Ferrovia entre Espírito Santo e norte do Rio de Janeiro tem acordo homologado pelo TCU
Porto do Açu - Imagem: Portos e Navios
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✍️ Redação Trilhos do Rio, com informações de : Tribuna Online, ES Fala, ANTT, Foco no ES, Ferrovia Vez e Voz e Wikipedia
📅 28/09/2025
🕚 17h00
📷 Portos e Navios
Recentemente, o governo federal junto à concessionária MRS Logística firmou um acordo homologado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) que disponibiliza R$ 2,8 bilhões para a construção de um trecho estratégico da Ferrovia Vitória-Rio (EF-118). Este trecho prioritário tem cerca de 200 quilômetros e ligará Anchieta, no Espírito Santo, ao Porto do Açu, em São João da Barra, no Norte do Estado do Rio de Janeiro.
Uma parte desse investimento está incluída em um montante maior, de R$ 3,2 bilhões, anunciado anteriormente como aporte federal para a concessão da EF-118, cujo leilão está previsto para março de 2026. Através desse certame pretende-se definir quem será o operador responsável por esse novo trecho ferroviário, configurando-o como uma ligação logística relevante entre os portos do Sudeste.
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Mais sobre a EF-118 e os trechos envolvidos
A Ferrovia Vitória-Rio (EF-118) — também chamada de Anel Ferroviário do Sudeste — não se trata de uma ferrovia simplesmente entre Vitória e a cidade do Rio de Janeiro, como o nome pode sugerir. O projeto completo prevê uma extensão total de aproximadamente 575 quilômetros, ligando Santa Leopoldina (ES) até Nova Iguaçu (RJ), com conexão entre várias malhas ferroviárias existentes, incluindo a EFVM (Vitória a Minas) e a rede da MRS Logística.
Dentro desse projeto, há três trechos principais:
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Trecho Norte: liga Santa Leopoldina a Anchieta, no Espírito Santo. Este segmento será incorporado à Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM).
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Trecho Central, o prioritário, de cerca de 200 km, entre Anchieta (ES) e o Porto do Açu (RJ). Esse trecho será construído com parte dos recursos do acordo com a MRS e aporte federal.
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Trecho Sul, que vai de São João da Barra (onde está o Porto do Açu) até Nova Iguaçu (RJ), completando a malha prevista; esse trecho depende de etapas adicionais, regulatórias ou de viabilidade, sendo cogitado como parte dos investimentos futuros.
Benefícios, modelo de financiamento e perspectivas
O modelo de execução prevê uma concessão de 50 anos, com aporte financeiro tanto privado quanto público. A MRS Logística se comprometeu a repassar R$ 2,8 bilhões para o governo como parte do acordo; este recurso se soma aos demais previstos para garantir a viabilidade da operação e construção.
O conceito de “investimento cruzado” também aparece nas negociações: valores pagos ou devidos pela concessionária em outros contratos ou concessões podem ser aplicados neste novo projeto, para reforçar a sustentabilidade financeira da EF-118.
Outra característica importante do projeto são suas conexões portuárias estratégicas: além do Porto do Açu, a ferrovia deve integrar outros terminais como o Porto de Vitória e Porto Central no ES, expandindo a malha de escoamento de cargas para exportação, reduzindo custos logísticos e sobrecarga de rodovias.
Críticas, desafios e cronograma
Embora o trecho Anchieta-Porto do Açu seja o prioritário, o projeto enfrenta desafios típicos de grandes obras ferroviárias: desapropriações, licenças ambientais, impactos sociais, definição de bitola, alinhamentos e custo do investimento.
O cronograma informa que o leilão da EF-118 deverá ocorrer em março de 2026, com os primeiros segmentos operacionais sendo realizados após o período de construção previsto. O trecho entre Anchieta e Porto do Açu tem previsão de implantação em cerca de 8 anos, conforme a previsão técnica.
Conclusão
Este acordo confirmando a construção do trecho entre Anchieta-ES e Porto do Açu-RJ é fundamental para que a Ferrovia Vitória-Rio (EF-118) atue como uma rota ferroviária que conecte portos, agilize exportações, diminua o tráfego de cargas por rodovia e ofereça uma alternativa logística moderna no Sudeste. Embora o nome “Vitória-Rio” sugira uma ligação direta entre essas capitais, inicialmente não será isso que ocorrerá, mas no futuro o projeto tem previsão de ir muito além, sendo parte de uma malha integrada prevista para conectar regiões, portos e indústrias, com forte impacto para infraestrutura, comércio, ambiente e economia nacional.
