Expansão do VLT para São Cristóvão é citada em evento: saiba quais as estações propostas

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Imagem: Prefeitura do Rio de Janeiro

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✍️ Redação Trilhos do Rio, com informações do Jornal Extra
📅 23/10/2025
🕚 11h32
📷 Divulgação Prefeitura do Rio

A ampliação da área do Porto Maravilha até São Cristóvão, aprovada no fim de 2023, está abrindo as portas para uma nova fase de revitalização urbana e econômica no tradicional bairro imperial do Rio de Janeiro.
Com regras urbanísticas mais flexíveis e incentivos à construção civil, a região deve atrair uma série de novos empreendimentos residenciais e comerciais, consolidando-se como um dos principais polos de transformação da cidade nos próximos anos.

Além dos futuros lançamentos imobiliários, o bairro — que já foi residência da Família Real e importante centro industrial e ferroviário — se prepara para receber grandes obras de infraestrutura e lazer, como a reforma do estádio de São Januário, a restauração da estação Leopoldina e a possível construção de uma nova arena para o Flamengo.
Esses projetos, aliados à excelente oferta de transporte, são vistos como alavancas fundamentais para o renascimento de São Cristóvão.




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Um novo modal sobre trilhos (ou pneus) está a caminho

Durante o evento Caminhos do Rio, promovido pelos jornais O Globo e Extra com patrocínio da Prefeitura do Rio, o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima, apresentou os estudos de implantação de um novo sistema de transporte urbano que poderá atender a região.
Entre as alternativas em análise estão o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) — semelhante ao que circula pelo Centro — e o Veículo Leve sobre Pneus (VLP), mais econômico por dispensar a instalação de trilhos.

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Imagem: Prefeitura do Rio de Janeiro

Um modelo similar ao VLP, chamado Bonde Urbano Digital, será testado ainda este ano na Região Metropolitana de Curitiba, utilizando sensores magnéticos no asfalto para guiar os vagões.
No caso carioca, o trajeto proposto terá cerca de 5,2 quilômetros, começando no Terminal Gentileza — que já foi construído voltado para São Cristóvão — e conectando pontos estratégicos como a Feira de São Cristóvão, a Quinta da Boa Vista, o Bioparque e a estação de integração São Cristóvão, interligando trem, metrô e ônibus até chegar à Praia Formosa, passando pela histórica Leopoldina.

“Vamos fechar o arco de conectividade do Porto”, explicou o secretário, destacando que o modal será fundamental para integrar os sistemas de mobilidade urbana e desenvolvimento econômico.

As estações propostas foram as seguintes, a partir do TIG – Terminal Intermodal Gentileza:

  • Parada Escobar
  • Parada Figueira de Melo
  • Parada São Luís Gonzaga (Pavilhão de São Cristóvão)
  • Parada Fonseca Teles
  • Parada Bioparque
  • Parada Quinta da Boa Vista
  • Parada São Cristóvão
  • Parada Ceará
  • Parada Leopoldina
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Um bairro conectado, acessível e menos dependente de carros

Para o vice-presidente de Negócios da Construtora Cury, Leonardo Mesquita, São Cristóvão vive uma oportunidade única de se tornar o primeiro bairro verdadeiramente independente do automóvel no Rio.
A empresa já lançou o Residencial Cartola, primeiro empreendimento da região após a ampliação do Porto Maravilha, no terreno da antiga sede da Ipiranga, na Rua Francisco Eugênio.
O próximo projeto, previsto para janeiro de 2026, será construído na antiga Companhia de Luz Steárica — negócio do Barão de Mauá — preservando galpões históricos do século XIX.

A expansão da área do Porto Maravilha elevou o território total de 5 milhões para 8,7 milhões de metros quadrados, incluindo São Cristóvão.
O financiamento das obras é feito por meio dos Cepacs (Certificados de Potencial Adicional de Construção) — títulos que permitem a edificações ultrapassar o limite de altura e área em troca de investimentos em infraestrutura.
Esses recursos já foram fundamentais para o reurbanismo da antiga Perimetral, demolida em 2013.

Mesquita destaca que São Cristóvão reúne qualidades raras no Rio: “É um lugar com transporte, lazer e história — e agora, com chance de ser também o lugar do povo”.
A construtora estima que, até 2064, a região possa alcançar 100 mil novas moradias e receber até 250 mil habitantes.

A visão dos arquitetos e urbanistas

Para Marcela Abla, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RJ), o momento é ideal para recolocar a arquitetura no centro do debate urbano.
Ela defende que as intervenções sejam guiadas por discussões técnicas e participação popular, lembrando que áreas como a Avenida Francisco Bicalho, situada entre o Porto e São Cristóvão, carecem de conexão e planejamento paisagístico.

“É hora de chamar os arquitetos de volta à prancheta”, afirmou Marcela. “A cidade precisa recuperar o olhar do planejamento e da paisagem.”

Comércio, turismo e identidade cultural

A segunda parte do evento discutiu a atração de comércios e serviços para a nova São Cristóvão.
Hoje, o Porto Maravilha ainda sofre com a escassez de supermercados e estabelecimentos de conveniência, e o desafio é não repetir o mesmo cenário.

Segundo Adriana Homem de Carvalho, assessora de turismo da Fecomércio, o bairro tem um “potencial turístico imenso”, com ícones como o Museu Nacional, o Observatório Nacional e o Bioparque do Rio.
“São Cristóvão foi um bairro imperial, depois industrial — agora busca uma nova identidade, que pode unir cultura e negócios”, ressaltou.

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Rejane Micaelo, diretora de operações dos parques do Grupo Cataratas, sugeriu a criação de um circuito cultural, enquanto o empresário Raphael Vidal propôs incentivos fiscais, como isenção de IPTU após emissão de alvarás comerciais, para impulsionar o comércio local.

Vidal, que pretende expandir seus negócios para o bairro, defende que o sucesso da revitalização depende de abraçar a memória e os comerciantes históricos:
“O bar, o restaurante, o botequim têm um papel de preservar a história viva do lugar. A Pequena África, São Cristóvão e o Centro têm essa força — e ela precisa ser respeitada.”

Com o avanço das obras e projetos, São Cristóvão se prepara para viver um novo ciclo, onde tradição, cultura e inovação caminham lado a lado — e o Rio de Janeiro ganha, mais uma vez, um bairro símbolo de sua transformação urbana.


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    O Departamento de Pesquisas e Projetos Trilhos do Rio surgiu como um grupo de amigos, profissionais, entusiastas e pesquisadores ferroviários que organiza, desde o ano de 2009, eventos, atividades e pesquisas, tanto documentais quanto em campo, sobre a história e patrimônio ferroviário do estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de resgatar, preservar e divulgar a história e memória dos transportes sobre trilhos fluminenses.
    Entre os anos de 2014 e 2021 fomos formalizados como uma ONG, a Associação Ferroviária Trilhos do Rio, e desde 2024 fazemos parte, como um departamento, da Associação Ferroviária Melhoramentos do Brasil

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