Às vésperas de ano eleitoral, Câmara aprova troca de BRT por VLT/VLP
VLT Rio - Imagem: Daddo Moreira
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✍️ Redação Trilhos do Rio
📅 26 de outubro de 2025
🕚 13h00
📷 Daddo Moreira/Trilhos do Rio, 2024
A nova chave da mobilidade: a expansão do VLT no Rio de Janeiro
Na sessão da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro desta quinta-feira (23/10), foi aprovada de forma definitiva a proposta que prevê a substituição dos corredores BRT da Transcarioca e Transoeste por linhas de veículo leve sobre trilhos (VLT) ou pelo modelo alternativo VLP (veículo leve sobre pneus). Recentemente esta matéria foi pauta de uma notícia aqui no site Trilhos do Rio.
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A proposta agora segue para sanção do prefeito.
Originalmente, o texto também contemplava a expansão das linhas de VLT até a região de São Cristóvão, mas os vereadores foram além e ampliaram o alcance da iniciativa, incluindo áreas como Botafogo (Zona Sul) e a Ilha do Governador (Zona Norte).
A mudança é necessária?
Essa mudança representa mais do que uma troca de modal: trata-se de uma reconfiguração do transporte sobre trilhos no Rio. O uso de VLT ou VLP impacta diretamente a qualidade, frequencia e sustentabilidade do sistema.
Segundo a secretária de Transportes, Maína Celidônio, os estudos — feitos em parceria com o BNDES — apontam que o VLT oferece maior durabilidade e conforto, embora com investimento mais alto; enquanto o VLP aparece como alternativa mais barata, dispensando a instalação de trilhos fixos.
O cronograma apresentado estima um período de 45 meses para a transformação completa dos corredores, com operação parcial na metade desta etapa.
Impactos urbanos: Botafogo, Ilha do Governador, São Cristóvão
A inclusão de Botafogo e Ilha do Governador expande o raio de alcance do transporte sobre trilhos para regiões que, até agora, ficaram parcialmente à margem desse tipo de infraestrutura, já que Botafogo e São Cristóvão possuem estações de sistemas sobre trilhos, mas que atendem apenas um de seus extremos territoriais. Isso pode impulsionar valorização imobiliária, maior acessibilidade e novas rotas de mobilidade integradas.
Em São Cristóvão, a expansão se conecta com outras iniciativas urbanas, como a revitalização da Estação Leopoldina e o crescente polo de habitação e lazer no entorno, estimulado pelo projeto Porto Maravilha.
A mobilidade reforçada funcionaria como um catalisador neste processo.
Desafios e oportunidades à frente
Apesar do entusiasmo, há fatores a considerar:
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O custo relativamente elevado de implantação de VLT (ou adaptação para VLP), que exige considerável investimento público-privado.
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A complexidade técnica: implementar transporte sobre trilhos num corredor antes dedicado a ônibus exige planejamento, obras de infraestrutura, paralisações e cronogramas rigorosos.
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A gestão política: vale lembrar que em 2026 teremos eleições, e historicamente promessas na área de “mobilidade sobre trilhos” ganham força em períodos eleitorais e nem sempre são cumpridas — o que exige atenção sobre executabilidade e compromisso de longo prazo.
Ainda assim, a expansão do VLT desperta esperanças de um sistema mais moderno, eficiente e integrado. Uma mobilidade que conecta bairros com menos dependência do carro, maior qualidade de serviço e impacto urbano positivo.
Devemos ter esperança?
A aprovação já marca o primeiro passo. Com o foco em transporte sobre trilhos ou pneus, o Rio sinaliza um compromisso com a mobilidade do futuro — mais sustentável, urbana e acessível. Mesmo sabendo que prometer é fácil, o fato de incluir zonas antes não beneficiadas e optar por metas de longo prazo reforça o otimismo. Vale acompanhar.
