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✍️ Mozart Rosa
📅 30/05/2020
🕚 13h30
📷 Capa: Acervo Benício Guimarães, Trem de Dados




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Dando continuidade a uma série de textos de cunho eminentemente técnico, iremos explicar os prováveis motivos da queda do setor na totalidade, ao longo de anos. Tentaremos assim esclarecer diversos pontos que até hoje são debatidos, mas por vezes equivocadamente divulgados e defendidos, e assim demolir uma série de mitos.

A história é longa, por isso, antes de finalizarmos, dividimos o nono capítulo desta série em três partes. Vamos à terceira parte agora. Boa leitura a todos.

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O motivo do fracasso das ferrovias no Brasil: quem efetivamente acabou com as ferrovias no Brasil (Parte 3)

Vamos falar de um personagem que teve nome, sobrenome e motivos louváveis: Carlos Aloísio Weber. Conseguiu realizar várias melhorias, mas infelizmente não teve como domar totalmente a situação.

Acidente de Magno, em 1974. Um trem descarrilou e tombou, invadindo a quadra da Escola de Samba Império Serrano. Foto: Arquivo Público do Estado de São Paulo.

 

Em 1974, por conta do acidente com o trem de passageiros em Magno, o então Presidente da República Ernesto Geisel nomeou o Coronel Weber como presidente da RFFSA, tendo a missão de colocar ordem na casa. Weber, ao ocupar o seu posto, vê que administrava não um elefante branco, mas um verdadeiro mamute! Uma das primeiras medidas para tentar racionalizar as operações foi extinguir o transporte de vários produtos como, por exemplo, laticínios e carga viva. A situação era bastante complicada, o que o coronel Weber viu faz qualquer filme distópico parecer filme da Disney.

Coronel de Engenharia Carlos Aloysio Weber, presidente da RFFSA por vários anos, responsável pela hercúlea missão de recuperar a companhia.

 

Deixe de lado por um tempo o que leu ou sabe sobre a comissão de erradicação de ramais feita com o apoio dos EUA. Essa é outra história nebulosa.

 

Compra de nova frota de trens no ano de 1978Foto: Revista Manchete.
Compra de nova frota de trens no ano de 1978 Foto: Revista Manchete.

 

Em 1992 o autor dessa postagem foi chamado para um atendimento no prédio sede da RFFSA e viu uma das cenas mais surreais de sua vida, uma cena digna de um filme de George Orwell: um imenso andar cheio de mesas com funcionários e suas máquinas de escrever, mas NINGUÉM trabalhando, e o papo rolando solto. Isso às 10:00 da manhã.

 

Fachada do prédio da Rede Ferroviária Federal. Foto: Relatório da RFFSA de 1968
Foto: Relatório da RFFSA de 1968

Aos leitores que passarem pelo prédio da sede da empresa, localizado na Avenida Presidente Vargas, vejam a largura do prédio e entendam a profundidade do escrito aqui. Para piorar este autor que vos escreve foi na sala de um dos diretores e pasmem: duas secretárias em uma sala com aproximadamente 250 m², o que conforme as palavras de um amigo, é praticamente um latifúndio. Roberto Marinho, dono das Organizações Globo; Amador Aguiar, dono do Bradesco; Antônio Ermínio de Moraes, dono do Grupo Votorantim… nenhum deles tinha uma sala com 250 m². Mas a diretoria da RFFSA tinha salas com esse tamanho. Por aí já se imagina como seria a sala do Presidente.

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Mas o que estava ruim ainda podia piorar, e piorou.

Procurando a pessoa que solicitou o atendimento fui informado de que, embora seu paletó estivesse na cadeira (paletó Branco), pela hora o cidadão estaria na rede que possuia no Aterro do Flamengo jogando vôlei com os amigos. O desdobramento do ocorrido é irrelevante, mas esse relato mostra as entranhas da RFFSA.

Equipe de manutenção de material rodante e via permanente da RFFSAFoto: Revista Manchete (1977)
Equipe de manutenção de material rodante e via permanente da RFFSA Foto: Revista Manchete (1977)

 

Que fique bem claro: a equipe operacional da RFFSA levava as coisas a sério, mas esse foi um retrato de como funcionava a administração da mesma. A redução de custos nunca focou demissões ou diminuição dessa máquina, mas sim, redução de operações.

Perceberam um dos motivos de muitos ramais terem sido extintos?

Será que algumas pessoas, ao reverenciar a RFFSA, sabem dessas informações e descalabros administrativos?

 

Oficinas de Praia Formosa em 1964Fonte: Acervo Benício Guimarães, Trem de Dados
Oficinas de Praia Formosa em 1964 Fonte: Acervo Benício Guimarães, Trem de Dados

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Autor

  • Mozart Rosa

    Iniciou sua carreira profissional em 1978 trabalhando com um engenheiro que foi estagiário da RFFSA entre 1965 e 1966, que testemunhou o desmonte da E.F. Cantagalo e diversas histórias da Ferrovia de Petrópolis. Se formou Engenheiro Mecânico pela Faculdade Souza Marques em 1992, foi secretário-geral Trilhos do Rio no mandato 2017-2020 e atualmente ocupa o cargo de redator do site, assessor de contatos corporativos e diretor-técnico.

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