Incertezas ainda rondam início de nova operadora de trens do Rio de Janeiro

Incertezas ainda rondam início de nova operadora de trens do Rio de Janeiro

Com informações de BandNews
Imagem de capa: Youtube Mr. Hitachi

A operação do sistema ferroviário metropolitano do Rio de Janeiro entra oficialmente em uma nova fase neste próximo sábado (30), com o início definitivo das atividades da operadora Trens RJ, sob comando da concessionária Nova Via Mobilidade, empresa que assume a gestão da malha anteriormente operada pela SuperVia. Segundo reportagem da BandNews, a transição ocorre em meio a questionamentos técnicos, pendências operacionais e dúvidas sobre a efetiva participação do grupo português anunciado durante o processo de licitação judicial.

Quando venceu o processo para assumir a concessão ferroviária fluminense, o consórcio informou que a operação seria conduzida pela empresa brasileira MPE Engenharia em parceria com o Grupo Barraqueiro, de Portugal, tradicional operador europeu do setor de transportes. Entretanto, passados mais de três meses desde o anúncio oficial, ainda não foram apresentados publicamente detalhes concretos sobre a atuação prática do grupo estrangeiro na operação ferroviária do Rio de Janeiro. A ausência de informações mais detalhadas sobre a participação portuguesa tem gerado questionamentos entre especialistas e usuários do sistema, principalmente diante do histórico recente de dificuldades operacionais enfrentadas pela rede ferroviária fluminense. O transporte metropolitano do Rio atravessa há anos um cenário marcado por altos e baixos, com problemas de manutenção, falhas operacionais, furtos de cabos, dificuldades financeiras e redução gradual da qualidade do serviço prestado à população.

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Além das dúvidas sobre a composição efetiva do grupo operador, a transição para a Nova Via Mobilidade também acontece com pendências relevantes envolvendo a transferência de bens operacionais, incluindo parte da frota de trens utilizada no sistema. A questão é considerada estratégica, já que a continuidade da operação depende diretamente da disponibilidade de material rodante em condições adequadas de funcionamento.

Segundo a BandNews, a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), contratada para avaliar a capacidade técnica da nova operadora, aprovou o plano operacional apresentado pela concessionária, porém com ressalvas importantes. De acordo com a análise técnica, o documento entregue pela Nova Via Mobilidade não detalha adequadamente procedimentos ligados à circulação ferroviária e à segurança dos passageiros, principalmente em cenários de emergência operacional. Entre os pontos observados pela CPTM estão situações relacionadas a acidentes, falhas no sistema e interrupções de circulação. O parecer também apontou ausência de um plano de contingência suficientemente detalhado para retomada das operações em caso de paralisações ou problemas graves na rede ferroviária.

As discussões sobre a nova concessão ferroviária não se limitam aos aspectos técnicos. Ainda antes da conclusão da licitação, o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) já havia levantado questionamentos relacionados ao processo. Em fevereiro, segundo a reportagem, o órgão apontou possíveis irregularidades no edital, especialmente em relação à ausência de previsão orçamentária clara para subsídios públicos ao sistema ferroviário. A questão dos subsídios, por exemplo, é considerada central para a sustentabilidade econômica do transporte ferroviário metropolitano. Especialistas apontam que praticamente todos os grandes sistemas urbanos de passageiros do mundo operam com algum nível de participação financeira do poder público, especialmente em regiões metropolitanas densas e socialmente dependentes do transporte coletivo.

No caso fluminense, o equilíbrio econômico do sistema ferroviário tornou-se ainda mais delicado após anos de perda de demanda, degradação operacional e sucessivas crises financeiras enfrentadas pela antiga concessionária SuperVia. O próprio modelo de transição atualmente em andamento envolve participação direta do Governo do Estado através de aportes emergenciais e reorganização institucional da operação.

O conselheiro Thiago Pampolha, do Tribunal de Contas do Estado, chegou a solicitar esclarecimentos formais à Secretaria Estadual de Transportes e Mobilidade Urbana sobre pontos do edital e da estrutura financeira da concessão. Entretanto, segundo a BandNews, o processo ainda permanece sem conclusão definitiva dentro da Corte de Contas. Em nota oficial, a Secretaria Estadual de Transportes informou que a escolha da Nova Via Mobilidade ocorreu através de leilão judicial conduzido pela 6ª Vara Empresarial, seguindo critérios técnicos e jurídicos previstos no edital do processo.

A nova fase da operação ferroviária do Rio de Janeiro é acompanhada com expectativa por passageiros, técnicos e especialistas em mobilidade urbana. O sistema ferroviário metropolitano segue sendo uma das estruturas mais importantes para deslocamento diário da população fluminense, especialmente nos ramais da Baixada Fluminense, Zona Norte e municípios periféricos da Região Metropolitana. Ao mesmo tempo, cresce entre especialistas o entendimento de que a recuperação efetiva do sistema ferroviário fluminense dependerá não apenas da mudança de operador, mas também de investimentos estruturais contínuos, renovação da infraestrutura, combate ao vandalismo, modernização tecnológica e definição de uma política pública ferroviária de longo prazo para o estado do Rio de Janeiro.

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