O Estilo Leopoldina de ser – Parte 02

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✍️ Mozart Rosa
📅 29/07/2020
🕚 12h00
📷 Cidade de Recreio, com a bifurcação de dois importantes trechos da EF Leopoldina. Fonte: Blog o Trem Expresso.

No capítulo anterior você leu sobre a eficiência e importância do padrão Leopoldina; uma breve explanação sobre a guerra das bitolas (assunto que estará online muito em breve em matéria inédita, especial e exclusiva) e a influência que ela teve na decadência da Leopoldina e de linhas em bitola métrica; o uso de locomotivas antiquadas; e a diferença de tratamento e investimentos entre a EFCB e as demais ferrovias.




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Neste capítulo, você saberá mais sobre:

  • O Sr. Wilson Albuquerque.
  • Como o Brasil enriqueceu com a Ferrovia.
  • A importância do estilo Leopoldina de ser.

Desejamos uma ótima leitura a todos. Vamos lá?

Você conhece o Sr. Wilson Albuquerque? Com certeza não, e isso mostra como o ensino de história no Brasil poderia ser melhor e mais abrangente. O Sr. Wilson é mais um daqueles heróis anônimos cuja história merece ser contada. A história que nos interessa é a relação dele com a ferrovia, entretanto vale a pena lembrar que o Sr. Wilson fez parte da segunda turma de pilotos navais formados pela Marinha do Brasil, de uma época em que avião era movido a lenha (brincadeirinha), que foi a base da Força Aérea Brasileira. Só por isso o Sr. Wilson já merecia fazer parte da história, mas quando Getúlio Vargas ordena o bombardeamento de São Paulo durante a revolução de 1930, o Sr. Wilson disse que não bombardearia seus irmãos.
Se reverenciássemos nossos heróis como merecem, isso era motivo de ter uma estátua em homenagem, além de ser nome de rua.

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Sr.Wilson é o segundo na fila superior da direita para a esquerda. Foto de Arquivo Pessoal.

Foi preso e, ao sair da marinha, se muda para o interior de Minas Gerais, onde começa a fazer a vida. Se tornou o primeiro vice-prefeito eleito da cidade de Recreio, até então distrito de Leopoldina. Na época, se elegiam de forma independente o prefeito e o vice.

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Sr. Wilson, eleito o primeiro vice-prefeito eleito de Recreio. Foto de Arquivo Pessoal.

Sr.Wilson se tornou também empresário, monta indústrias e seus produtos eram despachados para todo o interior de Minas Gerais pela E.F. Leopoldina. Recreio foi uma grande oficina e um grande entroncamento ferroviário. Com a decadência e o fim da Leopoldina, as indústrias do Sr. Wilson decaíram e a cidade também. Toda a atividade econômica existente em volta da ferrovia evaporou-se, e não estamos falando aqui apenas dos negócios do Sr. Wilson, mas de todos os que, negociavam com a, e pela ferrovia.

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Será que todos entenderam?
Não é preciso desenhar, certo?

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Cidade de Recreio-MG com o movimento regido e influenciado pelo tráfego de trens da EF Leopoldina. Fonte: Blog O Trem Expresso, do amigo Amarildo Mayrink

 

O estilo Leopoldina de ser, que hoje chamamos de Short Line e é aplicada em diversos países mundo afora, ajudou o Brasil em seus grotões a crescer. É isso que a AFTR quer, planeja e deseja: o desenvolvimento econômico das pequenas cidades, das empresas pequenas e lucrativas, que fazem parte de um sistema alimentando eventualmente as empresas maiores.

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A Kiamichi Railroad Company foi eleita a Short-line do ano de 2018 nos Estados Unidos, reconhecida por seu compromisso com segurança, serviço, crescimento, investimento e velocidade. Esta companhia tem participação principalmente no mercado de agregados, pasta de celulose e carvão. Fonte: Rail Age

 

Um exemplo prático disso é o funcionamento do cinema nos Estados Unidos. Assim como as pequenas ferrovias podem suprir e alimentar as ferrovias maiores, o sistema de produção de filmes americanos, onde as Major, como:

  • Disney
  • Warner
  • Sony
  • Universal

produzem e distribuem as tramas, e onde empresas menores (não tão menores) como:

  • Lions Gate
  • Ilumination Entertainment
  • Imagine Entertainment
  • Legendary Pictures

apenas produzem e as Major distribuem.

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Exemplos de empresas produtoras de cinema de grande porte, as Major

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Exemplos de empresas produtoras de cinema de pequeno e médio porte, que produzem e fornecem material para as Major

Os americanos são ricos por diversos motivos, um deles é esse. Qual a dificuldade em, pelo menos neste aspecto, imitarmos eles?

Esta é uma questão e um texto para nossos amigos, leitores, seguidores, autoridades e demais interessados refletirem. E então, o que acham?

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Agradecemos a leitura. Até a próxima!

Autor

  • Mozart Rosa

    Iniciou sua carreira profissional em 1978 trabalhando com um engenheiro que foi estagiário da RFFSA entre 1965 e 1966, que testemunhou o desmonte da E.F. Cantagalo e diversas histórias da Ferrovia de Petrópolis. Se formou Engenheiro Mecânico pela Faculdade Souza Marques em 1992, foi secretário-geral Trilhos do Rio no mandato 2017-2020 e atualmente ocupa o cargo de redator do site, assessor de contatos corporativos e diretor-técnico.

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