Nova operadora dos trens de passageiros do Rio quer volta de Guarda Ferroviária
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✍️ Redação Trilhos do Rio, com informações do Jornal Extra
📆 26/02/2026
⏱️ 12h54
📷 Daddo Moreira, fevereiro de 2026
O Consórcio Nova Via Mobilidade, recém-declarado vencedor do processo de aquisição da Unidade Produtiva Isolada (UPI) da SuperVia, pretende discutir com o Governo do Estado e prefeituras da Região Metropolitana a retomada de uma guarda ferroviária dedicada à proteção das estações e da malha sobre trilhos. A proposta surge no contexto da transição operacional do sistema que liga a capital fluminense a outros 11 municípios.
A confirmação da validade da documentação apresentada pelo consórcio ocorreu em sessão na 6ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O juiz Victor Agustin Cunha Diz Torres homologou o resultado do leilão judicial, consolidando o grupo como permissionário do serviço ferroviário estadual. A assinatura do contrato com o governo do estado deve ocorrer nos próximos dias, e a chamada gestão assistida com a SuperVia está prevista para começar em março, com período de transição estimado em 90 dias.
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O vice-presidente de relações institucionais e governamentais do consórcio, Michel Michalur Filho, afirmou que a segurança será um dos eixos centrais da nova administração. Segundo ele, a criação de uma guarda ferroviária — modelo que existiu nas décadas de 1970 — poderá reforçar a presença preventiva ao longo da via permanente e nas estações. A proposta, de acordo com o executivo, deverá ser debatida com o governo estadual e com os municípios atendidos pela malha, com eventual divisão de custos.
Atualmente, o sistema conta com o policiamento do Grupamento de Policiamento Ferroviário da Polícia Militar. Entretanto, dados da Agetransp indicam que, somente nos dez primeiros meses do ano passado, episódios relacionados à segurança pública — como confrontos armados nas proximidades da linha férrea, furtos de cabos e atos de vandalismo — resultaram em 682 cancelamentos ou interrupções de viagens. A média é de duas ocorrências diárias com impacto direto na operação.
O sistema ferroviário metropolitano atravessa áreas sob influência de grupos criminosos e passa nas proximidades de dezenas de comunidades. Esse cenário tem impacto tanto na regularidade das viagens quanto na percepção de segurança por parte dos usuários. Atualmente, cerca de 300 mil passageiros utilizam diariamente os trens, que circulam por cinco ramais e três extensões, totalizando aproximadamente 270 quilômetros de trilhos e 104 estações.
Outro ponto sensível destacado por dados da concessionária é a evasão de receita. Estimativas indicam que aproximadamente 18 mil passageiros utilizam diariamente o sistema sem pagamento de tarifa. A estação Padre Miguel aparece entre as unidades com maior índice de evasão, segundo levantamentos internos.
Além da pauta de segurança, o novo operador deverá enfrentar desafios estruturais e operacionais. A frota atual é composta por 151 trens e 604 vagões, parte deles com décadas de uso. Há composições da década de 1960 ainda em operação, especialmente locomotivas a diesel que atendem ramais como Vila Inhomirim e Guapimirim. A modernização do parque ferroviário é considerada essencial para melhoria de confiabilidade, redução de intervalos e aumento de velocidade média.
A secretária estadual de Transporte e Mobilidade Urbana, Priscila Sakalem, declarou que o estado já dispõe de diagnóstico técnico sobre as principais fragilidades do sistema. Segundo ela, a expectativa é que a troca de operador resulte em melhorias perceptíveis ao usuário, como redução do intervalo entre trens, revisão da grade horária e diminuição do tempo total de viagem.
O consórcio informou ainda que pretende subcontratar o grupo português Grupo Barraqueiro para atuar na operação ferroviária. A empresa é considerada a maior operadora privada de transporte em Portugal, com atuação também em Angola e no Brasil, onde opera concessões de ônibus nas regiões Norte e Nordeste há mais de 15 anos.
Especialistas em mobilidade urbana avaliam que o sucesso da nova etapa dependerá da integração entre segurança pública, planejamento operacional e investimento em infraestrutura. A eventual criação de uma guarda ferroviária exigirá definição clara de competências, modelo de financiamento e coordenação com forças estaduais e municipais, evitando sobreposição de atribuições.
A transição para a Nova Via Mobilidade pode representar uma mudança relevante na governança do transporte ferroviário metropolitano. Mais do que a troca de operador, o desafio envolverá recuperar a confiabilidade do serviço, mitigar impactos da violência no entorno da linha férrea e reequilibrar financeiramente o sistema, garantindo previsibilidade contratual e sustentabilidade operacional no longo prazo.
