O trem pra Petrópolis e tudo que vem junto com ele

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✍️ Mozart Rosa
📅 22/07/2020
🕚 9h30
📷 Imagem extraída do livro “Um passeio a Petrópolis em companhia do fotógrafo Marc Ferrez”

 




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O Governo Federal, por meio do Ministro da Infraestrutura Tarcísio Gomes, tem feito um expressivo programa de revitalização do modal ferroviário, acreditem se quiser e por incrível que pareça. Entretanto, com todo o respeito ao Ministro e reconhecendo sua competência, nada tem feito de novo. Apenas tem destravado e dado andamento a projetos paralisados por inépcia dos governos anteriores. Um desses exemplos é a Ferrovia Norte Sul, cujas obras começaram no governo Sarney e estão sendo concluídas na atualidade.

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Ponte ferroviária em Estreito-MA Fonte: Wikipedia

 

Um outro aspecto sobre esses projetos em curso é que a maioria deles não alcançam a massa da população, não trazendo a ela benefícios diretos. São projetos importantes, sem dúvida, mas voltados a graneis e mantendo o que nós aqui temos mostrado ser o ‘Padrão EFCB”, nunca pensando em apoiar algo no “Padrão Leopoldina”

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Trem operando na Ferrovia Norte-Sul Fonte: Youtube

 

Acreditamos que o motivo disso é que o Ministro Tarcísio tenha entre seu grupo de assessores pessoas que também assessoravam o ex-governador Moreira Franco que o fez dar, em determinado momento, uma das mais desastrosas declarações sobre transporte ferroviário no Brasil. Se você não leu e ouviu esse absurdo veja abaixo no link o texto publicado pela Trilhos do Rio com o áudio dessa entrevista e algumas considerações sobre os motivos do fracasso das ferrovias no Brasil. Não deixem também de ler a série completa, com 10 textos.

O motivo do fracasso das ferrovias no Brasil (7) – As teorias da conspiração

A Ferrovia está no imaginário popular, ajudou a desenvolver o Brasil e a criar e consolidar cidades, já mostramos isso aqui. O que o ministro está fazendo é algo muito bom em nível macro. Mas em nível micro, o que está sendo feito?

Nós defendemos que a partir da restauração do Trem para Petrópolis obviamente em bases empresariais – ou seja, com o apoio e a participação do empresariado – se inicie um grande movimento de desenvolvimento econômico como no século XIX que ajudou o Brasil a crescer.

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Estação de Petrópolis em 1898. Nota-se também a continuação da linha em direção ao túnel Quissamã Fonte: Brasiliana Fotográfica

 

O trem para Petrópolis jamais deveria ter sido extinto, pois sempre foi uma operação lucrativa e viável mas que decaiu por conta do serviço ruim que era prestado. A troca de máquinas a vapor por máquinas a diesel modernas, mas eficientes e mais velozes poderia ter mantido o serviço em operação até hoje. A extinção na década de 1960 se deu por incompetência gerencial dos responsáveis. Na década de 1970 o então Presidente da RFFSA tentou restaurar a linha e não foi bem sucedido.

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Trecho na Serra da Estrela da ferrovia rumo a Petrópolis. Este trecho ainda existe, mas como via rodoviária de acesso local. Fonte: Brasiliana Fotográfica

 

Nossa proposta de recuperar essa linha usando VLTs modernos a diesel/bio-diesel na conformação regional para 100 passageiros, com espaço para cadeirantes, pode representar o surgimento de um novo setor na economia. E por que não termos na operação desse trecho empresários do setor rodoviário que hoje operam as linhas rodoviárias para Petrópolis? O VLT a diesel tem quase o mesmo consumo de diesel do ônibus, mas não gasta pneu, suspensão, não fica preso em engarrafamentos, e carrega 100 pessoas. Enquanto o ônibus, carrega apenas 40 e tem todos esses custos mencionados. Esse produto passível de ser fabricado no Brasil até o momento nunca recebeu encomendas e poderia ser a solução para vários projetos de mobilidade.

