Entre o potencial e o caos diário, circulam os trens do Rio de Janeiro

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Homem dorme sobre os bancos do vagão, sem se incomodar com a goteira que caía do teto e molhava o chão: o trem enguiçou na estação de Belford Roxo e foi substituído — Foto: Carmélio Dias / Agência O Globo

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No cenário ideal, os trens seriam a solução perfeita para o transporte urbano: rápidos, eficientes, sustentáveis e confortáveis. No entanto, no Rio de Janeiro, o sistema ferroviário é mais sinônimo de problemas do que de conveniência. Embora os usuários frequentemente culpem a operadora pelos transtornos, muitos poderiam ser evitados com uma maior conscientização dos próprios passageiros. O fato é que, dentro ou fora dos vagões, os desafios são inúmeros.

A SuperVia transporta cerca de 306 mil passageiros diariamente, mas a insatisfação é constante. Até setembro, foram registradas 756 reclamações na ouvidoria da Agetransp, superando os números dos dois anos anteriores. Entre as queixas mais frequentes estão atrasos, intervalos irregulares e falta de acessibilidade. No último incidente, um trem que deveria partir da estação de Belford Roxo foi substituído por outro devido a problemas técnicos, atrasando a viagem. Enquanto isso, cenas comuns como lixo no chão, goteiras nos vagões e até lâmpadas soltas revelam a precariedade do serviço.




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Nos trens, o cotidiano é marcado por um frenético comércio ambulante, celulares em volumes altos e situações inusitadas, como a presença de animais sem coleira. Apesar disso, gestos de civilidade, como ceder lugar a idosos e gestantes, são um alívio em meio ao caos.

Do lado de fora, a realidade é ainda mais crítica. Próximo a estações como Jacarezinho e Senador Camará, barracas de vendas improvisadas ocupam áreas ferroviárias, algumas delas usadas como pontos de venda de drogas. Dentro dos trens, cenas perigosas como “surfistas ferroviários” — pessoas que viajam penduradas nas janelas ou portas — reforçam o risco constante. Em algumas estações, muros quebrados permitem que passageiros entrem sem pagar, aumentando a evasão de receita.

O vandalismo é outro problema grave: vidros quebrados, assentos arrancados e furtos frequentes de cabos são parte da rotina. Em resposta, a SuperVia afirma recolher mensalmente grandes volumes de lixo, além de instalar equipamentos antivandalismo e promover campanhas educativas.

Com a previsão de saída da SuperVia da gestão no próximo ano, a empresa se despede de um sistema que reflete não apenas suas falhas, mas também a falta de fiscalização e investimentos adequados por parte do poder público. Enquanto isso, os passageiros seguem enfrentando uma rotina de desafios em um transporte que deveria ser um alívio para a mobilidade urbana.

 

Com informações do Jornal O Globo (matéria original neste link, clique aqui)
Texto escrito em 6 de dezembro de 2024 às 0h00
Última atualização em 6 de dezembro de 2024 às 0h00
Imagem de capa: Carmélio Dias / Agência O Globo

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    O Departamento de Pesquisas e Projetos Trilhos do Rio surgiu como um grupo de amigos, profissionais, entusiastas e pesquisadores ferroviários que organiza, desde o ano de 2009, eventos, atividades e pesquisas, tanto documentais quanto em campo, sobre a história e patrimônio ferroviário do estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de resgatar, preservar e divulgar a história e memória dos transportes sobre trilhos fluminenses.
    Entre os anos de 2014 e 2021 fomos formalizados como uma ONG, a Associação Ferroviária Trilhos do Rio, e desde 2024 fazemos parte, como um departamento, da Associação Ferroviária Melhoramentos do Brasil

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