Justiça homologa saída da Supervia e novo operador dos trens do Rio de Janeiro, saiba qual é!

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✍️ Redação Trilhos do Rio, com informações do Tribunal de Justiça, Super Rádio Tupi, Band News FM, Agenda do Poder e Tempo Real RJ
📆 10/02/2026
⏱️ 20h00
📷 G1

A Justiça do Rio de Janeiro homologou, nesta terça-feira (10 de fevereiro de 2026), o Consórcio Nova Via Mobilidade como vencedor do leilão judicial que definirá o novo operador do sistema ferroviário metropolitano do estado, em substituição à SuperVia. A decisão foi proferida pelo juiz Victor Agustin Cunha Jaccoud Diz Torres, da 6ª Vara Empresarial da Comarca da Capital, no âmbito do processo de recuperação judicial da atual concessionária.

O consórcio foi o único interessado habilitado no certame e teve sua proposta homologada quanto aos aspectos jurídico-processuais, sob condição resolutiva de qualificação definitiva para a alienação judicial da Unidade Produtiva Isolada Ferroviária (UPI Ferroviária) da SuperVia. A sessão pública para divulgação final do resultado e adjudicação do objeto está marcada para o dia 25 de fevereiro, após a análise conclusiva da Comissão Especial de Licitação.




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Nova Via Mobilidade não é ViaMobilidade (SP)

Apesar da semelhança nominal, o Consórcio Nova Via Mobilidade não possui qualquer relação societária, operacional ou contratual com a ViaMobilidade, empresa que atua na operação de linhas ferroviárias e metroviárias no estado de São Paulo.

O consórcio vencedor do leilão fluminense é uma estrutura independente, formada por fundos de investimento e parceiros técnicos específicos para a operação no Rio de Janeiro, não devendo ser confundido com concessões paulistas nem com seus respectivos modelos de gestão.


Estrutura do consórcio e estratégia operacional

Batizado no Rio de Janeiro como Nova Via Mobilidade, o consórcio é formado por fundos de investimento com cotistas brasileiros e estrangeiros, voltados ao setor de transportes:

  • Nova Via Fundo de Investimento em Participações Multiestratégicas, constituído em janeiro de 2026, com foco em participações estratégicas e visão de longo prazo;

  • Magna Fundo de Investimento em Participações Multiestratégicas, fundo corporativo com atuação em investimentos estruturados.

Embora os fundos não sejam operadores diretos, a estratégia do consórcio prevê a contratação de empresas especializadas para a operação e manutenção do sistema, com destaque para o Grupo Barraqueiro, de Portugal, e a MPE Engenharia, empresa brasileira com ampla experiência técnica no setor metroferroviário.


Grupo Barraqueiro: referência internacional em mobilidade

Fundado em 1915, o Grupo Barraqueiro é o maior operador privado de transportes de Portugal, liderado por Humberto Pedrosa. O grupo atua nos segmentos rodoviário, ferroviário, metroviário, fluvial e logístico, empregando cerca de 9 mil pessoas e gerindo uma frota superior a 4.500 veículos, transportando aproximadamente 300 milhões de passageiros por ano.

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O Grupo Barraqueiro tem história e experiência no transporte multimodal em Portugal. Imagem: BusBud

No setor ferroviário, o Barraqueiro é responsável por operações de destaque como a Fertagus, que liga Lisboa a Setúbal pela Ponte 25 de Abril, e pelo Metro Transportes do Sul (MTS). O grupo também possui presença internacional, com operações no Brasil e em Angola, atuando há mais de 15 anos no território brasileiro, principalmente em concessões de transporte urbano por ônibus nas regiões Norte e Nordeste.


MPE Engenharia: experiência técnica no setor metroferroviário brasileiro

A MPE Engenharia possui atuação consolidada nos setores metroferroviário, aeroportuário, hospitalar e portuário. No transporte sobre trilhos, a empresa atua na manutenção de trens, sistemas de sinalização, energia, telecomunicações e estações, abrangendo rotinas corretivas, preventivas e preditivas.

Em São Paulo, a MPE prestou serviços por anos ao Metrô de São Paulo e à Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), participando de obras, implantação e manutenção de sistemas fixos e móveis, incluindo sinalização e energia metroferroviária. A empresa é vista como um dos pilares técnicos para a sustentação operacional do novo modelo no Rio de Janeiro.


Proposta vencedora e novo modelo de contrato

A proposta apresentada pelo Consórcio Nova Via Mobilidade prevê deságio de 0,06% sobre a tarifa de remuneração fixada em R$ 17,60 por carro-quilômetro, conforme estabelecido no edital. O valor estimado da contratação ao longo do contrato é de aproximadamente R$ 660 milhões.

Uma das principais mudanças do novo contrato está no modelo de remuneração, que deixa de ser baseado no número de passageiros transportados e passa a considerar o quilômetro rodado. A lógica busca incentivar maior oferta de trens, regularidade da operação e redução de viagens suprimidas, um dos principais problemas históricos do sistema.

O contrato terá duração inicial de cinco anos, com previsão de investimentos em manutenção, recuperação de ativos e melhoria da confiabilidade operacional da malha ferroviária, que possui cerca de 270 quilômetros, cinco ramais e 104 estações, atendendo aproximadamente 300 mil passageiros por dia.


Transição e encerramento da concessão da SuperVia

Após a assinatura do contrato, está prevista uma fase de transição de até 90 dias, incluindo período de operação assistida, no qual a SuperVia e o novo operador atuarão conjuntamente para garantir a continuidade do serviço.

A homologação do leilão marca o encerramento de um ciclo iniciado em 1998, quando a SuperVia assumiu a concessão, e inaugura uma nova etapa para o transporte ferroviário metropolitano do Rio de Janeiro, baseada em novo modelo contratual, separação de passivos e maior foco na regularidade da operação.

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    O Departamento de Pesquisas e Projetos Trilhos do Rio surgiu como um grupo de amigos, profissionais, entusiastas e pesquisadores ferroviários que organiza, desde o ano de 2009, eventos, atividades e pesquisas, tanto documentais quanto em campo, sobre a história e patrimônio ferroviário do estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de resgatar, preservar e divulgar a história e memória dos transportes sobre trilhos fluminenses.
    Entre os anos de 2014 e 2021 fomos formalizados como uma ONG, a Associação Ferroviária Trilhos do Rio, e desde 2024 fazemos parte, como um departamento, da Associação Ferroviária Melhoramentos do Brasil

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