Clube do Trem de Nova Friburgo demonstra preocupação em Riograndina

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Estação Riograndina. Imagem: Multiplix

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✍️ Redação Trilhos do Rio, com informações do Jornal de Nova Friburgo e de Gabriel Paulino, diretor da Regional EF Cantagalo da AFMB
📅 15/08/2025
🕚 22h43
📷 Portal Multilplix, imagem de 2019

A estação de Riograndina fez parte da Estrada de Ferro Cantagalo e foi aberta com o nome de Rio Grande, em 1876, e o prédio atual ainda é o original, da época da inauguração. A vila de Riograndina, atualmente, é um distrito de Nova Friburgo, bem próximo à área urbana da cidade. Contudo, mesmo com a importância histórica e arquitetônica da estação, nos últimos tempos evidências e denúncias indicam que este patrimônio não estaria recebendo os devidos cuidados. É o que informa o Clube do Trem de Nova Friburgo, que luta pela preservação da história ferroviária na região.

Esta instituição nasceu da paixão de moradores e pesquisadores pela história ferroviária local e regional. Desde a sua fundação, a entidade tem se dedicado a preservar não apenas a memória dos trilhos que marcaram a região serrana, mas também a conscientizar o poder público e a sociedade sobre a importância de manter vivos os marcos históricos que resistem ao tempo.




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Um desses marcos é, como citada, a Estação de Trem de Riograndina, um edifício histórico que já foi símbolo de desenvolvimento e integração de comunidades e que hoje se encontra em estado de abandono. A degradação do prédio não é apenas um problema estético: ela representa a perda gradual de um patrimônio cultural e arquitetônico que ajudou a moldar a identidade da cidade.

Nos últimos anos, a paisagem urbana de Nova Friburgo tem testemunhado a substituição de antigos prédios e estruturas históricas por construções modernas, muitas vezes em detrimento da memória coletiva. A estação de Riograndina é um exemplo claro desse dilema: embora sua restauração tenha sido anunciada em diversas ocasiões, nada de concreto foi feito. Durante as comemorações do bicentenário de Nova Friburgo em 2024, chegou a ser divulgado pela Secretaria Municipal de Cultura que a estação estava “em processo de realinhamento” e que as obras começariam em até 90 dias. Passado mais de um ano desde o anúncio, nenhuma ação foi efetivamente realizada.

A presidente do Clube do Trem, Déborah Cunha, tem reiterado a preocupação da entidade. Em entrevistas, ela destaca que não se trata de buscar polêmicas ou críticas políticas, mas de exigir que o patrimônio histórico receba a atenção que merece:

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“Cuidar do patrimônio ferroviário é cuidar da história de Nova Friburgo. Uma estação de trem não é apenas um prédio antigo: ela guarda memórias, afetos e uma parte essencial da identidade da cidade.” – afirma Déborah.

 

Essa visão é compartilhada por todos os integrantes do Clube, que enxergam com preocupação o descaso diante de um bem tão significativo. Para eles, cada estação ferroviária da região — mesmo desativada — representa capítulos importantes da história local: o ciclo do café, a industrialização, a chegada dos imigrantes, o transporte de mercadorias e a vida cotidiana de milhares de pessoas que dependiam dos trens.

Esta situação também dialoga com um desafio mais amplo: a preservação do patrimônio ferroviário no Brasil. Diversas entidades alertam há décadas sobre o abandono de prédios, trens e linhas desativadas, que poderiam ser convertidos em polos culturais, turísticos e educativos. Cidades como São João del-Rei (MG) e Campos do Jordão (SP) já mostraram que é possível transformar antigas ferrovias em atrativos que movimentam a economia e fortalecem a identidade local. Outras cidades seguem o exemplo, mas ainda de forma tímida.

No caso de Nova Friburgo, a Estação de Riograndina poderia desempenhar papel semelhante, sendo restaurada como espaço cultural, museu ferroviário ou até mesmo ponto de partida para atividades turísticas e educativas ligadas à memória dos trilhos. Para isso, no entanto, é preciso mais do que promessas: é necessário planejamento, investimentos e, sobretudo, vontade política.

Enquanto isso não acontece, o Clube do Trem de Nova Friburgo segue firme em sua missão. Seus membros não pedem favores, mas sim respeito à história e à memória coletiva da cidade, de acordo com Déborah Cunha, que lembra também: preservar a estação não é olhar para o passado, mas também construir um futuro mais consciente e conectado com as raízes da comunidade.

O sentimento que paira entre os integrantes é um misto de tristeza e esperança: tristeza pela inércia que já se arrasta por anos, e esperança de que a mobilização da sociedade e da imprensa possa pressionar para que as promessas finalmente saiam do papel.

Em um mundo que valoriza cada vez mais a memória e a identidade cultural, deixar que a Estação de Riograndina se perca pode ser um erro irreparável.

 

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    O Departamento de Pesquisas e Projetos Trilhos do Rio surgiu como um grupo de amigos, profissionais, entusiastas e pesquisadores ferroviários que organiza, desde o ano de 2009, eventos, atividades e pesquisas, tanto documentais quanto em campo, sobre a história e patrimônio ferroviário do estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de resgatar, preservar e divulgar a história e memória dos transportes sobre trilhos fluminenses.
    Entre os anos de 2014 e 2021 fomos formalizados como uma ONG, a Associação Ferroviária Trilhos do Rio, e desde 2024 fazemos parte, como um departamento, da Associação Ferroviária Melhoramentos do Brasil

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