Aduelas da Linha 4 do Metrô: destino poderá ser Santa Cruz e vistoria constata material deteriorado na Leopoldina
Documentos mostram que 6.672 aduelas deverão ser retiradas da Leopoldina, enquanto materiais da antiga fábrica são separados para a Estação Gávea
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Novos documentos produzidos pela RIOTRILHOS em setembro de 2026 detalham os estudos para retirar as aduelas armazenadas na antiga Fábrica de Aduelas, no complexo da Estação Barão de Mauá, na Leopoldina. O material revela que a operação envolve não apenas a definição de um novo local para armazenamento das estruturas, mas também a separação e retirada de outros materiais existentes na antiga fábrica, alguns dos quais serão reaproveitados pelo Consórcio Construtor Gávea nas obras da Estação Gávea.
A documentação também atualiza uma informação importante sobre o possível destino das aduelas: Japeri, que havia sido inicialmente considerada como alternativa, foi posteriormente analisada e considerada inviável, enquanto Santa Cruz passou a ser estudada como possível local de destinação.
Até o momento, entretanto, não há decisão definitiva sobre o destino das aduelas.
Grupo de Trabalho foi criado para solucionar a questão
Em documento de 16 de setembro, a Diretoria de Engenharia da RIOTRILHOS encaminhou à Presidência a proposta de criação de um Grupo de Trabalho destinado a colaborar na solução da questão das aduelas não utilizadas nas obras de extensão da Linha 4 do metrô, como citado aqui no site Trilhos do Rio.
RIOTRILHOS formaliza estudos sobre o destino das aduelas da Linha 4 do Metrô
O documento menciona expressamente a necessidade de uma solução para o remanejamento urgente das estruturas e a avaliação de sua eventual alienação por leilão, em razão de uma demanda judicializada relacionada ao esvaziamento da área da Leopoldina.
A iniciativa deu origem posteriormente à Portaria RIOTRILHOS nº 203, de 24 de setembro de 2026, que formalizou o Grupo de Trabalho e determinou que fossem estudadas alternativas para o remanejamento das aduelas, inclusive a possibilidade de venda por leilão.
A existência de uma alternativa de leilão, porém, não significa que a companhia tenha decidido vender o material. Trata-se de uma das possibilidades que deverá ser avaliada pelo grupo.
Japeri deixa de ser a alternativa considerada
Uma reunião realizada em 16 de setembro entre representantes da RIOTRILHOS e da CENTRAL trouxe informações mais concretas sobre a logística de retirada. Segundo a ata, a equipe responsável vinha trabalhando na elaboração de um cronograma para retirar e transportar as aduelas, avaliando diferentes alternativas logísticas. O transporte ferroviário era considerado, naquele momento, a alternativa mais adequada. A utilização de caminhões também estava sendo estudada, mas as análises preliminares indicavam que o transporte rodoviário poderia ser inviável ou mais oneroso.
A documentação informa que Japeri havia sido inicialmente considerada como área de destino, mas os estudos realizados posteriormente apontaram a inviabilidade dessa alternativa. Entre os fatores mencionados estão as dimensões da área disponível e a existência de um rio nas proximidades, situação considerada especialmente relevante diante do peso das estruturas.
Com isso, Santa Cruz passou a ser considerada no projeto em estudo, embora a própria ata registre que nada de concreto havia sido decidido.
São 6.672 aduelas e operação pode durar até seis meses
O levantamento apresentado na reunião de 16 de setembro aponta um quantitativo de 6.672 aduelas objeto da operação. A estimativa registrada no documento é de aproximadamente cinco a seis meses para a realização da retirada e do transporte. Esse prazo evidencia a dimensão logística da operação. Não se trata apenas de remover estruturas de um terreno, mas de organizar uma movimentação de grande quantidade de elementos de concreto, com definição de transporte, carregamento, armazenamento e controle do material.
A opção pelo transporte ferroviário também está relacionada às dimensões e ao peso das peças, além das dificuldades que poderiam ser encontradas na utilização de veículos rodoviários.
Parte da fábrica ainda contém materiais de diferentes naturezas
Enquanto a RIOTRILHOS procura definir o destino das aduelas, uma segunda frente de trabalho foi aberta para identificar e separar os demais materiais existentes na antiga fábrica. Em reunião realizada em 21 de setembro com o Consórcio Construtor Gávea, foi discutida a retirada de materiais que deverão ser utilizados nas obras da Estação Gávea. O levantamento preliminar indicava que grande parte dos dormentes já havia sido retirada, restando aproximadamente 500 unidades, segundo estimativa apresentada pelo representante do consórcio. Os dormentes remanescentes foram descritos como estando em condições ruins. As galochas destinadas ao consórcio já haviam sido retiradas, enquanto os trilhos ainda permaneciam no local. O comprimento das peças — aproximadamente 12 metros — foi apontado como uma das dificuldades para o transporte.
O consórcio informou que os materiais destinados à obra deveriam estar no canteiro da Estação Gávea até 10 de dezembro de 2026.
Como ainda não havia um levantamento definitivo de tudo aquilo que seria efetivamente aproveitado, foi programada uma vistoria conjunta para identificar e individualizar os materiais.
Vistoria encontrou grande quantidade de materiais
A vistoria foi realizada em 23 de setembro de 2026, com a participação de representantes da RIOTRILHOS e do Consórcio Construtor Gávea. O relatório registra a existência de uma quantidade expressiva e diversificada de materiais nas dependências da antiga fábrica. Em razão das condições físicas de alguns itens, determinados materiais sequer puderam ser identificados durante a inspeção.

