Incêndio na estação Japeri – Julho de 2020

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Estação Japeri em 1962 - Imagem do Acervo Benício Guimarães

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✍️ Redação Trilhos do Rio
📅 01/09/2025
🕚 13h30
📷 Acervo Benício Guimarães


Madrugada de domingo, dia 19 de julho de 2020. De manhã iniciamos o dia tristes pela perda de um grande patrimônio, ou no mínimo, danos consideráveis a uma pérola histórica e ferroviária inaugurada em 08 de novembro de 1858: foi seriamente danificada por um incêndio a estação de Japeri, de grande importância arquitetônica, cultural, histórica e ferroviária, fazendo parte inclusive do Brasão do município, emancipado em 1991.




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https://www.trilhosdorio.com.br/aftr_wp/wp-content/uploads/2020/07/1200px-Bras%C3%A3o_de_Japeri.svg_.png Construída e inaugurada no segundo trecho da Estrada de Ferro Dom Pedro II (posteriormente Central do Brasil), o chamado “Casarão” de Japeri chamava-se originalmente Belém (tendo o nome atual adotado na década de 1940) e é um prédio de alvenaria de tijolos com estrutura de madeira, dividido em três módulos sendo os dois extremos com dois pavimentos e o central com apenas um. A cobertura é em telha vã, apoiada em mãos francesas de madeira e a fachada uma estrutura em enxaimel com apliques de madeira formando padrões regulares. As esquadrias também são em madeira, as portas almofadadas com bandeiras de madeira e vidro em arco pleno e as janelas e a laje do segundo piso também em madeira. Tudo isso infelizmente contribuiu para a rápida propagação das chamas.

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Estação de Japeri em seu nome original: Belém
Planta da estação de BelémArquivos RFFSA
Planta da estação de Belém Arquivos RFFSA

  

Após o prédio deixar de abrigar as bilheterias, centros de controle e sinalização, escritórios do responsável pela estação e sala de descanso de funcionários, a construção ficou abandonada durante várias décadas. Infestações de cupins, abrigos de pombos e muita sujeira foram alguns dos vários problemas detectados, inclusive tornando-se questão de saúde pública.

Fotos de Ana Lucia Vieira dos Santos em 2006 (via INEPAC), antes de alcançar um estado crítico de conservação
Fotos de Ana Lucia Vieira dos Santos em 2006 (via INEPAC), antes de alcançar um estado crítico de conservação

Estação Japeri em 2006    

Em setembro de 2016 a estação já encontrava-se em avançado mau estado de conservação. Na foto o grande pátio da estação, e à esquerda o prédio original.Foto: Daddo Moreira
Em setembro de 2016 a estação já encontrava-se em avançado mau estado de conservação. Na foto o grande pátio da estação, e à esquerda o prédio original. Foto: Daddo Moreira

 

Em 2006 a cobertura da plataforma encontrava-se escorada, com risco de desabamentoAna Lucia Vieira dos Santos (via INEPAC)
Em 2006 a cobertura da plataforma encontrava-se escorada, com risco de desabamento Ana Lucia Vieira dos Santos (via INEPAC)

 

Em 2018 foi iniciado um processo de restauração. Segundo o INEPAC a edificação principal precisava de grandes reparos, com a estrutura de madeira e o forro estavam seriamente comprometidos por cupins. O chefe de manutenção afirmava que as peças estruturais dos telhados encontravam-se livres de infestação, mas isso não foi confirmado, sendo inclusive contestado. A cobertura da plataforma também encontrava-se comprometida, sendo escorada em dois pontos.

Planta constante no projeto de restauração, levantada por Ana Lucia Vieira dos Santos, Fernanda Falseth e revisada por Roberto Anderson Magalhães em 2010
Planta constante no projeto de restauração, levantada por Ana Lucia Vieira dos Santos, Fernanda Falseth e revisada por Roberto Anderson Magalhães em 2010

 

Em outubro de 2019 a restauração foi concluída, tornando a estação original de Japeri uma atração turística. Todos que passavam pelo local, para embarque ou desembarque dos trens rumo a Paracambi ou à Central do Brasil apreciavam a beleza do prédio, onde principalmente os detalhes em madeira se destacavam.

Infelizmente, menos de um ano depois de restaurada, um incêndio, provocado por causas ainda em apuração, destruiu grande parte do prédio enterrando 162 anos de existência. Provavelmente apenas com uma grande restauração ou reconstrução em réplica o conjunto arquitetônico será recuperado. Uma lástima, uma tragédia para o passado e história ferroviária.

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Todas as imagens acima: Facebook

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Fonte: Site G1

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    O Departamento de Pesquisas e Projetos Trilhos do Rio surgiu como um grupo de amigos, profissionais, entusiastas e pesquisadores ferroviários que organiza, desde o ano de 2009, eventos, atividades e pesquisas, tanto documentais quanto em campo, sobre a história e patrimônio ferroviário do estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de resgatar, preservar e divulgar a história e memória dos transportes sobre trilhos fluminenses.
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