Entre Trilhos e Cabos, os Planos Inclinados/Funiculares

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✍️ Redação Trilhos do Rio, com colaboração de Diego Motta
📅 05/08/2025
🕚 10h11
📷 Daddo Moreira em 15/03/2024


Quando se fala em transporte rigidamente guiado, é natural pensarmos imediatamente em trilhos, trens e bondes, dentre outros meios de transporte. Mas a mobilidade em regiões montanhosas ou de relevo acidentado, com desníveis severos e espaços urbanos desafiadores, exigiu — e ainda exige — soluções criativas, técnicas e seguras. É aí que entram os Planos Inclinados, também conhecidos como Funiculares: sistemas que combinam simplicidade mecânica com genialidade topográfica, e que marcam presença em diversos cantos do mundo — inclusive no estado do Rio de Janeiro.




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BASICAMENTE, O QUE É UM PLANO INCLINADO

Em essência, um plano inclinado também é um sistema de transporte rigidamente guiado sobre trilhos, mas com auxílio de cabos ou guias, projetado para conectar dois pontos com diferença acentuada de altura. Sua função principal é vencer o relevo, ligando áreas elevadas a regiões mais baixas (ou vice-versa), algo fundamental em morros, falésias, serras e ladeiras urbanas.

Embora varie de acordo com a tecnologia, a configuração clássica de um funicular consiste em dois veículos interligados por um cabo, que se movem em sentidos opostos sobre trilhos: enquanto um sobe, o outro desce, equilibrando o sistema com ajuda da gravidade e motores auxiliares. Contudo, também são muito comuns os modelos que utilizam contrapesos, como um elevador tradicional, ou trilhos centrais adicionais para tração e segurança, como usados em sistemas de transporte ferroviário com cremalheira, mas neste caso os trilhos são comuns e usados como recursos adicionais e complementares.

Inclusive cabe ressaltar esta diferença para os elevadores/ascensores comuns: aqui no site são e serão pesquisados, registrados e divulgados apenas os sistemas ascensores em rampa inferior a 90 graus, o que diferencia o sistema dos elevadores comuns de prédios, edifícios e torres, que se locomovem para cima e para baixo verticalmente, enquanto os planos inclinados/funiculares percorrem rampas inclinadas.

ORIGENS

Os primeiros registros de sistemas semelhantes datam da antiguidade, com rudimentares dispositivos de cordas e roldanas usados em construções ou minas. No entanto, os funiculares modernos se disseminaram na Europa entre os séculos XVIII e XIX, com destaque para:

  • O Reisszug (Áustria, 1515), considerado o mais antigo ainda em operação — usado para transportar cargas até o Castelo de Hohensalzburg.
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Plano Inclinado de Reißzug, Áustria – Imagem: Alchetron
  • O Funicular de Lyon (França, 1862), primeiro do mundo voltado ao transporte de passageiros.
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O Funicular de Lyon (Fourviere Funicular) – Imagem: Kanoa.org
  • O icônico funicular de Niesenbahn, nos Alpes Suíços (1910), que até hoje encanta turistas e estudiosos da engenharia.
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Niesenbahn Funicular, na Suíça – Imagem: Alpine Hikers

E NO BRASIL

Nosso território, repleto de serras e relevos acentuados, é terreno fértil para o uso de planos inclinados. Cidades como:

  • Santos (SP), com o plano inclinado Monte Serrat,
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Funicular de Santos. Imagem: Tadeu Nascimento (Turismo Santos)
  • Salvador (BA), como o Plano Inclinado Gonçalves e o Plano Inclinado Liberdade-Calçada,
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Plano Inclinado Gonçalves – Imagem: Bahia Terra
  • E o Plano Inclinado do Outeiro da Glória, no Rio de Janeiro. Estes são alguns dos exemplos que revelam a importância dessa solução no cenário urbano e turístico brasileiro.
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Plano Inclinado do Outeiro da Glória – Imagem: Jorge William (O Globo)

A RELEVÂNCIA NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

O Rio de Janeiro — estado e capital — tem muitas vezes o relevo como protagonista. Morros, encostas, comunidades isoladas por desníveis, e locais turísticos elevados criam uma demanda natural por soluções como os funiculares. Historicamente, planos inclinados foram essenciais para acesso à estruturas elevadas, transporte de operários e cargas e ligações urbanas ou comunitárias, além do aspecto turístico, conectando pontos altos e baixos com eficiência e menor impacto ambiental..

Além disso, o uso desse sistema não depende de largas faixas de domínio — algo estratégico para áreas densamente ocupadas ou ambientalmente sensíveis.

Apesar de seu uso ter sido pouco destacado com o tempo, os planos inclinados continuam sendo uma alternativa moderna, segura, sustentável e atrativa, tanto para fins urbanos, turísticos ou mesmo particulares (existem condomínios, clubes e hotéis que dispõem desta sistema). Com o crescimento das cidades e a busca por soluções mais inclusivas e acessíveis em áreas com topografia complexa, este sistema pode — e deve — ser rediscutido e valorizado.

No contexto do projeto Trilhos do Rio, abrir espaço para essas tecnologias ampliadas — mas ainda rigidamente guiadas — é também abraçar a pluralidade das soluções sobre trilhos e cabos que ajudam a ligar histórias, pessoas e territórios. Além disso, é muito pouco conhecido o fato de que o estado do Rio de Janeiro, e não apenas a capital, possua diversos desses sistemas instalados que funcionam e conectam os mais variados lugares.

Você sabia, por exemplo, que existem ou existiram sistemas funiculares em Niterói ou Armação dos Búzios?

Pois é, aguardem novidades sobre o assunto aqui no site Trilhos do Rio!


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    O Departamento de Pesquisas e Projetos Trilhos do Rio surgiu como um grupo de amigos, profissionais, entusiastas e pesquisadores ferroviários que organiza, desde o ano de 2009, eventos, atividades e pesquisas, tanto documentais quanto em campo, sobre a história e patrimônio ferroviário do estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de resgatar, preservar e divulgar a história e memória dos transportes sobre trilhos fluminenses.
    Entre os anos de 2014 e 2021 fomos formalizados como uma ONG, a Associação Ferroviária Trilhos do Rio, e desde 2024 fazemos parte, como um departamento, da Associação Ferroviária Melhoramentos do Brasil

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