Entre os elementos registrados estão componentes relacionados ao Tunnel Boring Machine (TBM), conhecido como Tatuzão, cinco pórticos, aduelas armazenadas na área externa e diversos outros materiais.
Os técnicos da RIOTRILHOS também apontaram que seria necessária uma equipe técnica específica para realizar um levantamento completo de todos os materiais existentes no interior do galpão.
A conclusão da vistoria foi justamente a necessidade de identificar e individualizar os bens, devido à quantidade e à diversidade dos itens existentes no local.
Materiais serão divididos entre o Consórcio Gávea e a RIOTRILHOS
O relatório de vistoria relaciona uma série de materiais destinados ao Consórcio Construtor Gávea para utilização na Estação Gávea.
Entre os itens relacionados estão trilhos TR 57 e TR 75, aparelhos de mudança de via, jacarés, barras de conjugação, componentes de via, dormentes convencionais e especiais, caixas de comando, suportes, tampas pré-moldadas para canais de cabos, galochas e diferentes modelos de plataformas.

O levantamento também apresenta quantitativos e dimensões para diversos desses materiais. Entre os números registrados estão 26 peças de TR 57 de nove metros, 216 peças de TR 57 de 12 metros, 466 peças de TR 57 de 18 metros e 210 peças de TR 75 de 12 metros.
O documento, contudo, deve ser interpretado como um levantamento destinado à definição dos materiais de interesse do consórcio, e não como um inventário definitivo de todo o patrimônio existente na antiga fábrica.
Há materiais em condições ruins e também material classificado como sucata
O relatório apresenta uma situação heterogênea do acervo material existente na Leopoldina. Os documentos registram, por exemplo, que os dormentes remanescentes estavam em condições ruins e que parte dos materiais existentes não pôde sequer ser identificada durante a vistoria em razão de seu estado físico.

Além disso, o relatório fotográfico contém uma identificação específica de material como “sucata do Consórcio Construtor Gávea”, cuja retirada seria de responsabilidade do próprio consórcio.
Isso demonstra que o conteúdo da antiga fábrica não é composto exclusivamente por materiais em condições de reaproveitamento.
É importante, entretanto, fazer uma distinção: os documentos analisados não permitem concluir que as próprias 6.672 aduelas estejam parcialmente transformadas em sucata. A condição de sucata mencionada no relatório está associada especificamente a determinado material fotografado e identificado como pertencente ao Consórcio Gávea.
Da mesma forma, a descrição de materiais em condições ruins não equivale, por si só, a uma classificação técnica de inutilização.
Uma operação de grande escala ainda precisa ser organizada
A documentação deixa evidente que a liberação da área da Leopoldina envolve operações simultâneas.
De um lado, o Consórcio Gávea precisa retirar os materiais que serão reaproveitados na construção da Estação Gávea. De outro, a RIOTRILHOS precisa identificar aquilo que permanecerá sob sua responsabilidade e organizar a retirada e o armazenamento dos bens remanescentes.

No caso das aduelas, a operação é significativamente maior: são 6.672 unidades, com previsão inicial de cinco a seis meses para retirada e transporte.
A definição do modal de transporte e do destino também permanece em aberto. O transporte ferroviário aparece nos documentos como alternativa considerada mais adequada, enquanto a solução rodoviária continua em análise.
Santa Cruz é hipótese, não decisão
A principal atualização trazida pelos documentos é a mudança no cenário de destinação.
A área de Japeri, que havia sido examinada anteriormente como possível local de armazenamento, foi considerada inviável após os estudos realizados. Santa Cruz passou então a ser estudada como alternativa, mas a ata deixa expressamente registrado que ainda não havia decisão concreta e nem qual o possível local.
Essa distinção é importante porque a criação do Grupo de Trabalho da RIOTRILHOS também prevê outras possibilidades para o material, inclusive sua eventual alienação por leilão.
Assim, neste momento, existem pelo menos três caminhos formalmente em avaliação: remanejamento para outra área, eventual alienação por leilão e definição das providências necessárias para os materiais que não forem destinados ao Consórcio Gávea.
O destino das aduelas ainda está em aberto
Os novos documentos mostram que a situação das aduelas da Linha 4 avançou de uma discussão preliminar para uma etapa de organização operacional e administrativa.
A RIOTRILHOS já quantificou o material em 6.672 aduelas, iniciou estudos de logística, descartou Japeri como alternativa de destinação considerada nos primeiros levantamentos e passou a analisar Santa Cruz.
Paralelamente, a antiga fábrica está sendo objeto de um levantamento mais amplo, com a retirada de materiais destinados à Estação Gávea e a separação daqueles que permanecerão sob responsabilidade da RIOTRILHOS.
O próximo passo deverá ser justamente a consolidação desses levantamentos e a definição do destino dos bens.
Até que isso ocorra, Santa Cruz não deve ser apresentada como o destino definido das aduelas, assim como o leilão não deve ser tratado como uma decisão de venda. Ambos aparecem, em momentos diferentes, dentro de um processo que ainda está sendo estruturado pela RIOTRILHOS.
Com informações de: documentos administrativos da RIOTRILHOS, atas de reuniões e Relatório de Vistoria de 23 de setembro de 2026
Imagem de capa: Fábrica de Aduelas da Leopoldina / Relatório RIOTRILHOS
