CEO acredita que ferrovia multiplicará capacidade do Porto do Açu
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✍️ Redação Trilhos do Rio, com informações do Portal Ururaú
📆 28 de outubro de 2025
⏱️ 21h36
📷 Portos e Navios
Se tudo correr conforme o cronograma, a primeira etapa da ferrovia EF-118 — que ligará o Espírito Santo ao Rio de Janeiro — deverá entrar em operação entre 2033 e 2035. A previsão é do CEO do Porto do Açu, Eugenio Figueiredo, que destacou o potencial transformador do projeto durante entrevista à IstoÉ Dinheiro.
O executivo explicou que o processo está em fase de análise pelo Tribunal de Contas da União (TCU), com expectativa de conclusão dos trâmites burocráticos até o primeiro trimestre de 2026, quando o edital deverá ser publicado.
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“A integração do complexo industrial do Porto do Açu à malha ferroviária vai multiplicar nossa capacidade de movimentação. Atualmente, dependemos apenas do modal rodoviário, mas a ferrovia abrirá um horizonte muito mais amplo de volume e eficiência. O projeto em discussão, que passará por licitação e concessão, tem potencial para movimentar cerca de 20 milhões de toneladas”, afirmou Figueiredo.
Em 2024, o Porto do Açu registrou 78 milhões de toneladas movimentadas. Se concretizado, o novo eixo ferroviário poderá representar um aumento de mais de 25% nesse volume total.
A nova ferrovia EF-118
O empreendimento da ferrovia EF-118 prevê 575 quilômetros de extensão, conectando Nova Iguaçu (RJ) a Santa Leopoldina (ES). O traçado proporcionará uma integração estratégica da malha ferroviária do Sudeste, ampliando o acesso a importantes terminais portuários.
Do total, 80 quilômetros, entre Santa Leopoldina e Anchieta, serão construídos pela Vale S.A., como contrapartida pela renovação antecipada de suas concessões ferroviárias. Esse trecho passará a integrar o contrato da Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM).
Já o segmento de 170 quilômetros entre Anchieta e o Porto do Açu fará parte de uma nova concessão, atualmente em estudo de viabilidade. Há também a possibilidade de incluir o trecho de 325 quilômetros entre o Porto do Açu e Nova Iguaçu, considerado um investimento contingente a ser executado pela futura concessionária.
Raio-X do projeto EF-118
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Prazo de concessão: 50 anos
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Extensão total: 575 km
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Investimento estimado (CapEx): R$ 4,6 bilhões
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Custos operacionais (OpEx): R$ 4,4 bilhões
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Capacidade potencial: até 40 milhões de toneladas por ano
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Participação da União: R$ 3,28 bilhões
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Critério de licitação: maior lance vinculado ao menor valor de auxílio financeiro pré-determinado
Porto do Açu mira o agronegócio
De olho em novas oportunidades, o Porto do Açu busca se consolidar como uma nova rota logística para o agronegócio brasileiro, reforçando conexões com regiões produtoras de Minas Gerais, Goiás e leste do Mato Grosso.
“Estamos mostrando aos produtores que o Porto do Açu pode ser uma alternativa competitiva e eficiente para o escoamento da produção”, afirmou Figueiredo.
Reconhecido como o maior exportador de petróleo e gás do país, o porto iniciou suas operações no agronegócio em 2020, movimentando cerca de 550 mil toneladas de grãos em 2024 — entre soja, milho, café e trigo. Para 2025, a meta é atingir 1 milhão de toneladas.
O plano de expansão inclui a criação de um terminal dedicado exclusivamente a grãos até 2028, com investimento estimado em R$ 500 milhões e capacidade inicial de 1,8 milhão de toneladas por ano.
De 2023 até 2025, os principais volumes transportados foram:
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Soja: 242.939 toneladas
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Milho: 134.037 toneladas
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Trigo: 32.546 toneladas
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Café: 15.549 toneladas
A administração do porto tem apostado na importação de fertilizantes como eixo estratégico, buscando ser uma alternativa ao Porto de Vitória, que enfrenta gargalos logísticos e altos custos de demurrage (taxa por atraso na devolução de contêineres). Para otimizar o transporte, a gestão passou a equilibrar o frete rodoviário, combinando a importação de fertilizantes com a exportação de grãos, reduzindo custos e aumentando a eficiência logística.
De projeto de Eike Batista a polo industrial global
Localizado em São João da Barra (RJ), o Porto do Açu foi idealizado em 2007 pelo empresário Eike Batista, com a ambição de torná-lo o maior porto e estaleiro das Américas, além de um centro industrial de referência.
Hoje, o complexo abriga 28 empresas e 11 terminais de padrão internacional. As operações portuárias começaram em 2014, sete anos após o início das obras, com um investimento total de R$ 9 bilhões — bem acima do orçamento inicial de R$ 1,4 bilhão.
Após a saída de Eike, o controle foi assumido pela gestora americana EIG, que aportou R$ 1,1 bilhão e detém atualmente 93,1% da Prumo Logística Global S.A., enquanto o fundo soberano de Abu Dhabi, Mubadala Development Company, possui os 6,9% restantes
