disney+ e no YouTube, sendo recomendado para os amantes de ferrovias pela riqueza de detalhes mostrada.

Imagem: Library of Congress / Copyright by Glasier, Brockton, Mass (1907)
Imagem: Library of Congress / Copyright by Glasier, Brockton, Mass (1907)

Isso também acontecia com o circo e os shows criados por P.T. Barnum, um grande empreendedor que não teria conseguido o sucesso que alcançou sem a rede ferroviária existente nos Estados Unidos. Sempre lembrando que essa rede foi construída e operada por empresários, diferentemente do Brasil, onde o governo interferiu e desencorajou novos empresários no setor. Esse episódio é contado com maestria pelo Sr. Ademar Benevolo em seu livro, onde no início do século, o governo descapitalizou as empresas existentes, desestimulando a entrada de novos empresários no setor.

Os erros cometidos por Bolsonaro na Gestão do Setor Ferroviário

Aparentemente, apesar de ser o livro mais vendido do mundo, a Bíblia é o menos lido. Se as pessoas atuantes no setor ferroviário a lessem, entenderiam melhor a frase do evangelho de João 8:32:

“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.

Infelizmente, o setor ferroviário no Brasil é o menos estudado, com teorias da conspiração mal embasadas. Como já mencionamos diversas vezes, conhecer a verdade sobre o que aconteceu é fundamental para que as novas gerações formulem políticas realistas que façam o setor decolar. Infelizmente, isso não está acontecendo.

Imagem: Custódio Coimbra / Agência O Globo
Imagem: Custódio Coimbra / Agência O Globo

A equipe Trilhos do Rio fez uma publicação onde analisa o livro do Sr. Ademar Benevolo, um documento histórico que mostra a intervenção dos governos no início da República no setor ferroviário. Este fato, documentado, infelizmente é desconhecido pela maioria daqueles que se dizem entendidos do setor, lamentável.

Confiram abaixo:

Ademar Benévolo: um homem, um mito

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Agradecemos a leitura, até a próxima!

Autor

  • Mozart Rosa

    Iniciou sua carreira profissional em 1978 trabalhando com um engenheiro que foi estagiário da RFFSA entre 1965 e 1966, que testemunhou o desmonte da E.F. Cantagalo e diversas histórias da Ferrovia de Petrópolis. Se formou Engenheiro Mecânico pela Faculdade Souza Marques em 1992, foi secretário-geral Trilhos do Rio no mandato 2017-2020 e atualmente ocupa o cargo de redator do site, assessor de contatos corporativos e diretor-técnico.

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