Linha 4 do Metrô até a Alvorada: o que é proposto e qual a importância?

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✍️ Redação Trilhos do Rio
📅 09/08/2025
🕚 7h00
📷 Imagem ilustrativa gerada por Inteligência Artificial (Manus)

INTRODUÇÃO

Este artigo é um dos textos – que propomos elaborar e explicar aos nossos leitores, seguidores e colaboradores – baseados em análises feitas no Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), elaborado e apresentado ao BNDES, publicado em fevereiro de 2025. Caso queira saber mais detalhes sobre o que é abordado neste relatório, acesse o link abaixo!

BNDES apresenta documento com propostas sobre futuro da mobilidade fluminense




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Quando falamos de mobilidade sobre trilhos no Rio, a Linha 4 sempre surge nas conversas: uma ligação da  Barra da Tijuca a eixos de grande demanda e que já foi tema de planos e promessas há anos. No relatório do Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU) – produto R1 sobre a Região Metropolitana do Rio de Janeiro, entregue ao BNDES – esse projeto aparece com números e justificativas concretas, mas também com um ponto de atenção importante: existe outra solução (municipal) concorrendo pelo mesmo espaço. Vamos por partes.

O PROJETO EM POUCAS PALAVRAS

A proposta tratada no ENMU refere-se à expansão da Linha 4 do Metrô, no trecho Jardim Oceânico → Alvorada. Em termos práticos, o que está desenhado no documento é:

Extensão: 6.120 metros (6,12 km).
Estações previstas: 5
Custo (parâmetro do PDM):  aproximadamente R$ 4,4 bilhões (valor do estudo de referência).
Estimativa de demanda (referência da Linha 4 completa): algo como 503.120 viagens por dia — número usado no PDM para a linha maior, não só para esse trecho.
Origem dos estudos: versões do projeto aparecem desde 2016 (estudos iniciais), com atualização em planos recentes; o ENMU consolidou e avaliou esses projetos entre 2023/2024 e publicou o produto R1 em fevereiro de 2025.

mapa metro l4
Fonte: ENMU BNDES

Explicando rapidamente:
BNDES — Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, que financiou/coordena o ENMU;
ENMU — Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (o conjunto de análises que inclui este relatório sobre a Região Metropolitana do Rio).

POR QUE A LINHA 4 É RELEVANTE?

Se você mora, trabalha ou circula pela Barra da Tijuca e Zona Oeste, já sentiu que faltam opções rápidas e seguras para chegar ao resto da cidade. A Linha 4, no formato metroviário, oferece três ganhos claros:

  • Velocidade e confiabilidade: metrô é via segregada — isso significa trens que não dividem espaço com carros nem ônibus, então o serviço é mais rápido e menos sujeito a engarrafamentos, além da falta de interferência do fluxo relacionado aos cruzamentos, algo que o BRT enfrenta , apesar de ter diminuído o tempo de viagem em relação aos ônibus comuns.
  • Capacidade: soluções metroviárias carregam muito mais passageiros por hora do que ônibus ou faixas dedicadas; isso reduz lotação e melhora a experiência do dia a dia.
  • Integração com outros modos: a proposta conecta a Barra ao terminal Alvorada (ponto de troca com corredores BRT e outras linhas), abrindo caminhos diretos para quem hoje precisa dar voltas longas.
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Um indicador usado no estudo chama-se PNT (People Near Transit) — traduzido livremente como “pessoas próximas ao transporte”. Ele mede quantas pessoas moram a uma distância considerada apropriada de estações de média/alta capacidade. Valores elevados de PNT significam mais gente tendo acesso eficiente ao transporte, o que traz inclusão e menos deslocamentos por carro. O relatório usa esse indicador para avaliar o impacto social do projeto.

O CONTRAPONTO: POR QUE O ENMU NÃO DEFINIU A EXPANSÃO COMO PRIORIDADE FINAL?

Aqui entra a parte política e institucional: o ENMU identificou que há uma sobreposição de propostas para praticamente o mesmo corredor — e isso mudou a escolha técnica do relatório. A Prefeitura do Rio vem estudando converter o corredor do BRT TransOeste em VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) ou mesmo um VLP (Veículo Leve sobre Pneus, semelhante ao VLT mas com rodas convencionais como as de um ônibus). Independente da escolhida, é uma solução que poderia ocupar o mesmo eixo de circulação entre a Barra e pontos centrais. Como a alternativa municipal (TransOeste → VLT) estava em estágio mais avançado no processo (com estudos já em curso), o ENMU optou por priorizar a solução de maior maturidade local no seu desenho final da “Rede Planejada”. Ou seja: a expansão metroviária foi mantida no inventário técnico, mas não foi “alocada como prioridade na Rede Planejada do ENMU”, por causa desse conflito de projeto/competência.

