Após adiamentos, Supervia tem data para sair: 16 de março de 2026

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✍️ Redação Trilhos do Rio, com informações do G1
📆 18 de novembro de 2025
⏱️ 20h22
📷 Reprodução TV Globo

Depois de quase três décadas sob administração privada, e sucessivos adiamentos, a SuperVia anunciou oficialmente que deixará a operação dos trens urbanos do Rio de Janeiro no dia 16 de março de 2026. O sistema, que conecta a capital à Baixada Fluminense ao longo de 270 km de trilhos, cinco ramais e 104 estações, enfrenta hoje um dos momentos mais críticos de sua história — e a definição do novo operador promete ser determinante para o futuro da mobilidade ferroviária do estado.

Atualmente, cerca de 300 mil pessoas utilizam os trens diariamente. Mas a experiência do passageiro é marcada por insegurança, superlotação, vandalismo e sucateamento. Uma nova empresa deve ser escolhida pelo governo estadual até dezembro, com previsão de transição entre a SuperVia e o novo operador entre janeiro e março de 2026.




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O desgaste na operação não começou agora. A concessão, iniciada em 1998, enfrentou desafios crescentes: furtos de cabos, vandalismo, intervalos irregulares, trens depredados e uma tarifa congelada por longos períodos criaram uma combinação explosiva. Em 2023, a própria empresa comunicou ao governo que não conseguiria manter o serviço, citando prejuízos agravados pela pandemia. Um acordo judicial garantiu a continuidade até 2026, mas com múltiplas limitações estruturais. Nos últimos anos, a sensação entre muitos passageiros foi de abandono. Em ramais mais movimentados como Deodoro, Santa Cruz e Japeri, a situação se deteriorou a ponto de afetar a segurança física dos usuários e da equipe ferroviária.


Insegurança e sucateamento: o desafio mais emergencial

O problema da segurança se tornou crítico. Usuários de drogas circulam livremente em estações como Senador Camará, Jacarezinho, Padre Miguel e Japeri, onde equipes de reportagem de uma emissora de TV flagraram até tráfico ocorrendo à luz do dia, algo que é conhecido pelos usuários dos trens há vários anos. O GPfer (Grupamento de Polícia Ferroviária), da PM, atua em estações e trens, mas admite que ainda há muito a ser feito. Roubos de cabos continuam sendo um dos maiores fatores de interrupções e falhas operacionais.

O sucateamento é visível em diversas partes do sistema:

  • banheiros quebrados ou inutilizáveis,

  • escadas rolantes paradas,

  • acessibilidade comprometida,

  • plataformas deterioradas,

  • vagões abandonados formando verdadeiros “cemitérios” ao longo da via e em pátios e instalações da empresa.

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Em Paracambi, falta até banheiro para os passageiros — algo básico para qualquer sistema de transporte moderno. Para quem depende dos trens diariamente, especialmente pessoas com mobilidade reduzida, a situação é ainda mais desafiadora. “A gente quer reclamar, mas parece que a nossa voz não sai ou não é ouvida”, relatou uma passageira.

A combinação de poucos trens, intervalos longos e vandalismo resulta em grandes aglomerações, especialmente nos horários de pico. Muitos passageiros descrevem a jornada diária como “sufoco”. A tarifa, atualmente em R$ 7,60 (ou R$ 5 na tarifa social), também é frequentemente questionada pelo público, que considera o preço incompatível com a qualidade oferecida.

Segundo a secretária estadual de Transportes, Priscila Haidar Sakalem, a transição será planejada para minimizar impactos aos usuários. O novo operador terá um contrato de cinco anos, com metas de desempenho e exigência de investimentos.

Entre os desafios imediatos estão:

  • reforço da segurança nas estações;

  • combate ao furto de cabos;

  • recuperação de banheiros, escadas e acessos;

  • aumento da confiabilidade operacional;

  • modernização gradativa da frota;

  • melhora significativa no atendimento e na comunicação com passageiros.

A SuperVia declarou, em nota, ter investido R$ 160 milhões no último ano, em parceria com o estado, para recuperar sinalização e infraestrutura, gerando pequenos ganhos de regularidade em alguns ramais. Ainda assim, o passivo estrutural acumulado é enorme.

A troca do operador representa uma das maiores mudanças no transporte público do Rio em décadas. O novo administrador encontrará um sistema com potencial gigantesco, capaz de transportar mais de um milhão de pessoas por dia, mas precisará enfrentar problemas históricos com planejamento, investimento e segurança. Os próximos meses serão decisivos para determinar se os trilhos da região metropolitana do Rio de Janeiro finalmente entrarão em um ciclo de renovação ou se continuarão marcados por abandono e incerteza.


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    O Departamento de Pesquisas e Projetos Trilhos do Rio surgiu como um grupo de amigos, profissionais, entusiastas e pesquisadores ferroviários que organiza, desde o ano de 2009, eventos, atividades e pesquisas, tanto documentais quanto em campo, sobre a história e patrimônio ferroviário do estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de resgatar, preservar e divulgar a história e memória dos transportes sobre trilhos fluminenses.
    Entre os anos de 2014 e 2021 fomos formalizados como uma ONG, a Associação Ferroviária Trilhos do Rio, e desde 2024 fazemos parte, como um departamento, da Associação Ferroviária Melhoramentos do Brasil

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