Substituição de BRTs pode ser possível com novo PAC, porém iniciativa reacende dúvidas entre VLT e Metrô

Substituição de BRTs pode ser possível com novo PAC, porém iniciativa reacende dúvidas entre VLT e Metrô

Com informações do Diário do Transporte, complementações e análise editorial Trilhos do Rio.
Imagem de capa (ilustrativa): Daddo Moreira, em 2022

A possibilidade de transformar importantes corredores de BRT do Rio de Janeiro em linhas de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) ganhou um novo impulso com a habilitação de uma proposta da Prefeitura do Rio de Janeiro no âmbito do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC). A iniciativa, divulgada pelo Ministério das Cidades por meio da Portaria nº 591/2026, prevê a utilização de parte da infraestrutura dos corredores TransOeste e TransCarioca para implantação de um sistema de transporte sobre trilhos.

Segundo informações publicadas pelo Diário do Transporte, o projeto foi enquadrado para a próxima etapa de avaliação do programa federal e poderá receber financiamento por meio de recursos do FGTS, através do programa Pró-Transporte. A proposta prevê a implantação do novo sistema por meio de Parceria Público-Privada (PPP), aproveitando parte da estrutura atualmente utilizada pelos ônibus articulados do BRT. A iniciativa representa um dos mais importantes projetos de mobilidade urbana atualmente em análise para a capital fluminense e pode marcar uma nova etapa na expansão dos transportes sobre trilhos na cidade, tema que há décadas integra o debate sobre o futuro da mobilidade carioca.

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VLT surge como alternativa para corredores de média demanda. E o metrô?

A proposta parte do entendimento de que alguns dos corredores BRT implantados nas últimas décadas já operam com elevados volumes de passageiros e apresentam desafios operacionais recorrentes, especialmente nos horários de pico. A substituição parcial de corredores de ônibus por sistemas sobre trilhos é uma tendência observada em diversas cidades do mundo, principalmente quando a demanda ultrapassa a capacidade operacional dos veículos rodoviários convencionais ou articulados.

O VLT apresenta vantagens importantes, como maior conforto, menor emissão de poluentes, vida útil mais longa dos veículos e melhor integração urbana. Além disso, costuma oferecer maior capacidade de transporte em relação aos ônibus tradicionais.

Entretanto, especialistas em mobilidade urbana destacam que a discussão não deve se limitar apenas à substituição do BRT pelo VLT. Alguns dos corredores atualmente atendidos pela TransCarioca e pela TransOeste movimentam centenas de milhares de passageiros diariamente, atingindo níveis de demanda que, em muitos sistemas internacionais, justificariam estudos para implantação de metrô pesado.

A eventual conversão dos corredores para VLT pode representar um avanço significativo para o transporte público do Rio de Janeiro, mas também reacende uma antiga discussão: qual é o modal mais adequado para atender os principais eixos de deslocamento da cidade? Corredores como a TransCarioca, que conecta a região da Barra da Tijuca ao Aeroporto Internacional Tom Jobim, atravessam áreas densamente povoadas e concentram um fluxo diário de passageiros comparável ao de linhas ferroviárias urbanas em diversas metrópoles internacionais. Da mesma forma, a TransOeste atende uma das regiões que mais cresceram demograficamente nas últimas décadas, abrangendo bairros como Santa Cruz, Campo Grande e Barra da Tijuca, áreas que continuam registrando forte expansão urbana e geração de viagens.

Nesse contexto, urbanistas e especialistas em transporte defendem que a implantação de VLTs pode representar uma solução intermediária importante, mas que determinados trechos deveriam ser objeto de estudos mais aprofundados para sistemas de maior capacidade, incluindo expansões metroviárias ou ferroviárias metropolitanas. A discussão ganha ainda mais relevância diante da histórica concentração da rede metroviária carioca em áreas centrais e da Zona Sul, enquanto grande parte da população da Zona Oeste continua dependente principalmente dos sistemas rodoviários.

Novo PAC abre oportunidade para expansão dos trilhos

A habilitação do projeto no Novo PAC não significa sua implantação imediata. A proposta ainda passará por análises técnicas, econômicas, financeiras e documentais antes da contratação definitiva dos recursos. Mesmo assim, o avanço representa um importante reconhecimento federal da necessidade de investimentos estruturantes na mobilidade urbana do Rio de Janeiro. Além da proposta carioca, o Ministério das Cidades também habilitou projetos em diversas cidades brasileiras voltados à modernização do transporte público, requalificação de terminais e melhoria da infraestrutura urbana.

No caso do Rio, porém, a proposta possui um diferencial relevante: trata-se de uma iniciativa voltada diretamente à expansão dos transportes sobre trilhos, segmento que historicamente apresenta maior capacidade de transporte, melhor desempenho ambiental e potencial para induzir o desenvolvimento urbano ao longo dos seus eixos. Caso avance para as próximas etapas, o projeto poderá representar um dos maiores investimentos em transporte sobre trilhos realizados na cidade desde a implantação do sistema de VLT da Região Portuária.

Além disso, a discussão pode abrir caminho para reflexões mais amplas sobre o futuro da mobilidade metropolitana, incluindo novas expansões metroviárias, integrações ferroviárias e a necessidade de oferecer alternativas de alta capacidade para os deslocamentos entre a Zona Oeste, o Centro e demais regiões da capital fluminense.

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