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Comparativo entre modais evidencia a ampla vantagem em uso do VLT Essa ferrovia pode, usando o “Padrão Leopoldina“, além de passageiros transportar carga geral, relegada pelas grandes operadoras, mas com potencial lucrativo para pequenas.

 

É preciso criar novos paradigmas para o setor de transporte ferroviário

O que o Ministro Tarcísio tem feito até o momento é manter o status quo do setor. Recuperar a Ferrovia para Petrópolis poderá transformá-la no laboratório para experiências práticas de propostas feitas pela equipe Trilhos do Rio, com o uso de veículos para prestação de serviços à população, como mostrado no texto do link abaixo:

A Ferrovia à serviço da coletividade

Sempre lembrando que temos um vizinho chamado Minas Gerais, do tamanho da França e com população de 20 milhões de habitantes, que teve o desenvolvimento da sua Zona da Mata intimamente ligada às ferrovias mas teve a malha ferroviária abandonada pela grandiosa quantidade de erros gerenciais cometidos pela turma da RFFSA.

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Movimentado pátio ferroviário da estação de Três Rios em 1988 Acervo Hugo Caramuru

 

Reativar a Ferrovia para Petrópolis e chegando com ela a Três Rios permitirá conectar essa ferrovia a outras ferrovias existentes e abandonadas que alcançam a Zona da Mata de Minas Gerais e também outras extintas que poderão ser reconstruídas, deixando a população dessas localidades feliz em poder alcançar, também com seus produtos, o mercado consumidor do Rio de Janeiro.

 Sempre usando o “Padrão Leopoldina” de ser 

Além da recíproca ser verdadeira, a população carioca ficará bem satisfeita em poder de forma rápida e confortável chegar em cidades da Zona da Mata de Minas Gerais de trem.

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A Zona da Mata Mineira mescla trechos geradores de produtos, densamente populosos, e também com belas paisagens naturais Foto: Quanto custa viajar

 

Sobre o trem para Petrópolis, o que está em jogo aqui.

  • Recuperação da Primeira Ferrovia do Brasil (EF Mauá no trecho Piabetá x Guia de Pacobaíba);
  • Criação da Primeira Short-Line do Brasil;
  • Criação da Primeira rota de transporte regional ferroviário moderno do Brasil;
  • Operação dos Primeiros Trens Regionais (modernos) do Brasil com veículos construídos para essa função;
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  • Criação da Primeira Ferrovia de Carga de Baixa Tonelagem do Brasil (20 toneladas por eixo);
  • Criação da Primeira Ferrovia voltada ao transporte de lixo do Brasil;
  • Primeira Ferrovia do Brasil a operar veículos de serviços públicos;
  • Recuperação da segunda maior estação Ferroviária do Rio de Janeiro, uma das maiores do Brasil, e símbolo da decadência econômica do estado do Rio de Janeiro.
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Imagem panorâmica do saguão vazio da desativada e grandiosa estação Barão de Mauá Foto: Eduardo (‘Dado’) em 2017

 

A mensagem passada é a de esperança, de um renascimento. Não é pouca coisa. Será que só nós vemos isso?

Que fique bem claro: todas essas propostas visam operações que gerem lucro a quem as opere, nada aqui proposto visa o retorno das operações passadas deficitárias. Lucro, Lucro, Lucro, esse é o princípio.

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Agradecemos a leitura. Até a próxima !

Autor

  • Mozart Rosa

    Iniciou sua carreira profissional em 1978 trabalhando com um engenheiro que foi estagiário da RFFSA entre 1965 e 1966, que testemunhou o desmonte da E.F. Cantagalo e diversas histórias da Ferrovia de Petrópolis. Se formou Engenheiro Mecânico pela Faculdade Souza Marques em 1992, foi secretário-geral Trilhos do Rio no mandato 2017-2020 e atualmente ocupa o cargo de redator do site, assessor de contatos corporativos e diretor-técnico.

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