O QUE FALTA PARA DECIDIR, E POR QUE ISSO IMPORTA

Para que se chegue a uma decisão segura e legítima, são necessários alguns passos técnicos e institucionais:

1. Estudos comparativos atualizados (chamados EVTE/EVTEA — Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental): comparar cenários (metrô × VLT × melhorias no corredor BRT) com números atualizados de custo, demanda e impactos. Esses estudos mostram qual alternativa gera mais benefícios por real investido.
2. Coordenação Estado × Município: definir quem lidera, como se financia e como se dividem responsabilidades. Sem isso, projetos que “concorram” pelo mesmo espaço tendem a ficar parados.
3. Atualização dos números e simulações: usar dados demográficos e de mobilidade mais recentes (pós-pandemia, Censo 2022 etc.) para recalcular PNT e demanda projetada.
4. Participação pública: levar alternativas à sociedade, ouvir moradores, comércios e usuários — porque mobilidade é também direito urbano e impacto territorial.

E O CUSTO? E O TEMPO? UM RESUMO PRÁTICO

Custo referencial: R$ 4,4 bilhões (valor do estudo de referência, de 2016 / PDM).
Horizonte: estudos antigos apontavam horizonte de implantação por volta de 2030 (cada estudo traz um horizonte próprio; decisões administrativas e judicializações podem alterar prazos).

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Importante: esses números são parâmetros — não são uma conta definitiva. Por isso a necessidade dos EVTE/EVTEA atualizados que falamos acima.

O NOSSO PAPEL NESSA HISTÓRIA

Nós, do Departamento de Pesquisas e Projetos Trilhos do Rio, temos uma missão dupla:

1. Traduzir — pegar relatórios técnicos (como o ENMU) e colocar em linguagem clara para que moradores, organizações e gestores entendam o que está em jogo; e
2. Fiscalizar e mobilizar — apontar prioridades técnicas, acompanhar estudos, cobrar governança e participar dos espaços de debate público.

Nesta matéria já estamos fazendo parte do processo: organizando os dados, mostrando os prós e contras, e preparando conteúdo que leve a sociedade a opinar com informação. Acreditamos que decisões sobre trilhos precisam ser técnicas, transparentes e democraticamente legitimadas.

O QUE PODE-SE ESPERAR NOS PRÓXIMOS MESES?

  • Publicação de estudos comparativos (EVTE/EVTEA) com cenários metro × VLT.
  • Acordos formais entre Estado e Município sobre qual tecnologia e quem paga o quê.
  • Mapas e simulações com PNT atualizados e estimativas de redução de tempo de viagem.

COMO VOCÊ PODE AJUDAR E/OU ACOMPANHAR?

Siga os Trilhos do Rio — vamos publicar os resumos dos estudos assim que surgirem;
Participe das consultas públicas e audiências (quando houver);
Compartilhe este texto com quem mora ou trabalha na Barra e Zona Oeste — informação gera pressão cidadã qualificada;
Peça que sua associação de bairro acompanhe os estudos: dúvidas e sugestões locais são valiosas para o desenho final.

CONCLUSÃO

A expansão da Linha 4 — Jardim Oceânico → Alvorada é uma proposta com justificativa clara: mais capacidade, viagens mais rápidas e melhor integração para a Zona Oeste. Ao mesmo tempo, ela vive uma encruzilhada: metrô ou VLT? Não é apenas uma discussão técnica — é também institucional (quem planeja e paga?) e política (prioridades e prazos). O relatório do ENMU documenta bem essa tensão e aponta caminhos para decisões mais fundamentadas. Nosso papel no Departamento Trilhos do Rio será acompanhar de perto, explicar sempre em linguagem simples e cobrar transparência para que, no fim, o que vença seja a melhor solução para a maior quantidade de pessoas.


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    O Departamento de Pesquisas e Projetos Trilhos do Rio surgiu como um grupo de amigos, profissionais, entusiastas e pesquisadores ferroviários que organiza, desde o ano de 2009, eventos, atividades e pesquisas, tanto documentais quanto em campo, sobre a história e patrimônio ferroviário do estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de resgatar, preservar e divulgar a história e memória dos transportes sobre trilhos fluminenses.
    Entre os anos de 2014 e 2021 fomos formalizados como uma ONG, a Associação Ferroviária Trilhos do Rio, e desde 2024 fazemos parte, como um departamento, da Associação Ferroviária Melhoramentos do Brasil

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