Morte de idosa reacende alerta sobre passagem clandestina na linha férrea em Nova Iguaçu
TrensRJ solicitou novamente o fechamento de acesso irregular reaberto após intervenção realizada em julho; passarela próxima está interditada há mais de dez anos, como noticiado por Trilhos do Rio
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Uma mulher de 66 anos morreu na tarde de terça-feira, 1º de setembro, após ser atingida por uma composição do ramal Japeri, em uma passagem irregular sobre a linha férrea no bairro da Luz, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
A vítima foi identificada como Rosimery Fernandes Lessa da Silva. O acidente ocorreu nas proximidades do cruzamento da Avenida Presidente Tancredo Neves com a Avenida Guadalajara, onde existe uma abertura utilizada irregularmente para a travessia dos trilhos.
Segundo a Polícia Militar, agentes do Grupamento de Policiamento em Ferrovias (GPFer) foram acionados e permaneceram no local para preservar a área até a realização da perícia. A investigação ficou sob responsabilidade da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF).
A TrensRJ informou que seus agentes foram acionados por volta das 15h30, depois que uma mulher acessou a linha férrea nas proximidades da estação. Os funcionários acionaram os órgãos responsáveis pelo atendimento da ocorrência.
Passagem havia sido fechada em julho
De acordo com a TrensRJ, a concessionária trabalha desde 20 de julho, com apoio das forças policiais, na reconstrução de um muro destinado a impedir o acesso irregular à linha férrea naquele ponto.
Segundo a empresa, o fechamento foi concluído, mas o acesso teria sido reaberto pela população apenas dois dias depois. Diante da nova abertura, a concessionária informou ter solicitado novamente a reconstrução do muro.
A TMC também acompanhava a situação da passagem clandestina e informou que o acesso voltou a ser utilizado após o fechamento realizado em julho.
Passarela próxima está interditada há anos
Além da existência da passagem irregular, a região enfrenta outro problema relacionado à travessia da linha férrea.
Segundo informações, a passarela mais próxima da abertura está localizada na Avenida Marechal Floriano Peixoto, na altura do número 2.920, e permanece interditada há mais de dez anos. Esta notícia foi publicada aqui no site Trilhos do Rio:
Passarela sobre via férrea em Nova Iguaçu permanece interditada e sob acompanhamento técnico
A situação dificulta a travessia regular dos trilhos e o acesso dos moradores à estação ferroviária, contribuindo para que a passagem clandestina seja utilizada como alternativa por parte da população.
A existência de uma infraestrutura formal de travessia interditada há longo período acrescenta uma dimensão de mobilidade urbana ao problema, uma vez que o fechamento de acessos irregulares precisa ser acompanhado de alternativas adequadas e seguras para os pedestres.
Crea-RJ já havia cobrado providências
A situação da passarela também já havia motivado manifestações do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ). O conselho informou ter encaminhado ofícios ao Governo do Estado, à TrensRJ, à Prefeitura de Nova Iguaçu e à Câmara Especializada de Engenharia Civil para cobrar providências relacionadas às condições da estrutura.
Até a publicação da reportagem, o conselho afirmava não ter recebido retorno sobre as solicitações.
Estado negocia recuperação da passarela
Em nota mencionada pela reportagem, a Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana informou que negocia um Termo de Cooperação Técnica com a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Obras Públicas.
O objetivo da articulação é viabilizar a recuperação da passarela existente na região.
A medida poderá representar uma alternativa regular de travessia para os moradores e, consequentemente, reduzir a necessidade de utilização de acessos clandestinos sobre a linha férrea.
TrensRJ reforça alerta sobre acesso à linha férrea
A concessionária informou que mantém o monitoramento de passagens clandestinas existentes na faixa ferroviária e realiza ações educativas para alertar a população sobre os riscos de acesso à linha férrea.
Segundo a empresa, as aberturas irregulares podem comprometer a circulação dos trens e elevar o risco de acidentes.
A TrensRJ reforça que a linha férrea é destinada exclusivamente à circulação das composições e que a travessia de pedestres deve ocorrer por estruturas apropriadas, como passarelas e viadutos.
O acidente que resultou na morte de Rosimery Fernandes Lessa da Silva volta a evidenciar, em Nova Iguaçu, o desafio de conciliar a necessidade de preservar a segurança operacional da ferrovia com a oferta de travessias adequadas para a população que vive no entorno da malha ferroviária.
Enquanto o fechamento dos acessos clandestinos é necessário para impedir a entrada de pedestres na faixa ferroviária, a recuperação de estruturas regulares de travessia constitui uma medida igualmente importante para oferecer uma alternativa segura à população.
Com informações de: R7, TMC e TrensRJ
Imagem de capa: Reprodução Hudson Felp, via TMC
