CSN reduz participação na MRS e vende até 11,2% por R$ 3,35 bilhões

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✍️ Redação Trilhos do Rio, com informações de Alberto Alerigi Jr. (Infomoney) e Reuters
📆 18/12/2025
⏱️ 22h11
📷 Reuters: Minério de ferro no porto de Dalian, China

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) anunciou nesta quinta-feira, 18 de dezembro, um acordo para a venda de até 11,17% de sua participação na MRS Logística, uma das principais operadoras ferroviárias do país. A operação será realizada em favor da CSN Mineração, empresa do mesmo grupo, e poderá alcançar o valor total de R$ 3,35 bilhões, segundo fato relevante divulgado ao mercado e informações publicadas pela agência Reuters.

De acordo com a CSN, a alienação da participação ocorrerá em duas etapas distintas. A primeira transação, já firmada, envolve um montante de R$ 2,75 bilhões, com pagamento à vista. Nessa fase, foram negociadas 974.851 ações ordinárias, 2.673.312 ações preferenciais classe A e 27.333.064 ações preferenciais classe B da MRS, o que corresponde a aproximadamente 9,17% do capital social da operadora ferroviária.




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A segunda etapa da operação, estimada em cerca de R$ 600 milhões, refere-se à venda adicional de 6.759.540 ações preferenciais classe B, equivalentes a aproximadamente 2% do capital social da MRS. Conforme informado pela companhia, essa transação ainda depende da obtenção das aprovações legais usuais para esse tipo de operação, incluindo eventuais manifestações de órgãos reguladores e instâncias societárias competentes.

Com a conclusão da segunda transação, a CSN deixará de deter ações preferenciais da MRS, alterando significativamente o perfil de sua participação na companhia ferroviária. Ainda assim, o grupo manterá uma posição relevante no capital votante da operadora. Segundo o comunicado oficial, a CSN seguirá como acionista de 13,69% do capital votante da MRS, o que corresponde a 25.636.431 ações ordinárias.

A operação ocorre em um contexto mais amplo de reorganização financeira do grupo CSN. Nos últimos anos, a companhia — que atua nos setores de siderurgia, mineração, cimento, energia e logística — vem reiterando ao mercado seu compromisso com a redução do endividamento e a racionalização de ativos. A venda de participações consideradas não estratégicas ou passíveis de realocação dentro do próprio grupo tem sido apontada como uma das ferramentas centrais dessa estratégia.

Segundo analistas do mercado financeiro, operações intragrupo, como a transferência de participação da CSN para a CSN Mineração, podem oferecer maior flexibilidade na gestão dos ativos, além de permitir uma alocação mais alinhada entre geração de caixa, perfil de endividamento e foco operacional de cada empresa. No caso específico da MRS Logística, a ferrovia desempenha papel fundamental no escoamento de minério de ferro, produtos siderúrgicos e cargas gerais entre Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo — regiões onde a CSN Mineração concentra parte relevante de suas operações.

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A própria CSN havia informado, cerca de um mês antes do anúncio oficial, que estava em negociações para a venda de sua participação na MRS à mineradora do grupo, sinalizando ao mercado que a transação fazia parte de um planejamento previamente estruturado. O desfecho anunciado agora confirma essa estratégia e reforça o movimento de ajuste interno do conglomerado.

Para o setor ferroviário, a operação não altera, em princípio, a estrutura operacional da MRS, que segue como uma concessionária privada responsável por uma das malhas ferroviárias mais movimentadas do Brasil. No entanto, mudanças na composição acionária podem, ao longo do tempo, influenciar decisões estratégicas, investimentos e prioridades logísticas, especialmente quando relacionadas à integração entre ferrovia e mineração.

Especialistas em infraestrutura destacam que a MRS ocupa uma posição estratégica no sistema logístico nacional, sendo essencial para o transporte de cargas de alto volume e baixo valor agregado, como minério e produtos siderúrgicos. Assim, qualquer movimentação relevante em sua estrutura societária tende a ser acompanhada de perto por investidores, reguladores e pelo próprio setor público.

A transação foi reportada inicialmente pela agência Reuters, em texto assinado pelo jornalista Alberto Alerigi Jr., e comunicada oficialmente pela CSN por meio de fato relevante ao mercado. A expectativa agora recai sobre a conclusão da segunda etapa da venda e sobre os reflexos da operação nos resultados financeiros do grupo e na governança da MRS Logística ao longo de 2026.


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    O Departamento de Pesquisas e Projetos Trilhos do Rio surgiu como um grupo de amigos, profissionais, entusiastas e pesquisadores ferroviários que organiza, desde o ano de 2009, eventos, atividades e pesquisas, tanto documentais quanto em campo, sobre a história e patrimônio ferroviário do estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de resgatar, preservar e divulgar a história e memória dos transportes sobre trilhos fluminenses.
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