Corredor ferroviário Minas-Rio poderá ser o primeiro a ser concedido em 2026

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✍️ Redação Trilhos do Rio, com informações do site Agenda do Poder
📆 19/01/2026
⏱️ 16h40
📷 Portos Rio

O Governo Federal prepara para 2026 o que promete ser um marco na política ferroviária brasileira: a primeira concessão do novo ciclo de outorgas deverá contemplar o corredor ferroviário que liga o Sul Fluminense à principal região produtora de café de Minas Gerais. Com cerca de 740 quilômetros de trilhos, o traçado conecta municípios como Arcos, Lavras e Varginha a cidades estratégicas do estado do Rio de Janeiro, como Barra Mansa e Angra dos Reis, reunindo potencial logístico, econômico e turístico ainda pouco explorado.

Segundo informações do Ministério dos Transportes, o projeto será o primeiro a ser ofertado ao mercado dentro do novo modelo de concessões ferroviárias, baseado em chamamento público sem cobrança de outorga, uma inovação regulatória no setor. Nesse formato, a União disponibiliza a infraestrutura existente à iniciativa privada, condicionando a autorização de exploração à realização de investimentos obrigatórios, com contratos que podem chegar a 99 anos de duração.




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Atualmente, o corredor integra a malha da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), administrada pela VLI – Valor da Logística Integrada, mas encontra-se subutilizado ou praticamente inoperante em diversos trechos. A situação exige investimentos expressivos em recuperação da via permanente, sinalização, pátios e sistemas operacionais, fator que, segundo técnicos do governo, abre espaço para a entrada de novos operadores interessados em revitalizar ferrovias degradadas.

Fim da concessão da FCA acelera decisões estratégicas

A urgência do projeto está diretamente relacionada ao calendário contratual. A concessão original da FCA, firmada em 1996 por 30 anos, se encerra entre agosto e setembro de 2026. Com isso, mais de 7 mil quilômetros de trilhos deverão retornar à União, obrigando o governo a definir rapidamente o destino desses ativos e evitar a interrupção de serviços logísticos essenciais.

De acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), está em análise uma prorrogação emergencial de até dois anos da concessão atual, por meio de termo aditivo, funcionando como uma ponte regulatória até a conclusão dos novos contratos. A legislação de 2017 permite esse tipo de solução em casos de risco de descontinuidade operacional.

Paralelamente, o Ministério dos Transportes mantém o cronograma oficial para avançar com a renovação antecipada e com os novos projetos, incluindo o envio dos processos ao Tribunal de Contas da União (TCU) ainda em 2026 — etapa que não possui prazo definido para conclusão.

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Café, fertilizantes e nova rota de exportação

Estudos técnicos indicam que o corredor Minas–Rio reúne uma combinação rara de fatores positivos: demanda real por transporte de cargas, viabilidade econômica comprovada, inspeções de campo já realizadas e decisão política de priorização. Por esse motivo, o projeto foi incluído no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), passando a contar com acompanhamento direto da Casa Civil da Presidência da República, o que sinaliza maior segurança jurídica ao mercado.

A principal âncora logística do projeto é o café. O Sul de Minas Gerais responde por mais de um terço da produção nacional e carece de alternativas ferroviárias eficientes para o escoamento da safra. A ligação direta com o porto de Angra dos Reis permitiria reduzir custos, aliviar a pressão sobre rodovias e oferecer uma rota alternativa aos portos saturados, como Santos.

Além do café, o traçado pode viabilizar a importação de fertilizantes, o transporte de cargas gerais e, futuramente, até serviços de passageiros. Atualmente, a malha da FCA movimenta cerca de 32 milhões de toneladas por ano, concentradas sobretudo em minério de ferro e insumos siderúrgicos, o que evidencia o potencial de diversificação logística.

Bilhões em investimentos e impacto regional

O plano ferroviário em elaboração pelo governo federal projeta números robustos. A expectativa é de R$ 139,7 bilhões em investimentos em obras e R$ 516,5 bilhões em operações ferroviárias ao longo dos contratos previstos entre 2026 e 2027. O corredor Minas–Rio integra um conjunto de oito grandes traçados prioritários, que incluem ferrovias novas, revitalização de linhas existentes e integração direta com portos.

No âmbito regional, o debate sobre a reativação da ferrovia também mobiliza lideranças políticas e econômicas. Em janeiro de 2025, prefeitos do Sul Fluminense e da Costa Verde se reuniram em Barra Mansa para discutir a retomada da ligação ferroviária até Angra dos Reis e a possível reimplantação do Trem Turístico da Mata Atlântica, reforçando o potencial turístico e cultural do projeto.

Especialistas avaliam que a concessão do corredor Minas–Rio pode representar não apenas uma nova rota logística para o café brasileiro, mas também um ponto de inflexão na política ferroviária nacional, ao testar um modelo regulatório mais flexível e orientado à recuperação de ativos abandonados.


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    O Departamento de Pesquisas e Projetos Trilhos do Rio surgiu como um grupo de amigos, profissionais, entusiastas e pesquisadores ferroviários que organiza, desde o ano de 2009, eventos, atividades e pesquisas, tanto documentais quanto em campo, sobre a história e patrimônio ferroviário do estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de resgatar, preservar e divulgar a história e memória dos transportes sobre trilhos fluminenses.
    Entre os anos de 2014 e 2021 fomos formalizados como uma ONG, a Associação Ferroviária Trilhos do Rio, e desde 2024 fazemos parte, como um departamento, da Associação Ferroviária Melhoramentos do Brasil

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